Nem a criatividade ajuda vendas

Se por um lado o comércio torce pela chegada de mais uma data comemorativa no calendário 2016, (o Dia dos Namorados, a ser comemorado no dia 12 de junho), por outro lado, fica a preocupação pelos demais 29 dias, que vem amargando o fraco movimento nas lojas do Centro Histórico de Manaus. E para piorar a situação, os consumidores e lojistas disputam as poucas vagas de estacionamento e, ainda, convivem com as obras de recuperação de logradouros públicos, por exemplo, a emblemática avenida Eduardo Ribeiro, no coração da cidade.
Mesmo em tempo de retração das vendas, reflexo da crise que vem assolando a economia do país, otimismo é o que não falta para Aly Bawab empresário do segmento de vestuário e alimentação. “A crise está na porta de todo mundo, isso é claro e evidente. No final desse semestre as vendas estão melhorando, mas se comparar os números ainda há perdas em relação ao mesmo período do ano passado”, ponderou.
Segundo Bawab, a tendência é melhorar os resultados em relação ao início do ano, mas sem muita expectativa de crescimento no faturamento se comparar ao igual período de 2015. “Quanto ao movimento de clientes, ainda estamos sofrendo com a falta de estacionamento e com as obras de recuperação da av. Eduardo Ribeiro. Mesmo assim, temos que, manter o otimismo sempre”, salientou.
Para o gerente de vendas do grupo atacadista Vanmax Multiloja, Maxwell Israel o cenário econômico além de incerto, afeta todos os segmentos produtivos e o comércio sofre os reflexos com a queda no poder aquisitivo dos consumidores que, por sua vez, deixam de ir às compras. “Não estou vendo melhora. Nesses últimos meses houve uma queda abrupta nas vendas, mesmo com a aproximação das datas comemorativas, porque as pessoas estão desempregadas”, frisou.
Maxwell, cada vez mais pessimista, alerta para uma tendência do mercado consumidor, que na crise está cada dia mais endividado e cortando gastos supérfluos. “Inclusive na crise o consumidor tem que ter algum dinheiro no bolso do consumidor, se ele não tem não vai consumir. O cenário é de pessimismo. O comércio, hoje, está vivendo o dia da comemoração, e os outros 29 dias?”, indagou.
Em uma análise política, Maxwell afirma que o governo não se preocupou em planejar o crescimento da economia do país, ao contrário, gastou mais do que devia, ficando à mercê de uma forte recessão. “Os governantes não imaginavam que fosse ter esse volume de demissões, com fechamento de empresas, assim tão rápido, não previram nada. Eu não vejo melhoras. Hoje nós estamos vendo um cenário sem saída, porque todos os setores foram afetados pela crise.
O especialista em vendas, desta vez, discorda do ditado popular que diz “que é na crise que surgem as grandes ideias”, argumentando: “Nós estamos passando por uma crise generalizada que não depende da capacidade intelectual das pessoas. Não tem nada a ver com criatividade, tem a ver com colocar dinheiro no bolso do consumidor e isso só acontece com novas políticas que venham fortalecer os setores produtivos”, alertou Maxwell.

A volta dos camelôs

Sem fiscalização, o comércio pode amargar uma queda nas vendas, em torno de 60%, diante da concorrência desleal do comércio informal que está em franco crescimento na zona Leste da cidade. “O que eu vejo é que todos os setores, em todos os patamares caíram. Só no comércio a queda está entre 40% e 60%, porque o governo, hoje, não faz a parte dele e não consegue fiscalizar, e o comércio negro está crescendo, principalmente, na zona Leste com o crescimento descontrolado de camelôs e vendedores ambulantes”, alerta Maxwell.
Para completar, o gerente de vendas, disse que a classe empresarial está, literalmente, sofrendo sem perspectivas diante da crise, que é a pior de todos os tempos. “Os empresários estão entrando em depressão, vendo uma situação cada vez mais negra. Todos querem sair da crise, porém, não depende de força de vontade, mas de colocar dinheiro no bolso do consumidor que perdeu o emprego, que fechou o negócio, que sofre por incompetência dos governantes”, conclui Maxwell Israel, exclusivo para o Jornal do Commerio.

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