Nelson Azevedo, orgulho de ser Amazônida!

Entrevista com o empresário Nelson Azevedo dos Santos 

Nelson dos Azevedo dos Santos, o novo cidadão amazonense, nasceu na fronteira do Pará com o Amazonas e, já aos 13 anos de idade – o futuro empresário e 1o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) e conselheiro do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) – veio de Oriximiná  para Manaus, em definitivo. Aqui fez seus estudos e construiu uma trajetória de trabalho marcada pela determinação de fortalecer a indústria amazonense. Amazônida de carteira e diploma, Nelson é a própria tradução do Programa Zona Franca de Manaus (ZFM) de desenvolvimento regional, pois sua identidade se expressa no combate e dedicação às causas do estado, principalmente, pela defesa da dignidade do povo ribeirinho. Sua obsessão, ao demonstrar em artigos e entrevistas, os impactos positivos da economia amazonense, é ilustrar a maior efetividade da economia da ZFM através dos empregos e oportunidades que oferece na região e para todo o país. Azevedo é também diretor regional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) no Amazonas, gestor das Coordenadorias da FIEAM, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus (SIMMMEM) e coordenador geral do Comitê de Apoio ao Desenvolvimento do Agronegócio no Amazonas. É estimado e respeitado pela coerência entre sua pregação, suas convicções  e atitudes de vida, essencialmente construtivas, entusiasmadas e entusiasmantes em nome de um futuro melhor e mais próspero da Amazônia. 

“Sempre tive orgulho de ser amazônida e agora, com essa certidão e o prestígio do reconhecimento amazonense, só aumenta minha responsabilidade de retribuir com o melhor de meus compromissos, dedicação e gratidão a diletos parlamentares e ao povo que representam. Seja louvado o Senhor dos Destinos que aqui me trouxe. Mais do que nunca vou fazer por merecer a magnitude dessa determinação, aqui tive minha formação acadêmica, trabalhei no serviço público estadual, em indústrias de primeira linha em termos tecnológicos e virei empreendedor/ empresário”, diz o diretor-presidente da Poliamazon Metalúrgica da Amazônia Ltda que será laureado nesta terça-feira, 25 de agosto, Dia da Indústria – data comemorada em todo o país, com um dos maiores títulos concedidos a personalidades que se doam pelas vidas amazonenses. 

Confira a conversa que Alfredo Lopes e Fabíola Abess conduziram com este novo cidadão amazonense exclusivamente para a Coluna Follow Up – CIEAM e o portal BrasilAmazoniaAgora, sobre a homenagem recebida e os últimos acontecimentos do universo da indústria amazonense e do país, temas que o entrevistado conhece em profundidade! 

Por Alfredo Lopes e Fabíola Abess (*) Coluna Follow-up (**) 

25.05.21 DIA DA INDÚSTRIA 

Nelson Azevedo, orgulho de ser Amazônida!

1.,FOLLOW UP  – De 2000 a 2018, o Amazonas recolheu para os cofres federais 110.196.998.727,02 e recebeu R$ 38.259.294.849,50, ou seja, apenas 26% da riqueza aqui construída. Ainda assim, a Receita Federal continua dizendo que o Amazonas tem um custo fiscal de R$25 bilhões por ano e a imprensa do sudeste usa esse indicador equivocadamente como base. O que o senhor tem a comentar sobre esse tratamento que ainda é dado ao programa Zona Franca de Manaus?

NELSON AZEVEDO – Não trabalhamos com renúncia. Cumprimos, com rigor e seriedade, uma política pública do Estado Brasileiro e não desta ou daquela gestão quadrienal de quem quer que seja. Trata-se de uma política de desenvolvimento regional destinada a reduzir as diferenças abissais entre o Sul maravilha e o Norte do Brasil onde estão, ao lado do Nordeste, os 50 piores IDHs entre os municípios do país. 

A Constituição brasileira nos confere 8% de compensação fiscal porque somos uma região remota, isolada por terra do resto do país, e com vetos para reconstruir uma rodovia que a União deixou de fazer sua manutenção há quase três décadas. E qual é a alegação? Evitar o desmatamento? Preservar o meio ambiente? Nós já somos o campeão mundial de proteção florestal. Ora, se os waimiri-atroari, há quarenta anos preservam a BR-174, será que o Estado Brasileiro não tem competência para vigiar a BR-319? Ora, o que depreda é a fome de nosso irmão caboclo, suas famílias e as etnias da região, transformados em vítimas dos criminosos, mulas do narcotráfico e vetores de operação da máquina destrutiva!. A estrada vai permitir a ocupação do poder público como vigilante e como empreendedor da bioeconomia sustentável. Ou existe melhor maneira de preservar o fator ambiental que não seja atribuir-lhe finalidade econômica?

2. FUP – Qual sua visão de futuro para a economia do Amazonas e da Amazônia considerando o potencial de oportunidades que o Programa Zona Franca pode oferecer e contribuir com a Amazônia e o Brasil?

N.A. – Por que motivo não fabricamos os equipamentos utilizados pela atividade agrícola e agroindustrial do Brasil? A economia resultante do programa Zona Franca de Manaus gera mais de 500 mil empregos diretos e indiretos a partir do Polo Industrial de Manaus, onde também se origina mais de 80% de nossa economia. Assim, poderíamos ampliar a oferta de empregos e nos integrarmos à economia pujante do Centro-Oeste. De acordo com artigos recentes, inclusive estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) mais de 96% da cobertura vegetal do Amazonas se mantém em pé por conta da ZFM. Um dos legados da ZFM também é a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), instituição que desenvolve a tríade Ensino-Pesquisa-Extensão. Ou seja, seguimos protegendo a floresta e podemos ampliar o perfil didático e tecnologia de nossa academia.

3. FUP –  Um dos argumentos utilizados para brecar a recuperação da BR-319 é o risco de depredação da floresta. Como você interpreta essa desculpa? 

N.A. – Ora, só posso deduzir que se trata de uma conversa fiada. Como bem lembrou em debate recente o deputado Sidney Leite, o que depreda é a fome de nosso irmão caboclo, suas famílias e as etnias da região, transformados em vítimas dos criminosos, mulas do narcotráfico e vetores de operação da máquina destrutiva!!! A recuperação da estrada é um direito/obrigação constitucional e vai permitir a ocupação por parte do poder público como fiscal vigilante e como empreendedor da bioeconomia sustentável. Nós financiamos integralmente uma imponente universidade, a UEA, presente em todos os municípios, também para isso, ensinar que o desmatamento é a maneira mais estúpida e menos rentável de utilização da biodiversidade. Ora, se a pecuária gera com cada bovino 500 kgs/ano por hectare de proteína, a piscicultura de Rio Preto da Eva gera 44 toneladas de proteína de tambaqui em tanque escavado. Temos 16 milhões de hectares para este fim no Amazonas. 

4.. FUP – Ao longo da Rodovia BR-319, o INPA, Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia, identificou mais de 100 espécies de palmeiras com fins e potencialmente industriais que podem ser propagadas em cultura assistências extensiva naquele traçado. Como você trataria essa informação? 

N.A. Excelente questão. Por que não usar os recursos pagos pela indústria para interiorizar o desenvolvimento em projetos como este? Afinal, pagamos integralmente a construção do CBA, Centro de biotecnologia da Amazônia, que até hoje não tenho CNPJ e que poderia multiplicar em laboratório as mudas dessas palmeiras para produção de olhos vegetais que podem ser industrializados em Manaus. Não podemos esquecer que temos mais de 14 milhões de brasileiros fora do mercado de trabalho e o Amazonas é a pátria dos empregos Sustentáveis. E Geramos mais de 500 mil empregos diretos e indiretos a partir do Polo Industrial de Manaus, onde também se origina mais de 80% de nossa economia. Por isso protegemos, com estes indicadores, mais de 96% da cobertura vegetal do Amazonas. Ajudamos o Brasil e o mundo a respirar melhor e não recebemos um centavo por este precioso serviço ambiental.

5. FUP – Precificação dos nossos serviços ambientais. Isso é uma utopia ou é uma economia que nós abandonamos e que poderia gerar muita riqueza para nossa gente. O que você pensa respeito?

N.A. – A União, que poderia fazê-lo… Você sabia que, por causa de uma concepção tosca de soberania, o governo brasileiro demorou décadas para admitir a precificação e negociações desse ativo valioso no mercado de commodities do carbono. Ao longo desses anos, o  Brasil apenas tem adubado a própria compulsão tributária, transformando o Amazonas num dos cinco estados da Federação que carrega o país nas costas com apenas 8% do bolo fiscal do país E o que é feito dos 92% restantes, utilizados em sua maioria nas regiões mais desenvolvidas do país? Precisamos trabalhar. Nos deixem trabalhar….

6.. FUP – A lista de suas atividades é assustadora. Como você lida com tantas atribuições e responsabilidades

N.A. Na Amazônia é assim, desde que coletávamos o leite da seringueira antes do sol nascer para preparar as pelas de borracha exigidas pelo mercado mundial. Ou seja, parodiando aprendemos a dar nó em pingo de látex. Aqui nas entidades da indústria cada um aprende a rezar a missa, tocar o sino, distribuir a eucaristia e acompanhar a procissão.. Temos, portanto, que manter vigilância permanente em todas as frentes possíveis, para manter a segurança jurídica da indústria amazonense. Isso significa obrigatoriedade de nos mantermos unidos, indo mais além das questões técnicas, econômicas ou de Legislação. Um exemplo recente, resultado da união entre FIEAM, CIEAM, ELETROS e ABRACICLO, foi a Ação Social Integrada, projeto que completou um ano de atividades levando alimentos para as comunidades vulneráveis e equipamentos hospitalares quando o sistema de saúde entrou em colapso em março de 2020, com a pandemia da Covid-19. E, simultaneamente ao debate permanente da Reforma do Sistema Tributário Brasileiro, segurou a peteca no jogo da sobrevivência onde qualquer cochilo pode ser fatal. Pessoalmente, atuo na vice-presidência da FIEAM, no  Conselho Superior do CIEAM, na direção regional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e nas Coordenadorias da FIEAM, e no Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e afins, e no Comitê de Apoio ao Desenvolvimento do Agronegócio no Amazonas. Além de tudo isso, é preciso comer muito tucumã, banana pacovã e queijo coalho, para aguentar o tranco no amanhecer do chão de fábrica e na jornada de construção da economia e utopia  Amazônica. 

(*) Fabíola e Alfredo são parceiros na Comunicação do CIEAM e atuantes no portal BrasilAmazoniaAgora. 
(**) A Coluna Follow Up é publicada no Jornal do Comércio às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do Centro da Indústria do Estado do Amazonas
Foto/Destaque: Divulgação

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