3 de dezembro de 2021

Negociações no comércio do AM têm mais impasses

Patrões e empregados de diversos segmentos do comércio do Amazonas já estão começando uma nova rodada de negociações. Nesta quinta (16), será a vez do Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas) e do Sincadam (Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Amazonas) voltarem a sentar à mesa com o Sindecvargam (Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista, Atacadista e Representantes de Gêneros Alimentícios de Manaus) para debater os termos da convenção coletiva do trabalho da categoria. 

A expectativa dos empresários é ouvir o Sindicargas-AM (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas), na próxima semana, possivelmente na segunda (20). A ideia é tentar promover as reuniões na sede da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas). Correndo por fora, os trabalhadores do Sindcomam (Sindicato dos Empregados no Comércio de Manacapuru e Região) também devem voltar a ser ouvidos nos próximos dias, em data ainda a ser definida. 

Até agora, só os comerciários de Manaus e os trabalhadores do subsetor de material de construção já bateram o martelo, em suas respectivas convenções coletivas. A nova rodada se deve à rejeição das entidades laborais aos termos da contraproposta formatada pelas representações patronais, aprovada em assembleia realizada em 18 de agosto, e posteriormente endereçada ao Sindecvargam e ao Sindicargas-AM.

Em linhas gerais, os lojistas querem manter o mesmo teor da convenção vigente até 1º de setembro, data-base da categoria, ajustando apenas as “cláusulas econômicas” –que incluem o piso salarial e os salários dos trabalhadores que já ganham acima disso. A ideia era manter, junto com os três sindicatos patronais citados, os mesmos parâmetros do acordo fechado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus: um reajuste linear de 4,76% para todos. A inflação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE, por outro lado, já contabilizou uma inflação anualizada de 10,42%, em agosto.

Cláusulas sociais

Assim como ocorrido nas etapas anteriores das negociações, os sindicatos patronais reiteraram que as fragilidades financeiras das empresas, decorrentes de seis meses de fechamento impostos por duas ondas intercaladas da pandemia e suas medidas de isolamento social, não permitem maiores concessões. Os trabalhadores, contudo, também usam a crise da Covid-19 como argumento para rejeitar reajustes abaixo do INPC, além de reivindicar cláusulas sociais que as empresas não querem discutir, como planos de saúde e cestas básicas, entre outros quesitos.

Escaldado por uma negociação frustrada no ano anterior, o Sindecvargam pediu inicialmente uma correção salarial geral de 11,06%, mais 5% de ganho real. O sindicato laboral também apresentou outras propostas consideradas “controversas” pelos representantes do varejo e do atacado do Amazonas, a exemplo de plano de saúde e odontológico, empréstimo consignado, acordo coletivo de compensações e três pisos para a categoria, conforme porte da empresa (R$ 1.296, R$ 1.307 e R$ 1.319). 

Em sua proposta inicial, o Sindicargas-AM pediu um reajuste geral de 12% para todas as categorias amparadas pelo sindicato, que vão de ajudantes de entregas, de motorista e de cargas/descargas –que teriam seus vencimentos corrigidos de R$ 1.157 para R$ 1.296,62 – a motoristas carreteiros –que veriam seus vencimentos aumentarem dos atuais R$ 2.281,42 para R$ 2.555,19. Além do índice de reajuste, os pontos considerados “sensíveis” pelo patronato foram a previsão de concessão de cesta básicas e assistência médica/odontológica, entre outros quesitos. 

“Prejuízos incalculáveis”

O presidente do Sindivarejista, Teófilo Gomes da Silva Neto, contou à reportagem do Jornal do Commercio que, por conta disso, as negociações estão paradas e o ponto que está travando o entendimento é justamente o repasse do INPC “cheio”, com percentual de dois dígitos. Os representantes dos lojistas do varejo e do atacado do Amazonas voltaram a acenar com uma nova contraproposta aos “laborais” e dos trabalhadores dos “gêneros alimentícios”, nesta quarta (15), e aos motoristas, na próxima semana.

“Não aceitaram a contraproposta. Em resposta, o Sindicargas manteve a proposta inicial. Já o Sindecvargam, além de manter algumas cláusulas, apresentou novas exigências. Após as reuniões promovidas em caráter permanente entre os patronais surgiu uma nova contraproposta para discussão com os laborais. Vamos ter de realizar uma nova sentada, para tentarmos conciliar os interesses”, encerrou. 

“Longo caminho”

De acordo com o dirigente, a margem de conversação com o Sindcomam é ainda mais estreita, uma vez que os empresários veem dificuldade em celebrar um acordo mais generoso do que o firmado com os trabalhadores de Manaus, uma vez que a realidade para as empresas do interior seria bem distinta quando comparada ao cenário da capital. Ainda mais que a entidade representativa dos comerciários dos demais municípios estaria pedindo ganho real de 1%, além da “inflação cheia” do INPC.   

Em carta endereçada ao Sindcomam, o presidente do Sindivarejista assinalou que “lamentavelmente” não tem como avançar na negociação da proposta de convenção além da contraproposta já encaminhada. O dirigente assinalou ainda que as paralisações do setor em ambas as ondas da pandemia, provocaram “prejuízos incalculáveis” às empresas e levaram “inúmeras a encerrar suas atividades”, sendo que as que conseguiram se manter ativas estariam “lutando para recompor suas finanças”.

“Essa situação caótica em que ficaram as empresas foi amplamente discutida com os comerciários de Manaus que, sensibilizados e preocupados em manter os empregos, aceitaram assinar convenção para 2021/2023 com as mesmas cláusulas da convenção 2019/2021, discutindo apenas as cláusulas econômicas e concordando com uma correção salarial de 4,7%, tanto para o piso como salários acima”, frisou o documento.

Em entrevista anterior, o presidente do Sindivarejista ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que as negociações são sempre “delicadas” e raramente conclusivas no primeiro encontro. Mas, disse ter expectativa de chegar a uma conclusão até meados de setembro, para que o RH das empresas tivesse tempo hábil de incluir o novo piso e o novo reajuste salarial nas folhas de pagamento. Indagado sobre seu prognóstico a respeito da nova rodada de conversações com os trabalhadores, dado o quadro atual, Teófilo Gomes da Silva Neto, se mostrou mais cético: “Ainda teremos um longo caminho até o acerto final”, encerrou. 

Foto/Destaque: Divulgação

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Anúncio

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Siga-nos

Notícias Recentes

JC Play

Podcast

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email