Negociações do varejo entram em nova fase no interior do AM

As negociações entre patrões e empregados do varejo local entraram em nova fase. Após o acordo celebrado entre o Sindivarejista (Sindicato do Comércio Varejista no Estado do Amazonas) e os trabalhadores de Manaus, é a vez dos comerciários do interior analisarem a contraproposta da entidade patronal. Escaldado por uma negociação mal sucedida no ano passado, que deixou a categoria sem correção salarial, o Sindcomam (Sindicato dos Empregados no Comércio de Manacapuru e Região) garante que fará de tudo para bater o martelo desta vez. 

Há pelo menos dois obstáculos significativos para o entendimento. Ao replicar a mesma dinâmica das negociações com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus, a entidade patronal reforça que a fragilidades financeiras das empresas decorrentes de seis meses de fechamento impostos por duas ondas intercaladas da pandemia não permitem correção salarial pela inflação ou negociações que vão além das clausulas econômicas. Já os comerciários do interior também usam a pandemia como argumento para rejeitar reajustes abaixo do INPC, além de reivindicar planos de saúde e seguros de vida.

A data-base das categorias ligadas ao comércio do Amazonas já é em 1º de setembro, mas a maior parte das negociações segue na fase embrionária. Também estão em convenção coletiva os trabalhadores do SINDECVARGAM (Sindicato dos Empregados no Comércio Varejista, Atacadista e Representantes de Gêneros Alimentícios de Manaus) e do Sindicargas-AM (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Cargas do Estado do Amazonas). Os primeiros devem ter proposta analisada em assembleia patronal, marcada para a próxima quarta (18), enquanto os segundos ainda não apresentaram suas demandas.

Em sua proposta inicial, o Sindcomam pediu correção salarial geral de 8%, a título de reposição do INPC – embora o indicador do IBGE já tenha pontuado 9,85% anualizados, em julho. Os índices seriam tanto para o piso – que iria para R$ 1.250, a partir de 1º de setembro deste ano–, quanto para os vencimentos mensais de quem já ganhava mais do que isso. Neste caso, a correção ser daria sobre os salários “percebidos em 1º de setembro de 2019”, dado que a categoria está há dois anos se reajuste. A contraproposta do Sindivarejista, entretanto, prevê correção de 4,76% para ambos.

“Realidades distintas”

Além de reforçar que as empresas estão “descapitalizadas” por terem passado meses de custos fixos sem o contraponto do faturamento, o presidente do Sindivarejista, Teófilo Gomes da Silva Neto, ressaltou que o Sindcomam tem abrangência territorial “enorme” no Estado, ao mesmo tempo em que contempla municípios com “realidades distintas” – especialmente econômicas. Ele dá como exemplo o fato de que a sede A sede do sindicato dos trabalhadores ficar em Manacapuru próxima de Manaus por via terrestre, quando “inúmeros outros municípios” são acessíveis apenas por vias aérea ou fluvial.

“Propomos, então, uma convenção mais simples, que possa ser entendida pelos empregadores. Em um primeiro momento, oferecemos o mesmo piso salarial e correção da capital. Quanto às demais cláusulas, propomos manter as existentes, que já foram debatidas em convenções passadas. Nossa expectativa é que o [sindicato] laboral entenda a realidade que o varejo está vivendo, depois das paralisações em razão da pandemia”, asseverou. 

Teófilo Gomes da Silva Neto informa que não foi possível assinar aditivo à convenção atual, cuja vigência se encerra no próximo dia 31, em razão de “exigências do laboral” que não foram aceitas pelo patronato. O presidente do Sindivarejista destaca que a proposta dos trabalhadores do interior tem cláusulas que “jamais foram incluídas” em propostas de outros sindicatos, sendo “inexequíveis” para o porte e condições das empresas do interior. 

“Interior com plano odontológico, plano de saúde, seguro de vida, entre outras coisas… Também propomos que o acordo tenha vigência para as sedes dos municípios com população acima de 30.000 habitantes. Enviamos nossa contraproposta e aguardamos resposta. Esperamos compreensão do laboral, para avançarmos nas negociações. Acredito que até o final da próxima semana receberemos uma manifestação deles”, ponderou.

“Aumento pequeno”

Já o presidente do Sindcomam, Elisson de Souza Araújo, confirma que entidade já recebeu a contraproposta patronal, mas ainda “não fechou”, em virtude justamente de as cláusulas econômicas estarem abaixo do INPC acumulado. O dirigente avalia que o aumento é “pequeno” em relação a inflação do período e diz que vai aguardar o “chamado” do Sindivarejista para um retorno à mesa de negociação para discutir a minuta.

Indagado se o acordo fechado pelos comerciários da capital, em moldes semelhantes aos propostos agora pelo Sindivarejista, poderia reduzir a margem de negociação da categoria no interior, o sindicalista ressaltou que se faz necessário fechar “conforme os índices de crescimento” – referindo-se ao desempenho de vendas do setor. Araújo argumentou ainda que o acordo com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus não poderia ser usado como parâmetro, já que o SINDECVARGAM “ainda não fechou” com as empresas também. Mas, garante que os trabalhadores não ficarão sem reajuste.

“Eles deixaram a categoria do interior sem aumento. Neste ano, não vai acontecer de novo, porque iremos fazer de tudo para fechar, ainda mais que teve crescimento. Os itens da cesta básica ficaram mais caros em todo o Estado, não apenas na capital. Se tudo subiu de preço no país, por que o salário da categoria não pode aumentar? Eles disseram, no começo deste ano, que iríamos negociar esse aumento do ano passado também, que não teve. Vamos ver na reunião o que vai acontecer. Vou aguardar eles nos chamarem para a negociação”, encerrou.

Foto/Destaque: Divulgação

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