‘Não serei candidato a prefeito’

O senador Plínio Valério (PSDB/AM) espera o retorno das sessões presenciais no Senado Federal, para defender projeto seu, de taxar grandes fortunas brasileiras, como forma de alavancar a economia brasileira, no período pós-pandemia e corrigir distorção histórica da carga tributária, a qual, segundo ele, proporcionalmente, a parcela mais rica da população paga menos imposto que os demais brasileiros. Senador eleito pelo Amazonas em 2018, com 834,8 mil votos, dos quais 635,8 mil foram conseguidos em Manaus. Nesta entrevista exclusiva ao JCAM, além do projeto de taxação de grandes fortunas, o parlamentar se posiciona também sobre as eleições municipais, na qual defende que seu partido tenha candidatura própria,  momento atual da democracia brasileira e retomada da economia no período pós-pandemia.  

JCAM: Como o senhor analisa o momento atual da República brasileira. Há possibilidade de um golpe de Estado?

PV : Vivemos um momento delicado. Temos um presidente que por não ter “papas” na língua, fala muita coisa indevida. Temos em governo federal, cheio de militares, para causa a impressão de que os militares estão atentos ao momento. Eu não vejo perigo para a democracia, pelo momento, pelas circunstâncias. O Brasil não é a Venezuela. Se houvesse um golpe no Brasil, e os Estados Unidos ficassem ao lado do Bolsonaro, você teria no outro lado a Rússia e a China e vice-versa. Não tem como ter golpe. Essa ideia de que pode tem um golpe, causa instabilidade. O Brasil foi o único país em que a pandemia virou motivo político. Não acredito em golpe, mas vivemos um momento delicado. 

JCAM: O Senhor falou sobre o número substancial de militares ou ex-militares ocupando postos dentro do governo militar. Isso é preocupante?

PV: Quando o general Heleno fez aquela carta ( a qual o general Augusto Heleno fez comentários sobre a possibilidade de apreensão, pelo STF, do celular do presidente Bolsonaro), eu disse nas redes sociais, que o general Heleno teria que entender que o governo não é um quartel.  O militar que vai para o governo. O militar reformado não é mais militar, foi reformado. Então um general reformado falando, não representa o exército. Ele é um ex-militar. Assim, enquanto eles não entenderem que aquilo não é um quartel, nós vamos ter problemas. Mas quanto a uma intervenção militar, não tenho nenhum medo. Os militares não querem isso. A experiência dos militares não foi boa. Tanto não foi boa que eles entregaram (o poder). Mas vivemos um momento muito delicado, causado pelos “cabeças” do Executivo e do Judiciário. O Congresso tem apagado muito fogo.

JCAM: Quais são os pontos mais frágeis da democracia brasileira?

PV: Os poderes na democracia devem estar em equilíbrio, sempre. Então enquanto o Bolsonaro não entender que ele não pode aparelhar e mandar no Supremo. Enquanto o Supremo não entender que não pode legislar, ao invés do Congresso. Enquanto o Congresso achar que pode amordaçar o presidente, a democracia vai estar em perigo sempre. Sempre vai ter alguma coisa errada. As coisas só funcionam se os poderes se respeitarem entre si, que é o diz a democracia, que é o diz a Constituição. E como o Congresso tem se posicionado como apagador de incêndio? As grandes pautas são decididas lá (no Congresso) e, nós temos votado absolutamente tudo o que é bom para o Brasil.

JCAM: Qual é o seu pensamento sobre as eleições municipais em Manaus?

PV: O PSDB tem o prefeito de Manaus. Então tem a obrigação, até para dar continuidade ao trabalho do prefeito Arthur, de apresentar um candidato do PSDB. Acho que o PSDB não tem que estar a reboque. Acho que só estaria a reboque se não tivesse o prefeito. Se o Arthur estiver preocupado, e está, na continuidade do que ele chama de bom, do seu trabalho. Ele tem que se preocupar em eleger um sucessor. Não sei quem, mas vamos tem que conversar sobre isso. 

JCAM: Se solicitado pelo seu partido, o senhor será candidato a prefeito de Manaus?

PV: O que eu posso dizer é que não serei candidato a prefeito em hipótese alguma. Morreu o assunto. Defendo que o PSDB tenha. Acho que será novamente uma eleição polarizada. Devem disputar dois ou três candidatos. Infelizmente vai ser assim. 

JCAM: Qual a sua posição quanto a data das eleições municipais?

PV: Sou favorável ao adiamento. Creio que é o que vai prevalecer é a corrente do adiamento para dezembro. Eu sou favorável a isso. Não concordo para prorrogação do mandato. Prorrogar mandato é mais complicado, porque tem que ter emenda constitucional. Contraria a vontade o eleitor, que nos deu mandato determinado de quatro anos, oito anos. Portanto, um dia a mais contraria a vontade do eleitor. É um negócio ilegal e inadequado. Sou pelo respeito às regras da votação lá atrás.

JCAM: Tendo em vista que a economia nacional sairá fragilizada depois da pandemia Covid-19. O senhor trabalhará em que sentido, com objetivo de contribuir para alavancar a economia? 

PV: Os auxílios financeiros emergenciais são bons, mas são momentâneos. Temos que gerar emprego. Temos que injetar dinheiro na construção civil. Temos que aproveitar para botar leis que funcione para a próxima pandemia. Nesse mundo moderno infelizmente teremos outras. Neste momento, nosso principal problema é emergir da pandemia. Mas, botou a “cabeça” fora é trabalho. Temos que trabalhar a reforma tributária. Amenizar e muito a carga tributária sobre alimentos, sobre o consumo. Isso é mais importante do que aumentar salário. Se diminuirmos a carga tributária, que é horrorosa, em cima da alimentação, vamos estar ajudando, e muito. Pode não sobrar dinheiro. Mas a pessoa não mais vai gastar 50% de sua renda com alimentação. 

JCAM: Com relação à reforma tributária, qual é o seu pensamento para  minimizar a carga de impostos, principalmente de grande parte da população?

PV: Tenho um projeto no Senado (PLP 183/2019), cuja proposta é taxar as grandes fortunas, amenizar a carga tributária sobre alimentos e incentivo à construção civil como forma de geração de empregos. Só estou aguardando o retorno das sessões no Senado Federal para defender essa proposta, que se aprovada, deve injetar R$ 36 bilhões por ano na economia nacional. Vejo como uma proposta razoável. Recentemente o ex-ministro da Fazenda Maison da Nóbrega fez um artigo defendendo que os ricos têm que pagar mais impostos que os pobres. Vi também o presidente do Bradesco dizendo o mesmo. Eu venho dizendo isso desde meados de 2019. Meu projeto está pronto para ser votado. Isso me irrita com as sessões remotas, porque não pautam esse meu projeto que é para taxar as grandes fortunas. A Argentina vai fazer isso agora. O Congresso deles adotou a ideia e o presidente já assumiu. Eles vão chamar os ricos para colaborar. Vão criar um fundo para a saúde e um fundo para o trabalhador. Nesse nosso projeto que foi relatado pelo Major Olímpio, que colocou validade de dois anos, cria-se dois fundos um para saúde e outro de amparo ao trabalhador. Serão R$ 36 bilhões por ano pra cuidar disso”, garante.

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