Não há sustentabilidade sem esclarecimento espiritual…

Enquanto estivermos neste planeta, precisaremos consumir bens e serviços porque, na sociedade em que vivemos, não produzimos individualmente tudo o que precisamos para nossa subsistência. Há uma interdependência entre todos nós, cada um produzindo parte dos bens e serviços necessários, para o conjunto da sociedade. Contudo, será que consumo é o mesmo que consumismo? Na verdade, são coisas diferentes. Consumismo é quando situamos a nossa preocupação no consumo, fazendo dele o centro dos nossos interesses. O consumismo vai além do que é necessário.

Está relacionado com a moda, com o impulso de comprar, com o desejo de possuir bens materiais, com a vontade de mostrar esses bens a outras pessoas. Também, à forma como usamos nossos recursos e nossos pensamentos para a aquisição de bens materiais. Lembremos que somente nos pertence, verdadeiramente, aquilo que nos é dado levar deste mundo. Portanto, não temos a propriedade dos bens terrenos, somos somente seus usufrutuários. Isso nos diz, que devemos usar da melhor forma possível esses bens, analisando as razões que nos levam a adquiri-los. Necessário também repensar os efeitos desses bens para a coletividade, inclusive refletindo sobre as condições de trabalho em que eles são produzidos.

Afinal, a propriedade só é legitimamente adquirida quando, da sua aquisição, não resultar dano para ninguém. Dessa forma, cabe-nos igualmente, responsabilidade a respeito. Por fim, sirvamo-nos do que nos seja necessário. Fora disso, reeduquemos e contenhamos nosso consumismo. Reaprendamos a comprar, a adquirir, agindo menos por impulso e por ideias alheias. E nos empenhemos em fazer prosperar em nós os bens que tenham a ver com as aquisições da alma, isto é, a inteligência, os conhecimentos e as qualidades morais. São esses valores que levaremos conosco para a vida futura. Eles nos proporcionarão o desenvolvimento e o progresso, além de contribuir para a melhoria da vida em sociedade. Enfim, trata-se de trabalharmos para aquisição da verdadeira propriedade, fundamentada na realidade transcendente, que o Racionalismo Cristão enfaticamente defende. 

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