15 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Época de Natal e final de ano. Muitas pessoas viajando para passar as festas em família. É possível que mais da metade da população manauara não tenha nascido na cidade. Muitos são do interior do estado. Há milhares que são brasileiros de outras unidades da federação. Além dos muitos estrangeiros. 

 Boa parte desse pessoal sai da cidade por via aérea. Mas há muitos amazonenses que vão visitar seus parentes no interior do estado viajando nos famosos barcos chamados de motor de linha. Viajar de “motor” precisa ser caboclo raiz. Os barcos levam horas e até dias para chegar ao destino. Além de gostar de “bolacha de motor”, o caboclo tem que ter “know how” em viagens pelos nossos rios.

Tenho um amigo, o qual chamarei de Messias, para evitar constrangimentos. Pois bem, quando jovem, o repórter Messias foi escalado para cobrir o Festival de Parintins. Recebeu um “voucher” do jornal. Viajaria num “motor de linha”. Era sua chance de deslanchar na carreira de repórter. O barco sairia as seis horas de Manaus com destino a Ilha Tupinambarana. Messias chega para embarcar por volta das cinco e meia. Entra no barco, achando que era o mesmo sistema de avião de carreira e pergunta:

– Qual o número de minha rede?

O comandante, um prático que havia sido fuzileiro naval e agora era armador, mas não de redes, estranhado a pergunta; respondeu logo:

– Tu não tens rede? Messias assustado, respondeu:

– Pensei que vocês forneciam. Então vou correndo comprar uma.

-Não vai dar tempo, o barco sai daqui a quinze minutos.

Messias pensou rápido e resolveu ficar. Mesmo sem rede. Não poderia perder aquela oportunidade profissional. Cobrir o festival. Se não fosse o que diria na redação? Que explicação daria para o editor chefe do jornal? Não havia mais vaga em nenhum outro barco. Era ir ou ir. E ele foi.

Para relaxar foi logo para o bar do “motor” tomar uma cervejinha. O fotógrafo que o acompanhava não parava de rir do pobre Messias. Sentia muito, mas não iria dividir a rede com ele. Nem Messias queria. Ambos grandes e fortes

‘ Messias era recém casado. Tinha uma esposa linda. Mesmo assim se engraçou por uma caboquinha com olhar assustado e de peixe morto. Resolveu pagar uma cerveja para ela. E engataram um namoro de viagem.

Ao chegar em Parintins e fotógrafo foi logo comentando.

– Rapaz tu arrumaste uma caboquinha bem feia, mano velho.

-Feia, mas tinha rede, retrocou Messias.

Atenção, se você for viajar de motor de linha nesse final de ano, não esqueça sua rede.

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