Na ONU, Lula defende reforma do FMI e atuação do Estado contra crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quarta-feira que é “imprescindível” que os países façam uma “refundação da ordem econômica mundial” para tirar a economia global da recessão.
Ele defendeu ainda uma reforma no FMI (Fundo Monetário Internacional) e no Banco Mundial e criticou a atuação dos mercados que pretendiam dispensar a regulação do Estado.
O presidente destacou, no discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que o Brasil foi um dos últimos países a sentir os efeitos da crise global e um dos primeiros países a sair dela, mas enfatizou que “não tem ilusão” de que o país possa resolver a crise sozinho. “A economia mundial é interdependente. É imprescindível refundar ordem econômica mundial”, afirmou Lula.

Reforma do FMI

O presidente Lula falou também da proposta brasileira de reforma dos órgãos financeiros multilaterais. “Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do FMI e do Banco Mundial”, afirmou. “Sem isso, não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis”. Lula afirmou que, com a crise, “o que caiu por terra foi toda uma concepção econômica politica e social que subjugou o mundo”. Ele chamou de “doutrina absurda” a ideia de que os mercados podiam se autorregular, considerando as intervenções dos governos nos mercados “um grande estorvo”.
“O enfrentamento da crise e a correção de rumo da economia mundial não poderiam ficar apenas a cargo dos de sempre. Os países desenvolvidos e os organismos multilaterais onde eles eram hegemônicos foram incapazes de prever a catástrofe que se iniciava e muito menos de preveni-la”, disse. O presidente disse que não há uma clara disposição para “enfrentar as graves distorções da economia mundial”, e destacou as “resistências em adotar mecanismos de regulamentação dos mercados financeiros” e em realizar reformas em órgãos multilaterais.

Discurso polêmico

O fala do dirigente líbio, Muammar Gaddafi, que discursa pela primeira vez na entidade pode provocar reações inflamadas nos EUA, onde parentes de vítimas do atentado aéreo de 1988 em Lockerbie se queixam da recente libertação pela Escócia de um líbio condenado por envolvimento no crime. Já o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, deve fazer o contraponto mais incisivo ao pronunciamento de Barack Obama. Teerã retomará em outubro as negociações com as potências mundiais para suspender seu programa de enriquecimento nuclear.
No entanto, recentemente Ahmadinejad repetiu que a República Islâmica jamais abandonará seu programa nuclear, e voltou a dizer que o Holocausto foi uma mentira, o que levou a Alemanha a ameaçar abandonar o plenário da Assembleia Geral caso ele repita isso mais uma vez no seu discurso.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email