Músicas inéditas de Cláudio Santoro

Os apaixonados por música erudita, e mais ainda pela obra de Cláudio Santoro, têm um compromisso para este domingo, 28, à tarde, às 16h, quando será exibido um documentário no qual é mostrado os bastidores da produção de um CD, pelo violoncelista Hugo Pilger e pelo pianista Ney Fialkow, com a obra integral para violoncelo e piano do maestro amazonense. Para completar, constam no CD quatro obras de Santoro nunca antes gravadas.

“Há algum tempo acalentava a ideia de fazer um CD junto com o Ney. Em 2016 estava na Rádio MEC, no Rio, no programa ‘Música e Músicos do Brasil’, que estava sendo ouvido pela Sônia, filha do Santoro. Ela entrou em contato com um amigo em comum e disse que queria gravar a obra do pai. Topamos na hora e mergulhamos no projeto de forma muito intensa”, lembrou Hugo.

Em 23 de novembro do ano passado, se vivo estivesse, Cláudio Santoro teria completado 100 anos. Ele morreu em 27 de março de 1989, em Brasília, enquanto regia o ensaio geral do primeiro concerto da temporada. Três décadas depois e obras nunca antes gravadas do compositor ainda estavam por ser descobertas.

“Quem gerencia o catálogo de Santoro é seu filho, Alessandro. Somente depois que gravamos e pesquisamos as músicas, foi que descobrimos serem quatro inéditas, confirmado pelo Alessandro. Isso é muito importante não só para os músicos do Brasil, mas para os do exterior também, que agora terão a oportunidade de estudar esse material”, comemorou Hugo.

Músicas e imagens

O CD foi gravado em outubro de 2019 e a última parte em fevereiro deste ano, nos estúdios da Visom, no Rio. O lançamento começaria pela sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, passaria por Porto Alegre encerrando em Manaus, mas tudo teve que ser suspenso devido à pandemia.

“Aí tivemos a ideia de filmar depoimentos das pessoas que participaram de todo o projeto, gravados nas suas casas: o Alessandro Santoro; o dono do estúdio; o engenheiro de som; a Thaís, que criou a arte da capa do CD; O Léo, que fez as fotos; o Cesar, que escreveu os textos; o André, que os traduziu pro inglês; depoimentos meus, do Rio; e do Ney, em Porto Alegre, apresentando as obras e um pequeno trecho de cada música”, listou.

“Ficou um vídeo bem variado, leve de se assistir, pois pensamos em fazer algo talhado ao momento mais pesado dessa pandemia, com o intuito primordial de divulgar o trabalho primoroso deste genial compositor, de uma forma fluida e dinâmica”, completou Ney.

“Cláudio Santoro é um compositor muito importante, que se insere entre os grandes compositores eruditos do mundo. No exterior ele é bem mais reconhecido do que no Brasil. Um projeto dessa natureza dá um foco para a obra de Santoro, e logo começará a trazer frutos depois que muita gente do outro lado do mundo concluir que não sabia ter ele composto tudo isso para violoncelo”, falou Hugo.

“Ainda há uma necessidade de o artista ser enaltecido no Brasil somente após seu reconhecimento no exterior, como no caso do Villa-Lobos, o que é algo que ainda nos deixa numa situação de colônia. O Brasil possui grandes compositores vivos e já falecidos que não têm o destaque que merecem. Por isso nos sentimos muito honrados em poder contribuir para a difusão de uma obra grandiosa que estava dormente, injustamente”, completou Ney.

Opiniões

Hugo Pilger

Doutor em Música pela UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), Hugo Pilger iniciou seus estudos de violoncelo na Fundação de Artes de Montenegro (Fundarte-RS) com Milton Bock. Em 1987, passou a estudar no Rio de Janeiro com Marcio Malard, e em 1994, na classe do professor Alceu Reis, formou-se com nota máxima no curso de Bacharelado em Instrumento Violoncelo da UniRio, instituição na qual concluiu seu mestrado em Música, em 2012, e doutorado em Música, em 2015.

“O diferencial de Santoro é a intensidade com que compôs, não importando o veículo que usou, nem os processos, sempre foi muito intenso. Tem a impressão digital estampada na sua obra, o que é difícil para um compositor. Ele é peculiar. Se percebe tremenda facilidade de manipular o material que tem em mãos. É um virtuose. Em mais de 30 anos de carreira, nunca tinha ouvido tocar uma sonata de Santoro num recital. De cara, gravei quatro”.

Ney Fialkow

Premiado em diversos concursos, destacando-se o cobiçado título de melhor pianista do VII Prêmio Eldorado de Música, em São Paulo, o pianista Ney Fialkow é hoje um dos destacados músicos do cenário nacional. Concilia uma movimentada carreira de solista e camerista com a atividade de professor titular do Departamento de Música Instituto de Artes Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre. Tem cativado plateias de diversas salas de concerto no Brasil e no exterior, sendo suas masterclasses apreciadas por jovens pianistas de diversos países.

“Cláudio Santoro é o compositor das ideias intensas. Ele mergulha fundo em suas convicções estéticas, tendo transitado por diversas tendências. Soube manejar forma, conciliar suas ideias com o idioma dos instrumentos, escrevendo uma música desafiadora, mas factível de ser executada. A escuta de Santoro toca na pele e na alma. É uma música instigante, altamente expressiva e profundamente humana”. 

Onde ver, onde comprar

O documentário irá ao ar no canal do violoncelista Hugo Pilger (https://www.youtube.com/hugopilger).

O CD físico já está disponível na Loja Clássicos (bit.ly/lojaclassicos) e, após o documentário, estará disponível nas plataformas de streaming. Com 77 minutos, o álbum reúne obras que datam de 1943 até 1982.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email