Mundo infantil se modernizou

Qual a criança que nunca teve vontade de ter a mesma roupa de seu personagem favorito? Ou simplesmente ser amiga dele e fazer parte daquele mundo mágico? Pois é. Todas já sonharam com isso em algum momento. E, hoje, a tecnologia ajuda a trazer esse mundo para dentro de casa. Com efeitos 3D e interatividade dos consumidores, plataformas online – e mesmo peças de teatro – vão além do entretenimento imediato.

Uma das grandes características das crianças de hoje é a conexão – em todos os sentidos da palavra. Sim, internet é muito importante para eles, mas a ideia de criar um grupo onde eles possam compartilhar suas fotos, dancinhas do TikTok e vídeos contando sobre o dia a dia é supernatural. “Quando falamos em cibercultura falamos necessariamente em ciber-sociabilidades. Ou seja, em novas formas de socialização que surgem quando nos conectamos a um ciberespaço. Esse conceito sugere a mútua dependência entre comunicação e cultura”, explica a pesquisadora de cultura digital, comunicação e educação Juliana Caetano.

Segundo ela, dar essa importância não significa ter um olhar negacionista para as questões que envolvem o uso exacerbado das tecnologias digitais. “É condição para se conectar bem saber o que faz mal. E isso deve ser um objetivo da educação”, explica.

Com base nesse conceito, a Netflix lança a Estação N – A Feira de Ciências da Netflix, canal online gratuito cheio de atividades inspiradas nos títulos infantis mais famosos do streaming. A ação, disponível em estacaon.com.br,

não tem data de encerramento prevista. De acordo com a comunicação da empresa, tudo depende de como o público irá abraçar a novidade – pelo menos até o fim do mês, o canal poderá ser acessado em todo o Brasil, com atividades para crianças a partir de 2 anos.

O lançamento ocorre também um mês antes de a plataforma Disney Plus chegar no País – o que resultou na saída de títulos da Pixar e da Marvel da Netflix. A empresa, contudo, diz que a novidade não seria uma resposta à concorrência, mas sim a continuação dos investimentos que vem fazendo, nos últimos anos, em conteúdo infantil. Um exemplo é o lançamento da animação do Menino Maluquinho, personagem criado pelo cartunista Ziraldo, prevista para 2021.

O clima de ciências da Estação N teve inspiração no filme A Caminho da Lua, que estreia dia 23. Nele, a protagonista Fei Fei viaja até o espaço com um foguete, construído por ela mesma, à procura da deusa da lua. A história, inspirada em uma lenda chinesa, é assinada por Glen Keane, criador de Pocahontas, Tarzan e Enrolados. Para comemorar, no dia da estreia, uma surpresa ocorrerá no planeta correspondente.

Ao todo, são 12 mundos para as crianças explorarem dentro da estação. Cada um deles inspirado em um título original Netflix, com jogos e atividades criados dentro do contexto de cada série. Para receber as crianças, cada mundo terá o seu próprio guia, que também ensinará uma atividade. No Enola Holmes, por exemplo, a atriz e TikToker Van Bonandi ensina truques de mágica que envolvem física.

Esse foi o planeta que Catarina Jorge Ramos, de 6 anos – convidada a testar a plataforma -, mais gostou. “Eu adoro a Enola porque eu gosto da Millie Bobby Brown (atriz que faz o filme) “, conta ela que, apesar de gostar do título, achou os jogos difíceis. Isso porque o filme foi pensado para crianças mais velhas. Mas de acordo com Cat, isso não existe mais. “Quem quiser assistir, assiste.”

Outro convidado a testar a plataforma, Vinícius Gonçalves da Silva, de 9 anos, disse que essa história de definir idade “não tá com nada”. O planeta favorito dele foi o de Super Monstros em Ação, focado em crianças menores que ele. “Eu gosto muito de música e também já assisti a série”, conta ele, que, assim como Catarina, testou os jogos em diferentes plataformas. Ambos disseram que a melhor maneira de mexer é pelo computador. “Você coloca o fone e parece realidade virtual”, diz Vinícius.

Apesar do clima místico da nova plataforma, nem tudo é ciência. Para o público mais novo, a família dos Grandes Pequeninos ensina tudo sobre música no planeta Motown Magic. “A música comunica de uma forma diferente, mais intensa”, opina o músico Jair Oliveira que, junto com as duas filhas e a esposa Tania Khalill, oferece conteúdos para crianças e famílias em suas redes sociais. “Não foi à toa que a Netflix chamou a gente, porque eu sei o quanto essas músicas tocaram a minha infância. Teve uma identificação imediata”, diz ele sobre a trilha sonora da série, que inclui Michael Jackson, Marvin Gaye e Stevie Wonder.

Seja respondendo como pais ou como artistas, para eles é importante a ludicidade e a união da família, especialmente em tempos de pandemia. “Hoje em dia, a gente entende que a forma que as crianças se comunicam é gerando e criando mais conteúdos”, conta a atriz Tania Khalill.

Também focado em música, o planeta Julie and The Phantoms tem como anfitriã Larissa Manoela, que propõe um desafio de dança com direito a hashtag para ser compartilhado nas redes. “O que integra e conecta com as pessoas é o que faz a diferença. Hoje em dia, o consumo de entretenimento, especialmente no audiovisual, passa por esse lugar. É a tal da experiência, da vivência que podemos ter e guardar na nossa memória”, conta ela.

Mão dupla

Jane Duboc, idealizadora da peça digital do Teatro Porto Seguro Ilustre Criança – Desenhando A Canção, descobriu na pele a parte boa da socialização digital. “A criançada está muito acostumada a receber desenhos prontos. Então, o que a gente está tentando fazer é humanizar tudo isso”, diz ela sobre a atração, realizada por meio do aplicativo Zoom. Lá, todas os convidados fecham suas câmeras e microfones e assistem a um “programa feito ao vivo”. Ou, pelo menos, foi essa a definição do diretor Fernando Cardoso. “Não posso te dizer que é teatro ou televisão… é uma coisa nova, um produto feito para internet, muito especial. Eu não conheço nada parecido.”

Durante 20 minutos, Jane narra a história do dia, ao mesmo tempo que o ilustrador Alexandre de Nadal mostra os desenhos e o músico Junior Lobbo faz a trilha sonora e a sonoplastia do desenho ao vivo. Nos minutos restantes, as câmeras são abertas e as crianças compartilham seus desenhos. “Nosso aplauso é a criança justamente mostrar o resultado”, conta Fernando, que, assim como Jane, hesitou em acreditar na alta participação dos pequenos. “Eu imaginava que seria algo para crianças de 2 a 7 anos. Mas eu estou vendo gente de 10, 11 participando e curtindo muito. E também tem bebê, de um aninho, em pé, de fralda, que tenta participar. E isso é uma maneira de se expressar e se relacionar”, diz Jane.

Quando a peça termina no online, é possível fazer a solicitação do livro de colorir com os personagens principais e receber parte do universo lúdico na sua casa. Ilustre, que terá uma apresentação hoje e outra em 12 de outubro, às 16h, traz histórias sobre diversidade, bullying e sustentabilidade.

Artur Ávila Mendonça, de 9 anos, ficou encantado pela peça. “Eu assisti duas vezes, mas, na minha cabeça, ela passou muitas e muitas mais vezes, e olha que eu nem sou de lembrar muito das coisas, só quando eu gosto muito”, diz ele, que adorou a parte de desenhar. “Estou pensando em mostrar a minha obra-prima no meu próximo vídeo”, conta, se referindo ao seu canal de YouTube.

O mundo digital é inerente às crianças de hoje. Seu uso e seu domínio, seja pelas redes sociais ou pelos jogos, é algo natural. No entanto, de acordo com a pedagoga Ingrid Moraes, o contexto criado é muito importante para incentivar o bom uso. “O brincar faz parte da infância. Então, quando trazemos esse brincar em um novo cotidiano para os meios digitais, que já é tão presente na vida das crianças, conseguimos um engajamento maior.” As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

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