Mulheres são as principais vítimas de violência doméstica no Amazonas

Pelo menos 18,4% da população do Amazonas com 18 anos de idade ou mais – o equivalente a 489 mil pessoas – já sofreu algum tipo de ato de violência, seja ele de natureza psicológica, física ou sexual. É um percentual próximo ao da média nacional (ou 18,3% 29,1 milhões), mas acima do registrado em Manaus (16,7% ou 258 mil). Os dados estão na PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) 2019, realizada e divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os alvos preferenciais dos agressores, no Amazonas, ainda são as mulheres (19,3% ou 264 mil), em detrimento dos homens (17,4% ou 224 mil), e 94,5% dos casos foi de natureza psicológica (462 mil), enquanto a violência física se restringiu a 4,3% das ocorrências (115 mil). Para 5,3% das vítimas (141 mil), a violência foi sexual – com destaque novamente para o contingente feminino (119 mil) sobre o masculino (22 mil). O estudo aponta ainda que 8,5% dos amazonenses (43 mil) deixaram de realizar atividades em razão de terem sofrido agressão. 

Mais pessoas jovens (de 18 a 29 anos) sofreram com a violência do que idosos (60 anos ou mais), com fatias de 27,6% contra 7,7%, respectivamente. Por cor ou raça, um percentual maior entre os afrodescendentes (20,3% ou 27 mil) e e os “pardos’ (18,3% ou 371 mil) – grupo no qual o IBGE inclui indígenas e pessoas de etnia mestiça – sofreu atos de violência no Amazonas, em comparação às pessoas “brancas” (15,7% ou 69 mil). 

Os grupos com renda mais baixa apresentaram maior grau de vulnerabilidade, com destaque para aqueles que contavam com ganhos de até um quarto de salário mínimo (21% ou 86 mil), de um quarto a meio mínimo (20,3% ou 138 mil), enquanto amazonenses com rendimento acima de cinco mínimos representaram 15,8% das ocorrências (11 mil). A proporção também foi significativamente maior dentro dos grupos de pessoas que estavam desempregado (27,2% ou 40 mil) do que entre os que contavam com atividade remunerada (18,7% ou 304 mil).

Em âmbito nacional, os números das vítimas com renda até um quarto do mínimo (22,5%) também bateram os dos que ganham cinco salários (16,9%). “Há incidência maior de violência entre pessoas com domicílios com menor rendimento. Mas não podemos fazer uma correlação entre pobreza e violência, pois há outras questões envolvidas como a cultural, o machismo e o racismo”, relativizou a analista da pesquisa, Flavia Vinhaes, ao comentar os dados nacionais da sondagem, em texto veiculado pela Agência de Notícias IBGE.

Medo e hematomas

Para as vítimas de violência psicológica, as principais consequências na saúde foram medo, tristeza desânimo, dificuldade para dormir, ansiedade e depressão (47,7%). Quem sofreu agressões físicas também sofreu danos psicológicos (77,6%), além de hematomas, cortes, fraturas e queimadores, entre outras lesões (33,7%). Os respectivos percentuais foram de 60,2% e de 19,4% para quem sofreu violência sexual – que também relataram casos de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (5%). 

No Amazonas, foi estimado que 43 mil pessoas deixaram de realizar suas atividades habituais em decorrência de agressões, o que representa 8,8% das vítimas de violência no Estado, seja psicológica, física ou sexual. Novamente, as vítimas preferenciais são mulheres (11% ou 29 mil), foram mais atingidas do que os homens (6,2% ou 14 mil), respectivamente. 

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressalta que são vários os tipos de violências classificadas na pesquisa e que o percentual de pessoas atingidas no Amazonas está dentro da média nacional, “infelizmente muito alta”. Da mesma forma, o pesquisador reforça que o número de pessoas envolvidas nos casos de violência é crescente, afetando em maior proporção as mulheres, e de forma significativa as atividades de quase metade das vítimas contabilizadas pelo estudo. 

“Quando a pesquisa detalha os tipos, surge a violência psicológica como a mais usual. Já a violência física, embora mais conhecida, tem um percentual menor de pessoas atingidas. No entanto, em números absolutos, alcança 115 mil pessoas no período de um ano. A violência sexual alguma vez na vida, atingiu 141 mil pessoas. Os resultados mostram uma das maiores mazelas da nossa sociedade”, encerrou.

O perigo dorme ao lado

Na média nacional, companheiros, ex-companheiros, namorados e ex-namorados ou parentes foram os principais agressores das mulheres que sofreram violência física (52,4%), psicológica (32%) e violência sexual (53,3%), sendo que as ocorrências são mais frequentes na casa da vítima. Já entre os homens, os casos mais comuns são agressões físicas e psicológicas de amigos, colegas, vizinhos ou desconhecidos, e especialmente na rua. O levantamento não traz um recorte regional sobre o quesito.

“O tipo de agressão e o local onde ela ocorre são informações que conversam entre si; como o agressor da mulher é o companheiro, ex-companheiro ou familiar, consequentemente, o domicílio acaba sendo o principal local da agressão; enquanto no caso dos homens a violência é mais alta fora do domicílio, embora a agressão psicológica a homens seja relativamente alta dentro do domicílio”, assinalou o analista da pesquisa, Leonardo Quesada, no texto veiculado pela Agência de Notícias IBGE.

Foto/Destaque: Divulgação

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