Mulher executiva mostra sua competência

A jornada diária da mulher no mercado de trabalho se torna mais intensa quando assume cargo de direção, principalmente no ramo industrial, setor ainda dominado pela ala masculina. Focar a atenção naquilo que faz é a forma encontrada para quem administra uma empresa e ao mesmo tempo precisa dividir a atenção com os filhos, marido e estudos. A mulher conseguiu se adaptar à nova realidade, onde ela também tem que garantir o sustento da família, pois não mais o homem é o único responsável para tal fim.
A diretora administrativa da Wallen – Usinagem e Ferramentas de Corte, Izabel Leal, que comanda uma equipe de 78 funcionários, em sua maioria homens, disse que não se vê como dona de casa. Estudante de administração do Uninorte, a dirigente conta que trabalha oito horas diárias, vai para a faculdade à noite e tenta correr para casa com o intuito de encontrar o filho de quatro anos acordado, o que nem sempre acontece. Izabel destacou que não abre mão de deixá-lo na escola, pela manhã, porque se torna um momento único, quando ambos conversam e trocam carinho. “Procuro me dedicar 100% a ele quando estamos juntos”, garantiu. 
A Wallen é uma empresa de médio porte, voltada para o polo de duas rodas. Faz serviço de usinagem e fabrica ferramenta de corte -braços, alagadores e fresas- para motocicletas. Izabel está no cargo desde a criação da companhia em abril de 2002. A dirigente conta a seu favor com uma equipe gabaritada, que responde por cada departamento –pessoal (RH), financeiro, contábil, fiscal e de compras. “A empresa já tem definido seus procedimentos e eu direciono as tarefas para que eles cumpram”, admitiu. 
Nos oito anos de existência da Wallen, o pior foi o de 2009. Izabel disse que se pudesse deletaria o ano que passou, porque teve de reduzir seu quadro de pessoal, formado por 150 trabalhadores, no fim de 2008 -quando os efeitos da crise chegaram ao PIM-, para os atuais 78.
Isso ocorreu porque o polo de duas rodas foi o mais prejudicado com a crise global e a empresa é fornecedora de peças para as fabricantes de motocicletas do PIM. “A demanda de pedidos caiu drasticamente. Somente a partir de fevereiro último começamos a ter melhorias”, admitiu Izabel, ressaltando que a empresa hoje trabalha no horário comercial, mas já atuou em três turnos.

Para a executiva, receita para administrar é otimizar tempo

Passados os efeitos da crise econômica e a perspectiva dos bancos começarem a financiar novamente, a Wallen embarca nas previsões de expansão do PIM, que quer crescer 10% em todos os níveis, conforme a superintendente da Suframa, Flávia Grosso. A empresa aposta num incremento de 20% em 2010 ante o ano passado. Izabel contou que está selando uma parceria com empresas fabricantes de bicicletas do PIM, para produzir calota (guidon), cujo produto ainda está em fase de testes.

Conciliar atividades

A receita para administrar a empresa, inclusive tratar com clientes, fornecedores, e ainda se dedicar ao marido -que cuida da parte industrial da empresa-, ao filho e estudar, é saber otimizar o tempo. Izabel disse que quando a pessoa faz o que gosta consegue conciliar atividades e dá conta do recado. A dirigente também faz questão de se trajar com o fardamento utilizado pelos colaboradores da Wallen, jaleco branco.
A dirigente explicou que a empresa preza por não fazer diferença, por isso todos usam fardamento, desde o faxineiro, passando pela portaria, administrativo a alta direção da fábrica, inclusive ela. “Somos uma equipe, ninguém faz nada sozinho, o que exijo é que haja respeito”, assinalou.
Izabel conta que, em seus primeiros anos de trabalho, foi vítima do preconceito machista por parte de alguns funcionários homens que ainda viam a mulher como uma “doméstica”. “De vez em quando, alguns clientes ainda pensam que sou a secretária”, comentou.

Gênero feminino tem participação decisiva na economia

A análise de dados obtidos em cinco fábricas locais de tamanhos e ramos diferentes, levantados com o objetivo de revisitar as tarefas femininas depois da introduçäo de novos campos para as mulheres na indústria e novas tecnologias, conclui que os aspectos apresentados ao longo deste trabalho aponta que a mulher participou ativamente na elevação do nível econômico das cidades na década de 1940. Elas foram de suma importância para que as fábricas chegassem ao potencial que têm hoje.   

Trabalho doméstico

No Amazonas o contingente de trabalhadores domésticos remunerados somava um pouco mais de 80 mil pessoas, das quais 89,98% eram mulheres, conforme dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda hoje, é o segmento que garante a inserção cupacional de 13,76% das mulheres que trabalham. Só é superado pelo setor de Educação, Saúde e Serviços Sociais, que reúne 18,82% das ocupadas, e pelo Comércio, onde estão 17,95% das trabalhadoras.
Devido a características tão particulares, o serviço doméstico no Amazonas não se difere do panorama nacional. Do contingente de mulheres que se ocupavam com serviços domésticos 89,15% eram trabalhadoras domésticas sem carteira assinada. A remuneração média das mulheres também era menor, equivalente a 60% da remuneração média das trabalhadoras domésticas com carteira assinada. Sem contar as dificuldades enfrentadas por essas trabalhadoras no que diz respeito à garantia dos direitos trabalhistas e de proteção social.
A maior parte das trabalhadoras domésticas amazonenses era constituída por mulheres adultas, com idade entre 25 a 49 anos. Em todas as regiões analisadas, mais de 68,49% das ocupadas nos Serviços Domésticos tinham entre 25 e 59 anos, sendo a maior concentração na faixa de 30 a 49 anos

Consumidoras da classe C devem movimentar R$ 160 bi

A população feminina do Brasil está assumindo um papel cada vez mais destacado no desenvolvimento sócioeconômico do país. E as protagonistas dessa tendência são as mulheres da classe C, que, além de cuidar da família, ainda trabalham fora e respondem por 37% da massa de renda total da classe média – montante que deve somar quase R$ 160 bilhões ao final de 2010.
Para o sócio-diretor do instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles, a força da mulher emergente é resultado de uma influência cada vez maior nos processos de decisão. “Esse fato está diretamente ligado à independência financeira da população feminina”, avaliou Meirelles, destacando que 25% da renda familiar da classe A é proveniente da mu­lher, enquanto na classe C essa participação é de 41%.
Atualmente, a classe C tem 94,4 milhões de pessoas –uma fatia de 49,7% da população que movimenta anualmente R$ 428 bilhões. Dentro dessa massa, existem 48,6 milhões de mulheres comprando, estudando, consumindo e ocupando o mercado de trabalho com cada vez mais propriedade.
Para se ter uma ideia, essa mulher da classe C já responde por mais da metade dos clientes de diversos produtos e serviços. Enquanto 59% dos homens da classe C têm cartão de crédito, por exe­mplo, entre as mulheres a penetração é de 62%.
Meirelles revela ainda que esse grupo também representa a maioria dos consumidores dos principais canais de compra no varejo. “Nas lojas de roupas, supermercados e farmácias, elas são 51% do público consumidor. E nos shoppings, há pelo menos 12 clientes mulheres da classe C para cada dez compradores do sexo masculino”, acrescenta.
Esse protagonismo feminino também está ligado à atuação das jovens mu­lheres, que somam quase 8 milhões de pessoas entre 16 e 25 anos na classe C. Desse total, 5,5 milhões estão no mercado de trabalho e 2 milhões estão cursando uma faculdade ou já concluíram o ensino superior. “Números como esses demonstram a força que esse grupo tem para movimentar a nossa economia”, concluiu Renato Meirelles.

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