9 de maio de 2021

Muitos segmentos ainda aguardam abertura maior para as atividades

Anunciada nesta sexta (5), pelo governador Wilson Lima, a extensão dos horários para o funcionamento dos estabelecimentos especializados em alimentação fora do lar permitiu que parte do segmento voltasse a respirar com um pouco mais de folga, graças à redução do toque de recolher, que passa a ser de 21h às 6h, a partir de segunda (8). Parte significativa do empresariado, contudo, entende que ainda há muito a ser feito para a recuperação do segmento, especialmente para os estabelecimentos com vocação noturna e ainda limitados em suas operações.

Os estabelecimentos poderão abrir de 6h às 20h, de segunda a sábado, na próxima semana – e não mais até às 16h. O delivery, que estava autorizado até às 22h, foi liberado para horário integral, enquanto o drive-thru passa a atender de 6h às 20h. A música ao vivo será novamente permitida, desde que com bandas de, no máximo, três integrantes e sem salão de dança. Lojas situadas em praças de alimentação de shoppings funcionarão sob as mesmas condições do setor de restaurantes e não dos centros de compras – que atenderão o publico dos demais segmentos de 10h às 18h. 

As mudanças foram definidas nesta sexta-feira (05/03), durante reunião do Comitê de Enfrentamento da Covid-19, com base na avaliação de dados epidemiológicos e da rede de assistência à saúde, e também foram apresentadas aos representantes dos demais poderes e órgãos de controle. O novo decreto vai vigorar de 8 a 21 de março. 

“Nosso desafio é encontrar um equilíbrio. De um lado, estamos trabalhando para aumentar a nossa rede de atendimento, aumentando a capacidade para receber mais pessoas, aumentando a capacidade de fornecimento de oxigênio e de outros insumos. Por outro lado, entendemos a necessidade que temos de ter o mínimo de atividades econômicas em funcionamento, mas nós estamos fazendo isso de forma muito responsável”, ressaltou o governador Wilson Lima, em texto divulgado pela Secom (Secretaria de Comunicação Social).

“Contrapartida necessária”

O presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Seção – Amazonas), Fábio Cunha, observa que o decreto vale por 15 dias e a que a restrição de circulação de pessoas foi reduzida, embora os flutuantes estejam limitados ao atendimento de segunda a sexta, das 6h às 16h. O dirigente conta que a entidade levou ao governador todos os pleitos do segmento, mas lamenta que o pedido de flexibilização do horário até às 23h – “para atender ao máximo de operações possíveis” – não tenha sido atendida. 

“Mostramos que o setor está muito castigado, e que fomos duramente sacrificados, no ano passado. Precisamos, agora, dessa contrapartida neste ano, para que a gente possa recuperar os prejuízos. Muitos ainda vão ficar fechados, porque trabalham à noite. Os bares poderão funcionar, mas esse ainda não é o horário ideal para seu retorno. O ideal seria o que pleiteamos”, lamentou. 

Flutuantes “castigados”

Em sintonia, o proprietário do Salomé Bar e do All Night Pub, Rodrigo Silva, diz que o novo decreto vai atender apenas parcialmente ao segmento. Para o empresário, levando em conta toda a rede de restaurantes, pode ser que alguns lanches e cafés, que funcionam até o final da tarde, sejam beneficiados pelas medidas, dado que os estabelecimentos já têm volume de faturamento “mais regularizado”, apesar da limitação de capacidade de atendimento aos 50%. 

“Para empresas vocacionadas no jantar, isso não atende. Esse encerramento às 20h atrapalha bastante a refeição, porque é nessa hora que o pessoal chega ao restaurante. Até o cliente se acostumar a isso, são algumas semanas, e talvez não seja possível mudar essa cultura. Um segmento que foi extremamente prejudicado foi o de flutuantes. Tenho um e este segue os mesmos rigores sanitários de um restaurante em terra, mas por ser flutuante, não pode abrir sábado e domingo, dias que representam quase 80% do seu faturamento. Esse decreto até atrapalhou, porque antes podíamos, pelo menos, trabalhar no sábado. Mas, vemos essa abertura com bons olhos e esperamos novas quedas de internações e óbitos, para podermos ficar com os restaurantes abertos por mais tempo”, ponderou.  

“Praticamente nulo”

Na mesma linha, o sócio-proprietário do restaurante Mercato Brazil, Rodrigo Zamperlini, considera que o decreto não atendeu às expectativas do segmento, que esperava a liberação até 23h e o toque de recolher valendo apenas a partir de meia noite. Além disso, prossegue o empresário, o novo decreto não entende a restrição de funcionamento dos flutuantes, no sábado, mesmo que estes funcionem como restaurantes. Para ele, a liberação até 20h vai favorecer  as cafeterias, que terão um bom horário de funcionamento e poderão iniciar melhor a retomada. 

“Mas, o impacto do horário de 20h para os outros setores que trabalham com movimento do jantar, como pizzarias, demais restaurantes e bares que funcionam na modalidade de restaurante, é praticamente nulo e esses estabelecimentos precisam avaliar se vale a pena abrir até esse horário ou aguardar até a próxima provável flexibilização. De qualquer maneira, seguiremos fazendo nossa parte, respeitando os protocolos, oferecendo um ambiente seguro aos nossos clientes e na expectativa da melhora contínua dos indicadores na saúde”, comentou.

Atenção aos protocolos

O presidente da Abrasel-AM reforçou que a entidade apoia a fiscalização, para repreender os empresários que não atenderem os protocolos sanitários anti-covid. Por isso, Fabio Cunha pede “muita responsabilidade e muita moderação” aos donos dos bares e restaurantes, para que estes atendam todos os protocolos. Promoções, propagandas e postagens, segundo o dirigente, devem se restringir às informações de que o estabelecimento está aberto e atendendo aos protocolos, para evitar aglomerações.   

“É muito importante que os protocolos sejam atendidos. Eles incluem o distanciamento de dois metros entre cada mesa, com a disponibilidade de álcool gel em cima das mesmas. Há também o limite de atendimento de até 50% da capacidade dos estabelecimentos. O uso da máscara tem que ser feito pelo colaborador no horário integral de trabalho. E esse uso tem que ser exigido também do cliente, quando ele chega e transita no restaurante. Nós, que somos treinados para tratar bem o freguês, teremos de ser rigorosos agora. Só pode tirar a máscara quando estiver na mesa e for consumir sua refeição. 

Foto/Destaque: Divulgação

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