Muitos lojistas não tomam cuidados sanitários na volta

O comércio de Manaus espera atingir pelo menos 80% de suas atividades até 30 de junho, quando o governo do Amazonas deve relaxar ainda mais o isolamento social por conta da pandemia de Covid-19 no Estado.

Mas tudo depende de como a população e os comerciantes em geral vão responder às medidas das autoridades de saúde para prevenir uma eventual reinfecção da doença, segundo o presidente da CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus”, Ralph Assayag. “Nem todos têm essa consciência. Realmente, a situação ainda é preocupante”, admite o empresário. “Ainda é difícil ter um bom feedback”.

Assayag ressalta que, infelizmente, muitas lojas ainda não estão levando muito a sério os cuidados básicos contra o coronavírus, dando margem para o surgimento de possíveis novos casos de Covid-19 na capital. E, por conta disso, estima-se que uma possível ascensão da curva da pandemia possa agravar ainda mais a situação caótica em que o Estado está hoje mergulhado. 

Há muita negligência. Muitas pessoas entram nas lojas sem máscaras, com a complacência visível de lojistas. Pelas normas sanitárias, só podem ter acesso de cinco a dez clientes por vez nos estabelecimentos, mas a maioria dos lojistas ainda não cumpre essas determinações à risca.  Um perigo de contágio pelo vírus, tanto para os empresários do comércio quanto para os consumidores.

“Estamos enviando nossos fiscais para orientar os proprietários de lojas sobre a importância desses cuidados básicos, principalmente para os que não cumprem as medidas. Por enquanto, apenas advertimos os que incorrem nos erros. Mas diante de uma possível reincidência, tomaremos as medidas cabíveis”, acrescenta Assayag.

No último dia 1º, o Estado autorizou a reabertura de alguns setores da economia, entre eles o comércio e os shoppings, e até o dia próximo dia 15 outros começam também a operar. O governo do Amazonas e a prefeitura de Manaus elencaram uma lista de condições para o funcionamento dos estabelecimentos. As exigências vão desde uso de máscaras, álcool em gel, distanciamento de pelo menos 1,5 metro entre os clientes a não permitir aglomerações.

Mas como controlar que as pessoas não se aglomerem nos shoppings? Esse é o principal questionamento. O governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que a reabertura foi feita com critérios técnicos e sob estrita orientação das autoridades de saúde. “Chegamos à conclusão de que existem condições para reabrir as atividades gradualmente, claro, sempre seguindo os cuidados para prevenir a doença”, garante. “Além disso, criamos um gabinete que acompanha de perto a crise”, acrescenta.

Conscientização

O reitor da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), o médico Cleinaldo Costa, lembra que o controle da expansão do coronavírus só virá à medida que todos “internalizarem” essa prevenção. “Não adianta só alertar. É necessário que todo mundo faça isso na prática, no dia a dia”, diz ele, que tem anos de atuação em clínica geral em hospitais.

No início do mês, só 40% do segmento comercial em Manaus retomou os serviços. Muitas pessoas circularam nas ruas, aglomerando-se, mas as vendas não atingiram a meta esperada pelos lojistas, como se cogitava. “O movimento ainda é pífio, pequeno, muito abaixo das nossas expectativas. E esperamos que a situação melhore até o final do mês, quando o segmento deve voltar a operar com pelo menos 80% de sua capacidade”, salientou Ralph Assayag.

Ele alerta a categoria que dará apoio total a uma provável decisão do governo do Amazonas e da prefeitura de Manaus de fechar novamente o segmento se as medidas sanitárias não forem cumpridas.  “Não se pode conviver com esse risco iminente que nos cerca. Então, a consciência deve vir de todos os lojistas”, avaliou. Alguns setores estão ainda operando em regime especial, principalmente os shoppings, que reduziram o horário de funcionamento.

De acordo com Assayag, nos dois meses em que o comércio ficou paralisado devido à pandemia de Covid-19, 1.500 lojas encerraram suas atividades em Manaus. Descapitalizados, empresários foram obrigados a vender seus estabelecimentos para pagar salários, despesas com aluguel e outras dívidas. “Dificilmente, esses lojistas poderão voltar a operar porque o dinheiro sumiu e poucos têm reserva para retomar os negócios”, disse Assayag.

Portanto, está longe de acontecer o mesmo movimento que se via antes no Centro de Manaus, que até dezembro engordava as contas dos empresários e a arrecadação do governo do Amazonas e da prefeitura. “Esse vírus ainda não atingiu o seu pico no Brasil, como também no Amazonas, que junto com São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Ceará concentra o epicentro da doença no País. E até na América do Sul”, avalia o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Fonte: Marcelo Peres

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