Mudanças atraem classes média e alta

A estabilidade econômica, as taxas de juros mais baixas e a ampla oferta de crédito têm chamado a atenção de um segmento específico da população que até pouco tempo não utilizava muito este recurso para a compra de imóveis: as classes alta e média alta. Nos últimos meses, imobiliárias e construtoras da capital registraram aumento significativo na compra de imóveis de alto luxo -valor entre R$ 600 mil e R$ 1,3 milhão- através de financiamento bancário.
Na Lar Imóveis, maior imobiliária em venda e locação de imóveis de Belo Horizonte, houve crescimento de 25% na venda de imóveis de luxo em oito meses. “O que percebemos é que, antigamente, os clientes que compravam imóveis de valor mais elevado se limitavam ao pagamento à vista. Hoje em dia, eles preferem comprar um imóvel melhor e mais luxuoso ainda, utilizando o financiamento bancário para complementar o valor”, explicou o diretor da imobiliária, Luiz Antônio Rodrigues.

Venda constante

Outra observação do empresário é de que o mercado imobiliário de alto luxo mudou seu perfil de sazonal para permanente, ou seja, antigamente se observava variações de vendas entre os diversos meses do ano. Hoje, o gráfico de vendas se mantém em nível constante. “Mas com perspectivas sempre altistas”, reforçou o empresário.
Essa tendência atinge principalmente as classes média e média alta- com renda entre R$ 3 mil e R$ 8 mil-, que disponibilizam quantias maiores para dar a entrada da compra do imóvel e de condições financeiras mais estáveis para assumir financiamentos de valores altos. Segundo a Abecip (Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança) foi justamente esse segmento da sociedade que mais utilizou de empréstimos bancários nos primeiros seis meses de 2007.
Na Lar Imóveis, por exemplo, clientes que procuravam imóveis na faixa de R$ 400 mil a R$ 500 mil, que seriam pagos à vista, acabaram optando pela compra de apartamentos nos valores de R$ 600 mil a R$ 1 milhão, complementando o restante com financiamento bancário.
“Com esse novo cenário que se delineia no mercado imobiliário, percebemos que os compradores começam a ter a opção de adquirir imóveis com valor bem maior do que teriam condições de pagar até alguns anos atrás”, reforçou Rodrigues. Isso porque a taxa média anual de juros dos financiamentos bancários para imóveis hoje gira em torno de 9,6%, sendo que há dois anos essa taxa era de 13%. Além disso, o prazo máximo dos contratos também aumentou e a porcentagem de financiamento subiu de 50% para até 85% do valor imóvel.

Queda dos juros impulsiona oferta de crédito

De acordo com o vice-presidente da incorporadora paulista InPar, Antônio Henrique Neves, a prestação do imóvel é definida de acordo com a renda que a família suporta. “Há apenas dois anos, para comprar um imóvel de R$ 100 mil, o consumidor tinha que financiar por cerca de cinco anos, com uma prestação de R$ 6 mil. Atualmente, o prazo pode ser até de 30 anos, o que faz com que as parcelas caiam significativamente”, explicou.
A empresa acabou de lançar o empreendimento Alto Belveder, no Villa da Serra, com apartamentos com preços a partir de R$ 800 mil, e várias unidades comercializadas com financiamento bancário. O vice-presidente avaliou que o motivo da maior oferta de crédito deve-se à redução da taxa Selic.
Os juros baixos levam os investidores a buscarem outros ativos de renda, ocasionando aumento no volume de oferta de crédito. A expectativa do executivo é que a taxa continue caindo e que chegue a cerca de 10%, em dezembro. “Se essa expectativa se confirmar, o mercado imobiliário brasileiro terá pela frente pelo menos dez anos de ‘céu de brigadeiro’”, concluiu.

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