7 de maio de 2021

MPEs tem menor inadimplência no Amazonas, aponta Sebrae

A taxa de inadimplência dos micros e pequenos empresários amazonenses caiu, ao mesmo tempo em que a tomada de empréstimos e endividamento subiram, entre outubro e novembro. A parcela dos pequenos empreendedores amazonenses com dívidas em atraso despencou de 37% para 17%. Na outra ponta, a proporção dos adimplentes avançou de – 34% para 45% –, assim como a dos que afirmam não possuir pendências financeiras –de 29% para 38%. Na média nacional, foram 31%, 37% e 32%, respectivamente.

Em torno de 60% já buscaram crédito para garantir a sobrevivência dos negócios, taxa maior do que a apresentada em outubro (67%), mas bem acima da média brasileira (52%). O percentual de empreendedores locais com pedidos negados caiu de 71% para 61%. A quantidade de solicitantes que conseguiram o empréstimo escalou de 18% para 39%, enquanto a fatia dos que ainda aguardam resposta dos bancos foi a zero –contra os 11% anteriores. Os respectivos números nacionais foram melhores: 56%, 34% e 10%. 

Os dados estão na nona e mais recente edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa). Realizada entre 20 e 24 de novembro, a sondagem ouviu representantes de 6.138 micros e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais), sendo que 56 deles estão no Amazonas (ver boxe).

Parceria e orientação

Tradicional parceira do Sebrae, a Caixa Econômica Federal interrompeu uma sequência de três meses na liderança da pesquisa, para se tornar a segunda opção de quem buscou financiamentos para sobreviver à crise da covid-19. A estatal federal respondeu por 32% da procura local –abaixo dos 39% anteriores –, cedendo lugar ao Bradesco (35%). Santander (18%), Itaú (14%), Banco do Brasil (13%), Sicoob (6%) e Banco do Povo (3%) vieram na sequência, mas pelo menos 25% da demanda seguiu para “outros” canais não informados – menos do que o registrado em outubro (36%).

Vale notar que 62% dos entrevistados nem procuraram orientação do Sebrae, um percentual maior do que os 54% observados em outubro. Em torno de 31% entraram em contato com a instituição, mas não foram direcionados ao banco público, mostrando melhora relativa sobre o levantamento anterior (41%). Por outro lado, apenas 7% passaram por ambos, uma fatia maior do que a de outubro (5%), mas inferior às de julho e agosto (9% e 8%, respectivamente).

A concessão ficou menos concentrada e, assim como ocorrido no âmbito da demanda, a Caixa Econômica (13%) cedeu a liderança para o Bradesco (36%), invertendo as posições do levantamento anterior (52% e 8%, respectivamente). Empatado no segundo lugar, o Santander foi seguido de longe pelo Itaú (4%), mas a maioria das concessões veio de “outros” canais não informados (46%). Sicoob e Banco do Brasil –que haviam respondido por respectivos 2% e 8% da oferta na sondagem de outubro –não aprovaram empréstimos.

Indagados se sabiam que o governo federal já havia disponibilizado empréstimos via maquininhas de cartão, e se a essa modalidade lhes parecia interessante, nada menos do que 60% informaram não estar a par da novidade. Pelo menos 36% disseram saber, mas que não haviam recorrido à opção, enquanto outros 4% lamentaram não dispor do equipamento necessário e ninguém confirmou já estar usando o novo meio de concessão de crédito. Em outubro, os respectivos percentuais foram 39%, 40%, 16% e 5%. 

“Falta de interesse”

Na análise do coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, assinala que o Amazonas aparece com um dos menores índices de inadimplência, em razão de ter havido um atraso no início das liberações de crédito em âmbito local, fazendo com que muitas empresas ainda estejam no período de carência. O dirigente avalia, contudo, que o índice já deve sofrer repique na próxima sondagem, dado o novo fechamento das atividades não essenciais de comércio e serviços no Estado. 

“Percebemos também que os empresários amazonenses não têm considerado que é importante buscar conhecimento sobre gestão empresarial, mesmo neste momento de dificuldades. Acabam se voltando apenas para o operacional e, muitas vezes, não conseguem encontrar possíveis soluções para amenizar os impactos da crise. Informação é fundamental para uma boa gestão”, defendeu.

Pantoja dá como exemplo a linha de crédito de capital de giro pelas maquininhas, que foi divulgada pelo Sebrae. “Realizamos lives para explicar como funcionava, mas o número de interessados foi sempre muito baixo. Era como se os empreendedores não precisassem mais de crédito naquele momento, ou como se estivessem desacreditados por alguma experiência anterior, talvez por não conseguirem acesso a nenhuma linha de financiamento”, conjecturou.  

De acordo com o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, muitas  MPEs do Amazonas não conseguiram acessar crédito por não contarem ou apresentarem dificuldades em  documentações básicas, como licenças para atividades exigidas, alvará de funcionamento e comprovação de endereço. As restrições ao crédito por outros motivos também teriam pesado para aumentar o gargalo nos guichês dos bancos.

O dirigente do Sebrae-AM reforça que, se os empreendedores estivessem mais munidos de informações sobre gestão, estariam mais preparados para acessar o crédito emergencial oferecido pelos programas federais. Evanildo Pantoja, inclusive, se diz testemunha do esforço das instituições financeiras em tentar financiar as micros e pequenas empresas do Amazonas. 

“Várias entraram em contato com o Sebrae, pedindo apoio para divulgar as linhas de créditos e procedimentos, bem como para indicar clientes potenciais. Mas, apesar de nossos esforços, o número de interessados ficava sempre muito abaixo da demanda, que sabíamos que existia. Só achei estranho o Banco do Brasil aparecer com nenhuma participação, sendo que esta foi uma das instituições que liberaram bastantes recursos em nosso Estado”, concluiu.

Saiba mais sobre os empreendedores do Amazonas

Dos 56 entrevistados no Amazonas, 51% são MEIs e 49% são micros ou pequenas empresas, sendo distribuídos em serviços (53%), comércio (42%), indústria (2%) e construção civil (4%). As estatísticas apontam ainda que o empreendedor amazonense é majoritariamente do sexo masculino (62%), tem de 36 a 55 anos de idade (70%), conta com ensino superior incompleto “ou mais” (45%) e se declara da etnia “negra” (71%).

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