MPEs do AM apostam nas vendas online, mas ainda enfrentam dificuldades

O refluxo da segunda onda de Covid-19, da melhora no ritmo de vacinação e da liquidez proporcionada pelos auxílios emergências, contribuíram para uma relativa melhora nas vendas das MPEs do Amazonas, na comparação do segundo com o primeiro trimestre do ano. É o que se concluiu a partir dos dados da 11ª edição da pesquisa “Impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios”, conduzida pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa), e realizada entre os dias 27 de maio e 1º de junho.

A maior amplitude no uso de recursos digitais no atendimento ao cliente, em tempos de pandemia e de distanciamento social, também ajudou nos resultados. Mas, embora 76% dos entrevistados apontem a empresa como principal rendimento da família, a proporção dos que apontam que os rendimentos estão sendo insuficientes para cobrir os gastos familiares do dia a dia também é de 76%. Em sintonia, as esperanças dos empreendedores voltaram a derreter: a expectativa para um retorno da economia “ao normal” passou de 12 para mais de 15 meses.

A sondagem do Sebrae ouviu representantes de 7.820 micros e pequenas empresas em todo o país, assim como MEIs (microempreendedores individuais) –89 deles no Amazonas. Entre os entrevistados no Estado, 55% são MEIs, 37% estão à frente de microempresas (até R$ 360 mil de faturamento bruto anual) e 8% respondem por empresas de pequeno porte (de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões). Comércio (50%) é a atividade mais comum entre eles, sendo seguida por serviços (43%), construção civil (4%), indústria e agropecuária (ambas com 2%). 

Para nada menos do que 81% dos entrevistados, o faturamento mensal estava abaixo do habitual no período da sondagem e apenas 6% dizem que subiu –contra os 84% e 3% anteriores. Na comparação da última semana capturada pelo levantamento com a anterior, houve queda média de 46%, para as vendas dos MEIs e as MPEs do Amazonas. Entre a maioria que vendeu menos, a retração foi de 56%, enquanto a minoria que obteve maior comercialização conseguiu alta de 36%. Houve melhora relativa ante os dados do primeiro trimestre (-49%, -54% e 25%).

Tecnologia e perspectivas

Aumentou de 56% para 58% a proporção de empresas que tiveram de fazer mudanças para sobreviver à crise, na comparação com os números da edição anterior do levantamento –realizado na virada de fevereiro para março, ainda na segunda onda. Em sintonia, a fatia de empreendedores amazonenses que abraçaram as redes sociais, aplicativos e internet para facilitar as vendas avançou de 59% para os 71% atuais. A adaptação ajudou a diminuir o número de pessoas jurídicas que saiu temporária (16%) ou definitivamente (6%) do mercado –contra os 30% e 5% anteriores, respectivamente.

Praticamente metade (47%) dos empreendedores ouvidos no Amazonas ainda tiram menos de 25% de seu faturamento de vendas por redes sociais, aplicativos ou internet. Em torno de 19% conseguem uma margem maior (de 26% a 50%) –percentual idêntico ao dos que têm 75% ou mais de seu faturamento oriundo dos meios digitais. Uma faixa minoritária de 7% obtém entre 51% e 75% de seus resultados por esses meios e 8% não souberam responder. Os números foram próximos às respectivas médias nacionais (43%, 22%, 15%, 12% e 8%).  

Desta vez, o Sebrae não informou a média de colaboradores das micros e pequenas empresas do Amazonas ouvidas na pesquisa –que era de quatro na edição anterior. Os quadros costumam incluir familiares, empregados fixos e temporários, formais ou informais. Também não se deteve nas demais estatísticas de empregos nos MEIs e MPEs ouvidos na sondagem.

Em síntese, para 51%, a frase que melhor define o momento atual é “ainda tenho muitas dificuldades para manter meu negócio”, sendo seguida de longe pela fatia dos que estabelecem que “os desafios provocaram mudanças que foram valiosas para o seu negócio” (21%). A minoria diz que “o pior já passou” (16%) ou que está “animado com as novas oportunidades” (12%). Na sondagem anterior, as respectivas fatias foram 63%, 20%, 9% e 8%.  

Menos otimismo

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, observa que 87% das micros e pequenas empresas pesquisadas se encontravam em fase de reabertura, pois diferente de outros Estados, o Amazonas já havia superado a segunda onda, no momento da pesquisa. A executiva ressalta, contudo, que 81% desse universo não alcançaram o faturamento no nível antes da pandemia (ainda em processo de recuperação) e que 51% dos negócios ainda enfrentavam dificuldades financeiras.

“Em complemento, a dificuldade financeira das empresas também repercutiu no orçamento das famílias dos empresários: o ganho proveniente dos negócios nos últimos 12 meses não foi suficiente para cobrir os gastos familiares em 76% dos pequenos negócios entrevistados. Como na economia tudo está conectado, a queda no faturamento dos empreendimentos impactou negativamente no orçamento das famílias, diminuindo o consumo das pessoas físicas que, por sua vez, impactaram nas vendas de outras empresas de comércio e serviços”, lamentou.

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM salienta que as vendas digitais foram aceleradas pela pandemia, ao se mostrar um caminho, em meio ao isolamento social, reduzindo aglomerações nas ruas e evitando uma crise econômica de maior proporção. Também não considera que o cenário para as MPEs do Amazonas piorou. “Acho que o ‘otimismo’ caiu um pouco. No início da crise, os empresários achavam que em seis meses a situação iria melhorar e hoje falam em 15 meses. A recuperação é lenta e vejo que o pior já passou, mas tudo depende da imunização em massa”, arrematou. 

Foto/Destaque: Divulgação

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