O rato gosta de esgoto. Enquanto isso, há problemas que estão na superfície, são fáceis de identificar, impressionam pelo descuido e a feiura

O rato gosta de esgoto. Enquanto isso, há problemas que estão na superfície, são fáceis de identificar, impressionam pelo descuido e a feiura. Há também aqueles camuflados, escondidos e não evidentes, mas que a vizinhança conhece bem pelos efeitos que emergem. Um deles é o tratamento de esgoto, que, se mal feito, dá mau cheiro, entupimento, vazamento, acúmulo de detritos e resíduos, inundação, entre outras conseqüências indesejáveis. Está no uso da pia, do ralo, do chuveiro, da privada, da torneira. Afeta todos.
O rato fareja na escuridão. Enquanto isso, os bairros que mais sofrem são os periféricos porque quase sempre crescem desordenadamente, com alta concentração humana, e os governos municipais não dão conta de planejar a infra-estrutura da rede de abastecimento de água e tratamento de esgoto a partir dos canais que entram e saem de cada uma das casas. Não são todos os moradores que podem investir em conexões e tubos de boa qualidade. Outros nem sabem como fazê-lo.
O rato dribla a sujeira e sai pela tangente. Enquanto isso, as maiores preocupações referem-se à manutenção da higiene e da qualidade de vida dos moradores e à relação sustentável com a natureza. A primeira tenta evitar a vulnerabilidade a doenças, como as que se transmitem pelos coliformes fecais, enquanto a segunda esforça-se para garantir que os resíduos sejam despejados numa área de segurança ambiental e não contaminem o percurso com tubulação irregular ou subam à superfície.
O rato balança o rabo e passeia a nado. Enquanto isso, seria mais feia a paisagem urbana se a rede de esgoto estivesse na superfície, o que ocorre em alguns bairros onde o sistema foi mal instalado, como ficam os postes e os cabeamentos de luz, telefone e televisão por cabo. O desenvolvimento do saneamento básico previne gastos com saúde pública e gera outros efeitos positivos, como melhora da qualidade de vida da população e da estética urbana, empregos, redução da poluição, proteção do meio ambiente e participação cidadã.
O rato rasteja imundo e continua ileso. Enquanto isso, os fatores que determinam o acesso ao saneamento básico giram em torno da faixa etária, o grau de escolaridade, a renda familiar e a localização na zona rural ou urbana. Nesta, o acesso é proporcionalmente maior devido à distâncias elevadas daquela e o custo alto de instalação. É urgente a expansão de saneamento básico em bairros periféricos, o estímulo à fossa séptica de qualidade no meio rural e a reforma da rede antiga em áreas urbanas centrais.
O rato desafia a paciência. Enquanto isso, o tema enreda a qualidade da infra-estrutura com a instrução e a capacidade financeira dos moradores, além dos agentes públicos. Muito pode ser feito pelos governos municipais e empresas envolvidas no longo processo cíclico de recuperar água suja e distribuir água limpa. Os métodos de canalização e tratamento são vários, mas o objetivo é um só: melhorar a qualidade de vida da população sem agredir a natureza.
Esse rato é fugidio. Nada que uma boa ratoeira não resolva.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email