Mourão e lideranças do PIM debatem novas direções para a indústria

A primeira reunião virtual das entidades ligadas ao PIM com o vice-presidente da República e presidente do Conselho da Amazônia, general Hamilton Mourão, deve render novos encontros para a efetivação de medidas que beneficiem a região, segundo avaliam lideranças ouvidas pelo Jornal do Commercio. Ocorrido na tarde desta segunda (24), o evento foi a oportunidade para a indústria incentivada propor um projeto de desenvolvimento estruturado, para a região com maior protagonismo de que vive aqui.

Entre os principais pontos debatidos está a necessidade de um zoneamento ecológico-econômico na região, assim como investimentos em infraestrutura, incluindo estradas (especialmente a ainda embargada BR-319), portos, hidrovias (dos rios Madeira, Solimões e Negro) e aeroportos do interior, além de redes de internet e eletricidade. 

As lideranças pediram também diversificação produtiva e incremento da bioeconomia a partir dos recursos da ZFM, e maior integração entre diversos órgãos governamentais (a exemplo do CBA, Embrapa, Ufam e UEA) para justificar novos investimentos em P&D. Solicitam ainda um novo modelo de governança para a ZFM que contemple manutenção de vantagens comparativas, entre outras diretrizes.

Um dos argumentos elencados para sustentar a proposta vem de estudo das entidades, que demonstra que o Amazonas é o quinto maior em arrecadação no país, além de ser superavitário. O pleito do PIM se baseia ainda no fato de que a matriz econômica do Estado, por ser industrial, vem garantido a preservação de 95% de sua cobertura natural formada pela floresta amazônica.

Realizado durante a 20ª reunião do Comitê Indústria ZFM Covid-19, com o tema focado nas “Novas Matrizes Econômicas do Estado do Amazonas”, a encontro foi mediado pelo presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva. Ao final do evento, as entidades entregaram um documento com os termos da proposta conjunta para a região, firmado por Fieam, Cieam, Eletros e Abraciclo.

“Ponto sensível”

No entendimento do presidente da Eletros, José Jorge do Nascimento Junior, o saldo da reunião foi muito positivo e serviu para o general Mourão provar que é “um grande conhecedor da região”, não apenas por ter raízes familiares no Amazonas, como também por ter trabalhado por aqui, ao apresentar os números na “ponta da língua” e o conhecimento sobre as necessidades, particularidades e oportunidades de negócios da região. A pauta, segundo o dirigente, incluiu temas como o CBA, infraestrutura e Reforma Tributária.

“Ele se mostrou bastante receptivo e disse que temos que continuar discutindo e avançando nas propostas. Acho que essa foi a primeira de outras reuniões que devemos ter com o vice-presidente da República, no sentido de construirmos juntos a diversificação da economia do Amazonas. O ponto que achei mais importante foi justamente esse. Ele falou também da Reforma Tributaria e disse que este é um ponto sensível, mas que o governo está ciente e não deve haver nenhuma surpresa [para a ZFM]. Acho que até o fim do ano devemos ter mais um encontro com ele”, afiançou.

Canal aberto

Na mesma linha, o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, avalia que a reunião foi “bem objetiva” e também serviu para mostrar que o vice-presidente da República conhece “profundamente” os dados e as questões que envolvem o Estado em particular e a Amazônia em geral. Segundo o dirigente, ainda não foi agendado nenhum novo encontro, mas o general deixou o canal aberto para futuras conversas “e é isso o que vai acontecer”. 

“Isso mostra da parte dele o reconhecimento da relevância do modelo Zona Franca, não deixando de entender também a necessidade de diversificarmos as matrizes econômicas. É algo que temos dito há vários anos. Nada que venha a substituir a ZFM, mas somar-se a ela. Esse modelo que hoje existe é que vai dar as condições para o Estado e o país desenvolverem e avançarem nessas novas matrizes explorando a biodiversidade e potencialidades do Amazonas”, asseverou.

“Interlocução positiva”

Presidente do Conselho Superior do Cieam e também um dos vice-presidentes da Fieam, Luiz Augusto Rocha, considera que o encontro com Mourão tratou de temas “extremamente importante e críticos” para a ZFM e para o Amazonas, incluindo Reforma Tributária, competitividade e novas alternativas econômicas para a região. Na avaliação do dirigente, a abordagem foi satisfatória, assim como a compreensão do vice-presidente em relação aos temas.

“O encontro teve como principal objetivo, estabelecer uma interlocução propositiva das demandas da ZFM e da região, com a vice-presidência, que se mostrou sensível a nossas preocupações. Podemos destacar do encontro a visão geopolítica e a importância da Zona Franca nesse contexto. Foi possível concluir que se faz necessário o fortalecimento do modelo atual, e de diversificação com o desenvolvimento da bioeconomia e do turismo”, finalizou.

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