8 de maio de 2021

Mortalidade de empresas desacelera no Amazonas

A despeito dos impactos da segunda onda de covid-19 e as medidas de isolamento social, a mortalidade de empresas do Amazonas voltou a desacelerar, entre janeiro e fevereiro, ao mesmo tempo em que a taxa de natalidade retomou força. O quadro seguiu mais volátil para os MEIs (microempreendedores individuais), com número maior de extinções e menor de constituições. Os dados estão no mais recente relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro), da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas).

O Estado registrou o encerramento das atividades de 171 pessoas jurídicas, no mês passado, 10,47% a menos do que em janeiro de 2021 (191) e 31,05% aquém do apresentado no mesmo mês de 2020 (248). Já a abertura de novos empreendimentos (567) cresceu 2,90% ante o mês anterior (551), além de avançar 19,78%, no confronto com fevereiro do ano passado (460). Vale notar que os dados citados não incluem os MEIs.

De acordo com o levantamento mensal da autarquia estadual, entre as 171 pessoas jurídicas amazonenses que formalizaram encerramento em fevereiro, a maioria (95) estava na categoria de empresário individual – número menor do que o de janeiro (109). As sociedades empresariais limitadas (51) vieram na segunda posição, seguidas pelas empresas individuais de responsabilidade limitada (e de natureza empresarial), que totalizaram 23 registros – contra 59 e 24, no mês anterior, respectivamente.

O movimento em torno da formalização de abertura de novos negócios no Amazona (567) também priorizou as categorias de empresário individual (233) e de sociedades empresariais limitadas (195), em fevereiro. Empresas individuais de responsabilidade limitada (142) vieram em seguida, sendo que a lista incluiu também um consórcio de sociedades. Em janeiro, os respectivos números foram 233, 159, 155 e zero.

Ao contrário do ocorrido nos dados globais, os números de constituições de MEIs sofreram desidratação, em fevereiro de 2021 (2.610). Houve um tombo de 28,20% sobre janeiro (3.635), embora o dado ainda tenha sido 16,88% superior ao desempenho de 12 meses atrás (2.233). Assim como ocorrido no levantamento anterior, as extinções aumentaram (+4,04%) na variação mensal (de 520 para 541) e também avançaram (+22,40%) na comparação com o fevereiro de 2020 (442).

Fevereiro também rendeu incremento na quantidade de MPEs. No total, 455 pessoas jurídicas do Amazonas – 422 com constituição e 33 sem constituição – foram enquadradas como microempresas, no mês passado, 12,90% a mais do que o registro de 2020 (403). O número de enquadramentos para empresas de pequeno porte subiu 26,17%, de 107 para 135 – sendo 117 com constituição e 18 sem constituição.

“Bom ambiente”

Em texto divulgado por sua assessoria e imprensa, a Jucea salienta que fevereiro foi o quarto consecutivo de queda no número de encerramento de atividades econômicas no Estado. No mesmo texto, a presidente da Jucea, Maria de Jesus Lins, considerou o saldo positivo, a despeito das restrições impostas pela crise da covid-19. Para a dirigente, isso sinaliza que os investimentos da autarquia em novas tecnologias, que ajudam na desburocratização e simplificação da abertura de novas empresas, têm mantido um “bom ambiente de negócios” no Estado. 

“A Jucea tem trabalhado e investido continuamente em sistemas tecnológicos que facilitem no avanço da simplificação das etapas do processo de abertura de empresas para os usuários do nosso estado. Nossa meta é sempre prestar o melhor serviço, e trabalhamos incansavelmente para continuar a oferecer melhorias no nosso sistema de serviços”, asseverou.

“Pé no freio”

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, assinalou que a volatilidade no saldo de criação e extinção de empresas é natural em qualquer período do ano e que os números de fechamento decorrem de falhas gerencias ou mesmo de falta de conhecimento de gestão. 

Já o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, lembra que o movimento de abertura dos novas empresas – especialmente no caso de MEIs e MPEs – costuma estar ligado ao aumento do desemprego, já que é usual que o trabalhador recém desligado aproveite as indenização para empreender e abrir o próprio negócio, no intuito de não ficar sem renda. De acordo com o economista, os dados da Jucea, contudo, apontariam para uma certa cautela dos empreendedores e para um afunilamento no acesso ao crédito.

“A segunda onda e as restrições ao funcionamento de segmentos não essenciais fizeram o empreendedor botar o pé no freio. O fechamento de empresas também segue em alta, porque muitas não estão conseguindo se segurar no mercado pelos mesmos motivos. Consumem capital de giro, já que não conseguem gerar a receita necessária. Aí, entra a questão dos incentivos dos governos para facilitar o acesso ao crédito. Teve uma ajuda, agora, da Afeam [Agência de Fomento do Estado do Amazonas], mas parece que isso não está sendo satisfatório, pois muitos negócios estão quebrando. Vamos ver como serão os próximos números”, arrematou.  

Foto/Destaque: Divulgação

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