5 de março de 2021

Mortalidade de empresas cai no Amazonas em janeiro

A mortalidade de empresas do Amazonas desacelerou, na virada de dezembro para janeiro, ao mesmo tempo em que a taxa de natalidade perdeu força, em meio aos impactos econômicos da segunda onda de covid-19 e as medidas de isolamento social. O quadro foi mais volátil para os MEIs (microempreendedores individuais), com elevações mais sensíveis em ambos os indicadores. É o que aponta o mais recente relatório do SRM (Sistema Mercantil de Registro), da Jucea (Junta Comercial do Estado do Amazonas).

O Estado registrou o encerramento das atividades de 191 pessoas jurídicas, no mês passado, 9,48% a menos do que em dezembro de 2020 (211) e 38,98% aquém do apresentado no mesmo mês de 2020 (313). Já a abertura de novos empreendimentos (551) desceu 3,16% ante o mês anterior (569), além de retroceder 2,13%, no confronto com janeiro do ano passado (563). Vale notar que os dados citados não incluem os MEIs.

Amazonas registrou o encerramento das atividades de 191 pessoas jurídicas em janeiro
Foto: Denny Cesare/Código 19

De acordo com o levantamento mensal da autarquia estadual, entre as 191 pessoas jurídicas amazonenses que formalizaram encerramento em janeiro, a maioria (109) estava na categoria de empresário individual – número menor do que o de dezembro (126) e praticamente a metade do registrado 12 meses antes (210). As sociedades empresariais limitadas (59) vieram na segunda posição, seguidas pelas empresas individuais de responsabilidade limitada (e de natureza empresarial), que totalizaram 24 registros – contra 68 e 17, no mês anterior, respectivamente.

O movimento em torno da abertura de novos negócios locais (551) também priorizou as categorias de empresário individual (233) e de sociedades empresariais limitadas (159), em detrimento das empresas individuais de responsabilidade limitada (155), mas incluiu também duas sociedades anônimas fechadas, um consórcio de sociedades e uma cooperativa de consumo. Em dezembro, os respectivos números foram 248, 176, 139, zero, zero e zero.

Ao contrário do ocorrido nos dados globais, os números de constituições de MEIs foram mais vitaminados, em janeiro de 2021 (3.635). Houve um incremento de 75,60% sobre o mês anterior (2.070) e uma expansão de 46,28% ante os dados divulgados 12 meses atrás (2.485). As extinções (520), contudo, também aumentaram (+31,98%) ante dezembro de 2020 (394) e também avançaram (+14,79%) na comparação com o primeiro mês de 2020 (453).

“Números positivos”

Em texto divulgado por sua assessoria e imprensa, a Jucea salienta que o número de extinções contabilizado em janeiro de 2021 foi o menor dos últimos três meses. Outro ponto destacado pela autarquia é que, a despeito dos impactos econômicos da segunda onda de covid-19 no Estado, as extinções se mantiveram mais baixas do que as de janeiro de 2020, período anterior à chegada da pandemia ao Amazonas. Na analise da Junta Comercial do Estado do Amazonas a quantidade de constituições também estaria “equilibrada”. 

No mesmo texto, a presidente da Jucea, Maria de Jesus Lins, concluiu que, em meio ao recrudescimento da crise da covid-19, os números são positivos. “Mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos, devido à pandemia, desde o ano passado até este momento de 2021, temos conseguido registrar resultados positivos para o nosso Estado, quando observamos que estamos com os números de constituições de empresas equilibrados e os de extinções abaixo do esperado, na atual situação que vivemos de restrições”, ponderou. 

Empreendedorismo e gestão

O presidente do Sindecon-AM (Sindicato dos Economistas do Estado do Amazonas), Marcus Evangelista, asseverou que a volatilidade de criação e extinção de empresas é natural em qualquer período do ano e que os números de fechamento decorrem de falhas gerencias ou mesmo de falta de conhecimento de gestão. O economista chama a atenção, entretanto, para a importância do incremento dos registros de MEIs – cuja abertura é realizada de forma inteiramente digital e dá direito ao empreendedor de ter CNPJ e contar com até um empregado em seus quadros.  

“Temos pessoas que acabaram sendo desempregadas, o que aconteceu nesse período pandêmico, e que aproveitam suas expertises para empreender. É um ponto positivo para nossa economia e mostra que nossa população luta, mesmo diante das dificuldades. É importante que, antes de constituir firma, o empreendedor procure se capacitar para que sua empresa seja duradoura e gere qualidade de vida para sua empresa. Temos que ver isso com bons olhos, acreditando que, após o período de pandemia, teremos uma economia tentando se normalizar, no segundo semestre de 2021”, afiançou. 

Mortalidade maior

Em entrevista anterior à reportagem do Jornal do Commercio, o conselheiro do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, assinalou que os impactos econômicos da crise da covid-19 e a maior abrangência do distanciamento social produziram mudanças significativas no mercado e, quem não estiver preparado para elas, vai perder vendas e terá dificuldades de sobreviver na praça.

“Quando há um grande índice de desemprego e a economia apresenta resultados negativos, há incremento considerável de pessoas indo para o empreendedorismo. Minha expectativa para 2021 é que, com a continuidade dos juros baixos, e de um aumento da inflação, pode haver maior mortalidade de pessoas jurídicas. Mas, vão surgir novas empresas para darem conta desse novo tipo de mercado, que passou a ser mais digital”, concluiu. 

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