Monumentos eternizados para filatelistas

É difícil, mas acontece. Vez por outra os Correios destacam algum fato, ou personagem, amazônico em seus selos, como agora com a emissão ‘Monumento à Abertura dos Portos na Amazônia’, na série Monumentos Históricos Brasileiros, na qual destaca o Monumento à Abertura dos Portos às Nações Amigas, um dos mais imponentes de Manaus. O selo, junto com a ‘Estátua Equestre de D. Pedro I’, do Rio de Janeiro, e ‘O Laçador’, de Porto Alegre, terá lançamento nacional em 11 de agosto nas três capitais.
De acordo com o historiador Antonio Loureiro, autor de ‘O livro dos selos da Amazônia brasileira’, os três monumentos foram escolhidos por serem grandiosos e feitos em bronze. O historiador elogiou o fato de os Correios terem reconhecido o monumento amazonense, “Em 172 anos de existência dos Correios e mais de quatro mil selos emitidos, apenas 50 emissões retratam a Amazônia, e o Amazonas, menos ainda”, falou.

Loureiro lembrou de outros monumentos em bronze que enfeitam há décadas algumas praças de Manaus, desde os tempos áureos da economia da borracha. “Temos a estátua do paraense Tenreiro Aranha, primeiro presidente, hoje governador, do Amazonas, na praça da Saudade; e os chafarizes nas praças da Matriz e D. Pedro II; e o chafariz das Quimeras, no parque Jefferson Peres”, listou.

Diferentes época, estilo e região
A série é composta por três selos, cada um com a imagem de um monumento que representa diferente época, estilo e região do Brasil. No primeiro selo é mostrada a estátua de ‘O Laçador’, em Porto Alegre (RS), moldada em meados do século 20, representando o gaúcho típico com toda a sua indumentária. O segundo selo apresenta a imagem da metade superior do monumento ‘Estátua Equestre de D. Pedro I’, do Rio de Janeiro (RJ), reproduzindo a figura do imperador sobre um cavalo, acenando com a mão direita a primeira Constituição do Brasil. O trabalho, de meados do século 19, é o primeiro monumento cívico da cidade fluminense e inaugurou o estilo romântico no país.

O terceiro selo focaliza detalhe do topo do ‘Monumento à Abertura dos Portos às Nações Amigas’, de Manaus. A obra, concluída no fim do século 19, exibe imponente e exuberante figura feminina, tendo aos seus pés a estátua do deus Mercúrio, simbolizando a indústria e o comércio. As imagens foram dispostas na diagonal da área do selo para ampliar a ilustração das esculturas. Foram utilizadas fotografias com técnicas de arte finalização em computação gráfica. A tiragem será de 540 mil selos, 180 mil de cada, com valor facial de R$ 1,80.

O Monumento à Abertura dos Portos está localizado numa das áreas mais visitadas pelos turistas em Manaus, o largo de São Sebastião, bem em frente ao Teatro Amazonas. Apesar de ter sido inaugurado em 1899, durante o governo de José Cardoso Ramalho Júnior (1898/1900), a grandiosa edificação homenageia um fato ocorrido 33 anos antes: a abertura dos portos e rios da Amazônia à navegação estrangeira, em 1866.

Antes, a homenagem não passava de um simples obelisco, inaugurado em 1867. No final do século 19, porém, com a riqueza resultante do comércio da borracha, Manaus e Belém foram embelezadas por seus administradores e as praças tiveram atenção especial, por isso a homenagem à abertura dos portos foi refeita com uma bela edificação à altura da riqueza da cidade.

Veio inteiro da Europa
A supervisão e a criação do Monumento à Abertura dos Portos coube ao artista italiano Domenico de Angelis, que estava em Manaus cuidando da decoração do salão nobre do Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, mas ainda inconcluso. Como era comum na época, todo o material do monumento foi importado da Europa. O granito usado no topo e o mármore da frisa vieram da Itália. Os elementos em bronze, na forma de máscaras no estilo antigo, foram fundidos em Gênova.

A estátua, ao cimo do monumento, também em bronze, realizada nos famosos ateliês de Enrico Quatrini, em Roma, é uma representação alusiva ao comércio. Alguns documentos atribuem à figura feminina a representação da Amazônia, sendo cortejada pelo deus Mercúrio. Outros a identificam como Líbera, a deusa da Liberdade.

Ao lado vê-se uma estátua do deus Mercúrio sentado em uma engrenagem (símbolo da Indústria e Comércio), cercado por três meninas em bronze. Na base do monumento, em cada lado, ícones simbolizam os quatro ‘cantos do mundo’: África, Europa, Ásia e América, cada um representado pela proa de uma embarcação característica desses continentes, com um menino sentado e respectivas alegorias. Detalhe, a Oceania ainda era um continente praticamente inexplorado, por isso não foi representada.
O piso em volta do monumento, com desenhos sinuosos, que posteriormente teriam inspirado as calçadas de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, simboliza o encontro das águas dos rios Negro e Solimões. De acordo com Lourenzzo Allysson, assessor de comunicação dos Correios, em Manaus, o lançamento da série Monumentos Históricos Brasileiros na capital amazonense será revestido de pompa, com o lançamento, também do carimbo, em local ainda a ser definido. “Estamos tentando conseguir um espaço na agenda para que ocorra no Teatro Amazonas, o local ideal para o evento”, adiantou.

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