Monitoramento do produto tecnológico

Monitorar quer dizer vigiar. Para que isso aconteça, há que se valer de todos os sentidos possível, porque a finalidade de toda vigilância é perceber, em tempo, qualquer possibilidade de dano ou risco.

Para que se tenha uma ideia da importância do monitoramento, é necessário que se compreenda que essa é uma das subetapas do processo de controle, composta pelos subprocessos de mensuração e avaliação constantes, que, por sua vez, é parte do processo gerencial. E como todo processo gerencial visa à consecução de pelo menos um objetivo planejado e acordo entre os membros da organização (e linha de produção e equipe também são organizações), é para essa finalidade que o processo de monitoramento deve estar direcionado.

No caso das inovações tecnológicas, esse desafio se torna ainda maior, uma vez que o objetivo a ser alcançado é inédito, nunca foi testado antes pela equipe e nem pela instituição, como será visto neste ensaio.

Dois são os desafios básicos de todo esforço de monitoramento. O primeiro é detectar falhas antes que elas aconteçam, o que significa trabalhar com probabilidades, que são as possibilidades de algum evento danoso ocorrer e que sua ocorrência comprometa o produto em algum de seus atributos. É como dirigir em autoestrada, vigilante acerca das ocorrências ambientais, para que se possa desviar o veículo em tempo de evitar quaisquer possibilidades de comprometer a finalidade, que é chegar ao destino em segurança e no tempo previsto. Detectar falhas, portanto, está sempre vinculado a algum atributo que possa ser alvo de desconformidade. O segundo é a garantia da confiabilidade, que é decorrente da capacidade do esquema de produção produzir sempre resultados dentro dos padrões determinados. Algo é confiável quando produz sempre a mesma coisa dentro dos mesmos parâmetros.

Como se faz isso, no caso das inovações tecnológicas?

Em primeiro lugar, é necessário que se relembre que os processos de inovações são sempre esquemas de validações a posteriori de sucessos alcançados.

Detectar falhas neste sentido é considerar em desconformidade aquilo que foi feito em determinada atividade. A etapa que gerou o subproduto em desconformidade precisa ser alterada em seu processo ou em atributos do subproduto. A falha não detectada aumenta as chances de desconformidade nas etapas seguintes. Depois de validada, a etapa precisa ser retestada para que se tenha a garantia de que o resultado obtido está dentro dos atributos previstos ou modificados. Assim, a confiabilidade é garantida através da detectação de falhas submetidas a esquemas de replanejamento e de testes-retestes. Replanejamento, testagem e retestagem se repetem até a garantia da conformidade.

Geralmente as inovações tecnológicas são experiências singulares e pioneiras que, depois, se pretende múltiplas e contínuas. Isso significa que, além de detectar falhas no esquema pioneiro de produção, deve-se atentar para as probabilidades de falhas ao longo das produções contínuas. Imagine-se que se pretenda construir uma inédita placa de energia solar.

O primeiro desafio é produzir a placa em conformidade com os atributos desejados. O segundo é fazer o processo de produção funcionar para gerar milhares ou milhões dessas placas. Noutras palavras, é necessário que se determine a capacidade de produção do sistema de produção da inovação em processo contínuo. Aqui adentra-se outro campo de confiabilidade.

Em produção, contudo, deve-se atentar para duas dimensões analíticas. A primeira é a dimensão microanalítica, cujo escopo ou limites é a própria linha de produção. Seus objetos de análise são o processo de produção, os subprodutos de cada etapa e o produto final, naturalmente.

A lógica de análise é simples: produto final em conformidade é decorrente das conformidades das subetapas e seus subprodutos ao longo de todo o processo de produção. Se as atividades forem desenvolvidas em conformidade, as subetapas gerarão subprodutos e produto final em conformidade.

A segunda dimensão analítica é chamada de macroanálise, que envolver todas as etapas da produção e toda a cadeia de produção. Geralmente, um processo de produção é composto de vários subprocessos, que geram subprodutos. O produto final é o resultado do sucesso desses diferentes subprocessos. Assim, as etapas da produção envolvem tudo o que estiver vinculado à inovação e ao produto tecnológico, na sua fase de produção contínua, a posteriori.

A cadeia de produção, contudo, é mais ampla. Envolve não apenas os aspectos intrínsecos de produção, mas todas as relações com as atividades de apoio, como logística e marketing.

A razão da necessidade desse macromonitoramento é a mesma do micromonitoramento: a detectação de falhas no processo de inovação e no processo de produção contínua, para que a confiabilidade de ambos seja garantida. O micromonitoramento garante a detectação de falhas operacionais; o macromonitoramento responde pelas falhas estratégicas. O primeiro é limitado espacialmente pelo espaço físico que as linhas de produção ocupam; o segundo é disperso ao longo de toda a cadeia de produção, que ganha a cada dia contornos mais internacionalizados. Tanto esforço para garantir ao outro algo confiável é típico de uma mentalidade que vem a cada dia se tornando preponderante globalmente.

A prática tem dado a impressão de que as organizações e instituições estão levando em consideração diversos fatores substantivos nas suas operações e relações.

É sob esse prisma que os esforços de confiabilidade precisam ser analisados e compreendidos, materializados na entrega de produtos em conformidade com as necessidades dos usuários e clientes. E esse compromisso tem se iniciado já durante o próprio processo de invenção da tecnologia que, depois, alimentará novos relacionamentos de suprimentos, de maneira contínua, até que surja a necessidade de novas invenções, se o próprio esforço de melhoria contínua não for suficiente para garantir as mudanças nos atributos do produto requeridas pelos demandantes.

*Daniel Nascimento-e-Silva é Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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