12 de abril de 2021
Telefonia Celular: A produção se estabiliza ou o mercado saturou?

Este informe inicia a série de artigos intitulada MOMENTOS DO PIM, onde serão abordados vários temas econômicos que afetam o PIM e influenciam sua performance. Neste número, comentamos sobre o panorama da produção e exportação local de celulares e os pré-requisitos que a CONTROLE condiciona para continuidade do crescimento do modelo.
Os Indicadores da Suframa registram que nos últimos três anos a produção de aparelhos celular cresceu expressivamente. Só em 2011, a indústria deste produto produziu 23% a mais em comparação a 2010. No entanto, em 2012, nos meses de janeiro a outubro, a produção de 18.569.409 milhões se mostrou um pouco menor que o registrado no mesmo período do ano anterior.
Esse quadro instável pode ser explicado tanto por se ter um mercado quase que saturado ou satisfatoriamente abastecido, em que as pessoas trocam menos de celulares, como pelos impactos da queda da demanda decorrente da crise econômica internacional refletida na economia brasileira.
Neste segmento, o faturamento obtido com as exportações cresceu de US$ de 89.364.715 (janeiro a outubro de 2011) para US$ 95.970.128 (janeiro a outubro de 2012). Apesar disso, o número de unidades exportadas caiu, passando de 2.419.873 (2011) para 1.759.406. Esta variação deve-se ao maior valor relativo por unidade exportada. Este seria um aspecto positivo, se a fonte deste maior valor agregado fosse a criação e produção local de ciência e tecnologia, o que não é o caso.
O modelo de desenvolvimento do PIM ainda é muito instável, dentre outros motivos, pela alta vulnerabilidade em relação à excessiva dependência de tecnologia e insumos importados. Para se ter uma ideia dessa desvantagem na estrutura do modelo, tome-se o ano de 2010, onde as exportações chegaram a 1 bi de dólares contra 11 bi de importações. Daí, tem-se 10 bi de déficit na balança comercial do Estado.
Apesar de o aparelho celular ser o terceiro produto mais exportado do PIM, ficando atrás somente das preparações para elaboração de bebidas e motos, não se pode prever que esse produto venha a permanecer por muito tempo liderando as exportações. Isto baseia-se em razões, como saturação do mercado, eventual entrada no mercado de novos produtos de consumo de massa e, também, pela incerteza das melhorias previstas nas obras de infraestrutura de portos aeroportos, etc. Permanecendo esta última hipótese, muitas multinacionais poderão direcionar suas exportações a partir de outros portos em que operam suas bases mundiais de exportações.
Em economia, nada é constante e todos os fatores convergem num movimento que pode mudar, a qualquer tempo, as regras e condicionantes que formam seu atual panorama. A única certeza de que o desenvolvimento não estagnará e nem declinará é que se mantenham as condições de:
a Segurança jurídica e respeito aos contratos – Tem-se a Argentina de hoje em relação ao Brasil, em que a perda de investimentos que está a ocorrer decorre das mudanças nas regras do jogo, como por exemplo: as limitações de compras de dólares, a estatização de empresas, o controle de preços, o embargo de exportações em defesa do mercado interno, a desvalorização do peso, a fuga de capitais e a inflação elevada.
a Controle inflacionário – A inflação é o maior imposto que pesa nas decisões de abrir novos negócios e prejudica o retorno dos cálculos de rentabilidade nas previsões de reinvestimentos, etc.
a Estabilidade política – Regras de transição democráticas e respeito à separação dos poderes são fundamentais. Veja o show de bola que o Supremo Tribunal Federal está oferecendo ao público externo, com o julgamento da Ação Penal 470. Um ambiente político estável em que a criação de leis e sua aplicação acontecem de forma imparcial, sem dúvida, representa um forte atrativo aos potenciais investidores.
a Crescimento do PIB compatível com a inflação anual – Para poder repor os investimentos na criação de novos empregos que aportam anualmente ao mercado.
a Aumento da corrente de comércio (maior volume anual de importações e exportações) – Este indicador caracteriza maior inserção do país no mercado global. Isto pode ocorrer tanto pelo lado da compra de novas tecnologias, insumos, máquinas e processos, como pela venda de produtos e/ou commodities (soja, algodão, café, ferro, cítricos, etc.) aqui fabricados.
A atual análise não conclui que o segmento de telefonia celular deva permanecer nesse cenário, já que teremos um PIB pífio em 2012 – entre 1 a 1,5% – bem abaixo do esperado, entre 3% e 4%. Este panorama pode evoluir, se nos dois anos finais do mandato a presidente Dilma conseguir reverter o quadro e emplacar um PIB mais consistente, sem deixar o câmbio extrapolar a faixa de R$2,00 a R$2,10/1US$ para não pressionar a inflação e obrigar o Governo a reverter sua politica de redução de juros, hoje em 7,25% a.a. A revista “The Economist” dessa semana já adianta uma previsão de que a equipe econômica teria que ser trocada para dar uma guinada no modus operandi da direção de nossa economia.

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