Momento é de cautela, não de pânico

Os olhos do mercado financeiro brasileiro estão voltados para a oscilação do dólar e quais os impactos para o investidor. Para tentar frear as alterações no preço, o Banco Central tem agido e injetado mais moeda no mercado, mas seu efeito está tímido. Mas como ficam as empresas e suas ações nesse momento duvidoso da economia? Buscando soluções que auxiliem os investidores, a HPN Invest, através de seu economista-chefe Edgar de Sá, esclarece quais são as consequências e o que é o melhor a ser feito neste momento.

Jornal do Commercio – Como a oscilação do dólar influencia nas ações/carteiras?

Edgar de Sá – Os principais ativos da Bovespa são de empresas ligadas a commodities. Em momentos como este, de incertezas na economia mundial, investidores procuram destinar seus recursos para países e/ou moedas mais estáveis, como os EUA, por exemplo. Daí o aumento do volume de vendedores de ações (o que leva a queda nas cotações) e o aumento de investidores que compram dólar (o que causa a elevação dos preços). É quase que um movimento natural: ações em queda (mais pessoas vendendo), dólar em alta (mais pessoas comprando).

JC – O que o investidor pode fazer?

Edgar – Uma alternativa é investir em fundos cambiais (atrelados ao dólar) e fundos ativos de ações, que não seguem o Ibovespa. Nestes fundos os gestores estão sempre à procura das melhores oportunidades no mercado. Os fundos cambiais também podem ser uma forma de proteção (hedge), mas quem quiser investir precisa estar ciente de que é uma aposta arriscada, uma vez que as moedas estrangeiras já subiram bastante. A Renda Fixa pode ser interessante também desde que o investidor procure por títulos que paguem juros reais (já descontada a inflação) de pelo menos 4% ao ano. Neste sentido as NTNBs com vencimento a partir de 2016, aparecem como boas opções. Para quem quer investir em ações, o momento é de cautela, mas não de pânico. O investidor deve dar preferência aos setores que caíram mais, como o de varejo, o bancário e o elétrico. Ações de empresas que se beneficiam da valorização cambial também devem ser analisadas.

JC – Qual as ações que sofrem menos?

Edgar – Se tomarmos por base apenas a questão cambial, não levando em conta as demais questões econômicas, como inflação, tributação, baixo crescimento, entre outros, as ações que menos sofrem são aquelas que não dependem diretamente da importação de produtos e/ou matéria prima, e que não possuem endividamento ligado ao câmbio, pois a alta do dólar pode encarecer insumos e elevar em reais dívidas em moeda estrangeira. Empresas de serviços e ligadas ao consumo interno, por exemplo.

JC – Quais as ações que valorizam mais?

Edgar – Mais uma vez tomando por base apenas a questão cambial, empresas exportadoras e aquelas que “recebem” em dólar, por exemplo, exportadoras do setor de papel e celulose, setor de aviação e empresas que sejam “neutras”, como as empresas ligadas ao comércio, são as que tendem a se beneficiar com a valorização cambial.

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