Moinhos brasileiros ficam sem impacto com reabertura das exportações de trigo

Para alguns empresários do setor, a Argentina nem sequer tem a quantidade divulgada disponível. Na conta da Abitrigo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo

A notícia da reabertura das exportações de trigo da Argentina em 2 milhões de toneladas, que era para ser recebida com otimismo pela indústria brasileira, teve um efeito contrário para o setor. A incerteza do cumprimento da medida e a decisão dos ministros que integram a Camex (Câmara de Comércio Exterior) pela manutenção da TEC (Tarifa Externa Comum) após o anúncio do governo argentino mostram que o problema ainda está longe de ser solucionado.

Para alguns empresários do setor, a Argentina nem sequer tem a quantidade divulgada disponível. Na conta da Abitrigo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo, eles possuem apenas 1,1 milhão, praticamente a metade, alerta o diretor executivo do Moinho Santa Clara, Christian Saigh, que afirma ainda que, mesmo com a abertura do registro, não é garantido que esse trigo venha para o Brasil. Mesmo se vier, não temos condições de registrar em março, embarcar e chegar no final do mês, fica um abastecimento justo e comprometido, avalia.

No Diário Oficial a resolução autoriza o registro de 400 mil toneladas por mês, mas não diz por quantos meses, nem que vai chegar a 2 milhões; além disso, as empresas só poderão registrar 12 mil toneladas por mês, o que dá um total de 33 empresas, enquanto no Brasil temos 219 moinhos, afirma o presidente da indústria Anaconda e presidente do Sindustrigo (Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo), Luiz Martins.

O executivo fala ainda sobre a inviabilidade de trazer o produto ao Brasil. Um navio carrega no mínimo 25 mil toneladas. Além disso, hoje o frete está muito caro, até US$ 50 dólares por tonelada, diz.

O presidente do Moinho Cruzeiro do Sul, Antenor Barros Leal, se mostrou mais otimista. O fator positivo dessa movimentação é que o governo brasileiro está reconhecendo a situação de dependência absoluta em que o setor se encontra. A partir de agora os fornecedores vão perceber que o governo brasileiro é capaz de reagir, ressalta.

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