Moedas e cédulas como hobby

No final do século 19 o amazonense Bernardo de Azevedo da Silva Ramos (1858/1931) chegou a ser o maior numismata do Brasil e um dos maiores do mundo com uma coleção de moedas raras e valiosas de vários países, só constantes em sua coleção.
Em 1900, o governo do Amazonas comprou a coleção de Bernardo Ramos por 300 mil réis e, nas décadas que se seguiram, é provável que muitas das peças tenham “desaparecido”. A coleção chegou a ser levada ao Rio de Janeiro, em 1900, e o presidente da República Campos Salles a quis comprar para expor no Museu Nacional. Também ficou por anos guardada no cofre de um banco, em Manaus. Ainda assim, a coleção tinha mais de 17 mil peças entre moedas, cédulas, medalhas e condecorações nacionais e internacionais quando foi exposta ao público na abertura do Museu de Numismática Bernardo Ramos, inaugurado em 1984, no prédio do Comando Geral da Polícia Militar, onde continua até hoje no, agora, Palacete Provincial.
Não fazendo jus ao pioneirismo de Bernardo Ramos, a numismática arrefeceu na capital amazonense e praticamente os colecionadores sumiram. “Hoje temos alguns ‘ajuntadores’, ou seja, pessoas que adquirem uma moeda aqui, outra ali e possuem um acervo, mas nada de colecionismo, que se constitui em estudar, pesquisar e conhecer profundamente cada peça”, explicou Paulo Estevão Rosário dos Santos, que está se transformando em numismata e notafilista.
Coincidentemente, Paulo Santos nasceu no ano em que o Museu de Numismática foi inaugurado e doze anos depois, começou a colecionar moedas, estimulado pelo pai que comprava nas bancas, semanalmente, os fascículos “Moedas & Notas do mundo inteiro” e dava para Paulo. “No ano seguinte parei de colecionar, voltei com 19 anos, parei com 21 e voltei novamente, acho que agora em definitivo, em maio do ano passado”, contou.

Um mundo fantástico
Numismática é o estudo científico de moedas e medalhas, bem como a notafilia é o estudo principalmente das cédulas. Um hobby puxa o outro. Pode ser apenas um hobby, quando o colecionador adquire peças de vários países para conhecer a sua história; ou um negócio, quando essas peças são raras e valiosas. Um exemplo desse segundo caso são as moedas lançadas pelo Banco Central comemorativas à Copa do Mundo deste ano.
São nove modelos de moedas: uma de ouro (cunhadas 2.720 unidades e vendidas ao preço de R$ 1.180, cada; duas de prata (cunhadas 12 mil unidades e vendidas ao preço de R$ 190, cada); e seis de cuproníquel (liga metálica que mistura cobre e níquel, cunhadas 7.400 unidades e vendidas ao preço de R$ 30, cada). Lançadas em janeiro, as moedas esgotaram em pouco tempo.
Atualmente Paulo Ramos já possui 600 moedas, de 66 países, e 300 cédulas, de 44 países. “Adquiro esse material através de leilões, na internet, e aqui em Manaus encontrei algumas peças num antiquário. Tenho tentado encontrar outros numismatas locais, colocando anúncios na internet, em sites especializados, mas até agora só consegui achar os “ajuntadores”, poucos, mas importantes porque a partir deles, podem surgir os numismatas, interessados em colecionar mesmo”, explicou.
Apesar das peças de ouro e de prata, citadas acima, o colecionismo de moedas pode ser praticado com pouco dinheiro. “Conseguimos comprar em leilões pacotes com moedas brasileiras vendidos por alguns reais. Essas moedas podem ser trocadas com numismatas de outros países e é como a coleção vai sendo ampliada com peças de todo o mundo. Só devemos ter cuidado com quem trocamos, pois existem colecionadores que recebem as moedas e não dão a contrapartida. As moedas brasileiras são muito procuradas pelos colecionadores do exterior. O que pode sair caro é enviá-las pelos Correios, já que moedas pesam. Com o tempo o colecionador vai aprendendo quais são as peças mais raras, as mais desejadas, as mais caras e desvendando um mundo fantástico de conhecimento”, ensinou.

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