Moda sustentável começa a ganhar escala no Brasil

Grandes marcas já se juntaram ao movimento ecológico e trabalham temas sustentáveis

A “camisa” com a preocupação sobre o futuro do meio ambiente também passou a ser “vestida” pelo segmento fashion. Criado há oito anos pela consultora de moda Chiara Gadaleta, o projeto EcoEra trilha pela conscientização sustentável dos membros que compõem o setor.
“Decidi usar minha voz na comunidade da moda para disseminar relações mais justas e um mercado mais conectado com as questões sociais e ambientais. Naquele momento sentia que o setor convencional deixava de me representar e estava irrequieta, por exemplo, com questões de descarte da indústria têxtil”, diz Chiara.
Ao contrário de décadas passadas, quando a carência de informação e o preconceito do consumidor eram fatores problemáticos para a discussão do assunto, atualmente a questão é levantada e trabalhada por grifes renomadas, como Armani e Levis, que se renderam à causa e lançaram linhas especiais de roupas com algodão orgânico, por exemplo. “Hoje, todos sabem que a moda ligada às questões sociais e ambientais é bem acabada, com design, e de preços equivalentes”, frisa Chiara.
Um tema que está em voga, mas com muitas dificuldades de compreensão. Então, o que seria essa moda sustentável? Segundo a consultora, o conceito está aliado a atributos sustentáveis e legítimos. “As marcas, produtos e empresas que trabalham com moda sustentável necessitam ter ligação direta e de forma continuada com quatro pilares da sustentabilidade: ambiental, no que dizem respeito a materiais orgânicos, técnicas como reaproveitamento, reciclagem, evitando assim que o descarte impacte no meio ambiente; o social, aquela que respeita e inclui o ser humano, como o fair trade, ou comércio justo, que monitora a relação entre as empresas e marcas com seus trabalhadores investigando trabalho escravo e infantil; o cultural, que diz respeito ao patrimônio de uma região ou país, como por exemplo a integração do artesanato nacional na cadeia produtiva e aspectos nacionais no design, e o econômico, que preza relações de geração de renda para comunidades e principalmente que fomente novos negócios e uma nova economia mais verde.”
De acordo com Chiara, a indústria sabe da importância em se conectar, porém, ainda existem dificuldades do setor, em especial aqueles relacionados a investimentos em novas tecnologias e planejamento para um modelo de negócio mais sustentável. “Também é importante que os novos estilistas passem a construir coleções e roupas de acordo com os atributos mencionados ao conceito”, pontua.
Com olhar nas ações desenvolvidas em outros países, Chiara explica que os americanos estão avançados e destaca o projeto “Zero Waste”, ou seja, o Desperdício Zero, em que todo o processo de criação já está completamente integrado a não gerar resíduos.
“Os estilistas da moda convencional no Brasil começam a se preocupar, pois os consumidores estão se tornando mais conscientes”, explica Chiara.
“Avalio que o Brasil evoluiu e contribuiu para o nascimento de uma nova moda, conectada com o meio ambiente e com a sociedade. Se pararmos para pensar que o Brasil ainda tem uma enorme quantidade de capital natural e humano, a moda sustentável poderia ser a identidade da moda nacional”, analisa a consultora.
De olho na ampla discussão sobre o assunto, foi criado o SP.EcoEra, evento semestral que reúne desfiles, mesas-redondas e oficinas para unir o mercado e possibilitar a criação de uma rede de relacionamentos e negócios. “Nossa última edição trabalhou com o olhar na região do Bom Retiro, em São Paulo.

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