No momento em que a palavra de ordem é o “isolamento social”, vemos o atual presidente do Brasil fazendo tudo o contrário. Enquanto o mundo todo toma medidas de prevenção contra o avanço do Covid-19, o presidente do país convoca manifestações contra os outros poderes democraticamente estabelecidos. E para piorar ainda mais a situação, o presidente ainda cumprimenta eleitores na frente do Palácio do Planalto, num total descompasso com recomentados de médicos do mundo inteiro.

Não obstante a esse episódio, que poderia ser um caso isolado, o presidente não sabe lidar com as críticas que chegam de todo o lado, inclusive de seus apoiadores no Congresso Nacional, dando demonstrações claras de que não possui capacidade, moral e intelectual, para conduzir o país, a maior nação da América do Sul, numa crise como essa. Todos os dias, quando não é ele, é alguém da família dele, surgem novas polêmicas, num governo altamente contraditório, sem comando e sem liderança moral.

A última polêmica dele, pelo menos até o momento em que escrevo este artigo, foi chamar Corona vírus de uma “gripezinha”, quando todos os especialistas em saúde do mundo são unânimes em dizer que se trata de uma “pneumonia aguda”. Para ser breve, transcrevo aqui a fala do meu filho de quinze anos, portanto, um adolescente, sobre o último pronunciamento do presidente a nação: “Ou esse presidente é ignorante ou irresponsável para cometer tantos erros num curto espaço de tempo”. 

Embora os seus eleitores o vejam como vítima, o que não procede, pois enquanto chefe de estado, ele tem o poder de assinar leis que beneficiem a todos, o que ele não fez até agora, existem responsabilidades especificas de um chefe de estado, que competem a ele, e ele, me parece, pelo menos nesse momento, não consegue, não sabe ou não quer exercer a função de chefe da nação, qual seja: liderar o país. Sinceramente, quem confia na liderança desse governo? A população já começou a manifestar a sua insatisfação por meio de “panelaço”, como o que aconteceu nessa terça-feira, dia 17 de março de 2020.

É bom que todos saibam que nas Escrituras, além dos poderes soberanos, divino e humano, há referência a um outro poder: o “dos governantes das trevas deste mundo” (Ef 6,12), “o reino de Satanás” (Mt 12,26) e “a soberania de Belzebu sobre os demônios” (Mt 9,34), isto é, sobre os espíritos que flutuam no ar, razão pela qual Satanás também recebe o nome de “príncipe do poder do ar” (Ef 2,2) e, por governar nas trevas deste mundo, “príncipe deste mundo” (Jo 16,11). 

Nesse momento tão controverso que vive o país, me vejo perguntando como o salmista (121: 2-8): “Levanto os meus olhos para os montes e pergunto: De onde me vem o socorro?” O interessante desse questionamento é que o próprio salmista responde: “O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Ele não permitirá que você tropece; o seu protetor se manterá alerta, sim, o protetor de Israel não dormirá, ele está sempre alerta! O Senhor é o seu protetor; como sombra que o protege, ele está à sua direita. De dia o sol não o ferirá, nem a lua, de noite. O Senhor o protegerá de todo o mal, protegerá a sua vida. O Senhor protegerá a sua saída e a sua chegada, desde agora e para sempre”.

Considero ser suficiente o que disse até aqui a respeito desse governo. Com isso, não pretendo impor nenhuma opinião própria, mas apenas mostrar quais são as deduções advindas da falta de uma liderança política, em confirmação do poder do presidente e de seus cidadãos: revolta social, convulsão social, a exemplo da Rússia, de 1917. Dessa forma, quando aludido às escrituras, tentei evitar os textos de interpretação dúbia ou controvertida, só citando aqueles cujo sentido é mais simples e que concordam com a harmonia e a finalidade da Bíblia, escrita para o restabelecimento do Reino de Deus na Terra.

Por fim, e não menos importante, cabe aqui dizer que não são as palavras brutas, mas, sim, o objetivo do escritor que dá a verdadeira luz pela qual um escrito deve ser interpretado; aqueles que insistem em analisar textos isolados, desconsiderando o principal objetivo, não podem tirar ilações claras, mas antes, atirar partículas de areia, como se fosse poeira, nos olhos dos homens. Visando apenas as próprias vantagens este governo, em vez de revelar a verdade, torna tudo mais obscuro do que já é. Como ele é um ex-militar e para todo militar “missão dada é missão cumprida”, será que a missão do presidente não já foi cumprida?

*Luís Lemos é filósofo, professor universitário e palestrante. Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2011), O homem religioso – A jornada do ser humano em busca de Deus (2016); Jesus e Ajuricaba na Terra das Amazonas: Histórias do Universo Amazônico (2019). Fone: 988236521. E-mail: [email protected]

Fonte: Luís Lemos

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