Ministro do Planejamento diz que BC poderá fazer novos cortes

A avaliação é do ministro Paulo Bernardo (Planejamento) que, ao contrário dos diretores do BC, não acredita haver um descompasso entre o crescimento da procura por bens e serviços e o aumento dos investimentos produtivos para atender a essa demanda.

Segundo o ministro, “se há em algum dado motivo de preocupação, ainda é um motivo pequeno”. “Na verdade, não tem nada alarmante, nada que esteja acontecendo na economia que sinalize dificuldades grande e graves no futuro próximo. Por isso, temos que continuar vigiando, mas incrementando o desenvolvimento”.

A afirmação do ministro foi feita ao ser questionado sobre as preocupações divulgadas pelo BC no último relatório de inflação sobre a possibili-dade de os juros continuarem caindo. “Se a inflação não tiver novos repiques, não estiver crescendo novamente é possível, sim (o BC continuar reduzindo a taxa de juros”, emendou.

Na semana passada, o cenário para inflação traçado pelos diretores do BC e atualizado a cada trimestre destacou grande preocupação com o nível de utilização da capacidade produtiva das empresas instaladas no país. O documento alertou para o risco de os investimentos que estão sendo feitos para que o país possa produzir mais não serem suficientes diante da aceleração do consumo. E isso pode se traduzir em mais pressão sob os preços em 2008. Tanto é assim, que o BC até elevou de 4% para 4,2% a projeção de inflação para o ano que vem.

A divulgação do documento, aliada ao fato de que, no mesmo dia, o CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu manter inalterada em 6,25% ao ano a TJLP -taxa que serve de referência nas operações do BNDES com o setor produtivo -reforçou a percepção dos investidores de que o corte dos juros será interrompido.

“Os analistas vivem olhando sinais. Acho que eles jogam pedrinhas ou sei lá o que”, ironizou Bernardo. “Só decidimos que a TJLP está num bom patamar. É quase metade do que era no começo do governo Lula. Não discutimos nada de Copom (comitê do BC que define a taxa básica de juros). Não tem espuma no copo”, afirmou.
A interpretação dos analistas levou em conta o fato de que a fórmula oficial que fixa o valor da TJLP considera a trajetória futura da inflação e do risco país. Com isso, a manutenção da taxa seria um sinal de preocupação com a inflação.

Bernardo afirmou que não vê pressões sobre preços num cenário futuro. Ele também lembrou que o comportamento da inflação será determinante para que o Banco Central continue a reduzir a taxa de juros. “Se a inflação não tiver novos repiques, como nos dois últimos meses, eu acho que é possível reduzir os juros”, afirmou o ministro.

De acordo com Bernardo, a função do BC é monitorar o comportamento dos preços e não há nenhum fator que indique problemas nos próximos meses.

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