19 de abril de 2021

Ministro diz que Congresso está em clima eleitoreiro

Para Paulo Bernardo, a aprovação de reajuste de 7,7% para aposentados compromete a sustentabilidade da Previdência a longo prazo

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse hoje que o próximo governo terá que fazer uma “maldade” para ajustar o “campeonato de bondades” ocorrido ontem na Câmara dos Deputados, onde foi aprovado um reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo. Ele afirmou que irá recomendar ao presidente Lula que vete as medidas.
Segundo o ministro, o acordo fechado anteriormente, de correção de 6,14% para os pensionistas, correspondia a um gasto de R$ 19 bilhões de 2010 a 2015. Com o percentual aprovado ontem no Plenário da Câmara, o valor subirá para R$ 30 bilhões.
Paulo Bernardo se disse muito preocupado com o clima eleitoreiro instalado no Congresso Nacional neste ano e prevê que no Senado o percentual de reajuste poderá chegar a um número ainda maior.
“Já ouvi falar em reajuste de até 9,6%”, disse ele. “O Congresso, pelo visto, não está preocupado com a sustentabilidade da Previdência no longo prazo neste período eleitoral. Isso é pura irresponsabilidade”, afirmou o ministro.
Bernardo classificou de demagógica a atitude dos parlamentares que aprovaram os dispositivos. “Tomar decisões em um momento de calor, em que as pessoas estão preocupadas com reeleição, se vão conseguir alguns votos a mais, tomar decisões baseadas em princípios demagógicos, eu acho irresponsável”, afirmou.
Ele mencionou ainda que ontem foi o aniversário da Lei de Responsabilidade Fiscal. “Passaram o dia comemorando, fazendo discurso, e hoje rasgaram a lei”, disse. Ele afirmou que quem vai pagar a conta das medidas aprovadas pelo Congresso são os contribuintes e reconheceu que vetá-las será uma atitude impopular. “Mas precisamos ter clareza de que a vida não se resume a eleições”, disse. “Trair ou não trair o eleitor é votar as coisas de forma que elas possam ser sustentáveis.” Bernardo afirmou que aprovar essas medidas agora para depois ter que mudar a política previdenciária seria equivalente a “enfiar a faca nas costas do eleitor, do cidadão e do segurado do INSS”.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email