Ministério dos Transportes tinha comitê para administrar propinas

O ex-ministro Alfredo Nascimento começou a cair no dia 14 de março, quando o Diário Oficial da União publicou a Portaria número 36. Com termos técnicos, o texto criou o Comitê de Acompanhamento de Gestão de Contratos, Obras e Serviços de Engenharia e Transportes. O órgão deveria aprimorar a supervisão ministerial, mas transformou-se numa espécie de “comitê de arrecadação”, pois tinha poderes para aprovar contratos, acompanhar a execução das obras e a liberação de pagamentos.
Desde então, a presidente Dilma Rousseff passou a olhar o Ministério dos Transportes com mais atenção. Um mês depois da divulgação da portaria, o Planalto começou a receber reclamações de empresários contra achaques, cobrança de propina e outras práticas do comitê, que tinha como coordenador Mauro Barbosa, ex-chefe de gabinete de Nascimento que, como o estadão.com.br revelou ontem, está construindo uma casa de 1,3 mil metros quadrados no Lago Sul, avaliada em R$ 4 milhões.
“O comitê passou a ser visto como um ‘comitê de arrecadação’. O ministro errou ao levar para o colo dele esse comitê. Passou essa ideia de arrecadação”, avaliou ontem um parlamentar do PR à reportagem. A partir do funcionamento desse grupo, empresários do setor de infraestrutura também começaram a se queixar da limitação das empresas participantes das obras, ainda segundo fontes parlamentares.
Os rumores foram crescendo e o secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), chegou a ser alertado das conversas que corriam sobre a atuação do PR no ministério e sobre os riscos políticos de uma operação como essa. O Ministro Alfredo Nascimento, enfim, ‘caiu’ e já se prepara para reassumir seu posto como senador, ‘demitindo’ da vaga o seu suplente, João Pedro (PT).
No Amazonas, a saída de João Pedro já repercute. Para o deputado estadual Chico Preto (PP), a situação de Alfredo diante das denúncias, apesar de ainda serem alvo de investigação por parte das instituições controladoras, enfraquece a bancada do Estado em Brasília. “O senador deveria se afastar também do Senado, pelo menos até que tudo seja esclarecido. O senador João Pedro (suplente de Alfredo) está com melhores condições de exercer o mandato”, disse Chico Preto.

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