19 de agosto de 2022
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‘Minha candidatura pelo Avante está consolidada’

MARCELO PERES

Face: @marcelo-peres  iNSTA: @jcommercio 

Pré-candidato ao Senado pelo Avante, o mesmo partido do prefeito de Manaus, David Almeida, Chico Preto acaba com as especulações de que ele não será o candidato da sigla para disputar o cargo nas próximas eleições, tendo principalmente como adversários de peso Arthur Neto (PSDB), o senador Omar Aziz (PSD-AM), que tentará a reeleição, e o coronel Alfredo Menezes (Republicanos).

Segundo ele, dois fatos já foram esclarecidos pelo seu grupo político sobre o próximo pleito – o arco de alianças liderado pelo prefeito em apoio à candidatura do governador Wilson Lima e a escolha de seu nome para disputar como senador.

“Até 21 de julho, meu nome será anunciado como candidato do Avante ao Senado, cargo através do qual pretendo ser um verdadeiro representante e a mais viva voz da população do Amazonas no Congresso”, ressalta o político, que tem 30 anos de vida pública, dos quais grande parte dessa longa trajetória dedicada à atuação como vereador e deputado estadual.

Até o final do mês, David Almeida também deverá anunciar o vice que irá compor a chapa com Wilson Lima, disse o pré-candidato. “Minha candidatura pelo Avante já está consolidada. O que dizem ao contrário não passa de mera especulação”, acrescenta o político.

Chico Preto garante ter musculatura, experiência política, conhecimentos e formação intelectual para defender as suas principais bandeiras no Senado, hoje configuradas na defesa da ZFM (Zona Franca de Manaus), nas diversidades econômicas e na segurança pública, demandas que sempre foram relegadas a segundo plano pelas atuais lideranças políticas da região, avalia.

Ele também é um crítico contumaz dos velhos caciques da política regional que sempre se revezam no poder, sem dar a contrapartida às demandas reivindicadas pela população, alfineta. “Estou preparado para ser o senador que o povo espera. Sou ficha limpa, conheço a fundo as prioridades de um Estado continental, principalmente nos municípios do interior, onde praticamente inexiste atividade econômica”, afirma.

Chico Preto se declara publicamente um bolsonarista, mas nem por isso deixou de criticar os decretos presidenciais reduzindo o IPI, extremamente nocivas às empresas instaladas em Manaus. “Nunca escondi a minha simpatia pelo presidente, mas não deixarei de defender um modelo de desenvolvimento que sustenta toda a nossa cadeia econômica, gerando 100 mil empregos diretos na indústria e 400 mil no comércio”, diz.

Ele participou da live ‘JC às 15h’, comandada pelos jornalistas Caubi Cerquinho e Fred Novaes, diretor de redação do Jornal do Commercio.

Jornal do Commercio – Você está num arco de alianças com o prefeito David Almeida. A grande expectativa é sobre qual deverá ser a decisão do partido em apoiar a candidatura de Wilson Lima, se fechará com Bolsonaro e o coronel Menezes, outro pré-candidato ao Senado. Como avalia essas questões?

Chico Preto – O David já anunciou o apoio à candidatura do Wilson Lima. Isso é fato, o que dá ao prefeito a possibilidade de indicar o vice que vai compor a chapa para disputar o governo do Estado.

Abaixo dessa composição para o governo, recentemente o Tribunal Superior Eleitoral, respondendo a uma consulta de um deputado federal de Goiás, garantiu que os partidos podem, independentemente da coligação majoritária para o governo, ter os seus candidatos a senador da República.

Então, o que está faltando nessa equação é a indicação do nome que vai compor a chapa com o Wilson Lima. Essa é a expectativa. Mas eu tenho a convicção de que o prefeito de Manaus anunciará esse nome somente no dia 31 de julho, ou seja, bem próximo do final das convenções.

O David tem feito várias reflexões. Portanto, já temos a candidatura ao governo e a do Senado, fatos consumados pelo Avante.

JC – O prefeito é uma das grandes estrelas desta eleição. Ele tem apoio da maioria da população. Mas a candidatura do Avante precisa ainda crescer em termos de resultados. Essa oficialização dele ao seu nome fortalece o movimento e a sua pré-candidatura?

CP – Sem dúvida alguma. Acredito que esse movimento político está bem próximo de acontecer. Se eu tivesse uma data, não teria problema nenhum de colocar. Ainda está sendo discutido, mas não tardará. Mais longe nós já estivemos.

Esse anúncio vai colocar um ponto final naquelas especulações. Costumo dizer que feijoada sem feijão e política sem fofoca não tem. A feijoada se alimenta do feijão e muita gente na política se alimenta da fofoca.

E uma das fofocas que eu sofro é essa história de que eu, mesmo após todas as declarações e todos os acontecimentos, ainda tenho gente que solta uma nota dizendo que o Chico não vai ser o adversário.

Humildemente, afirmo com toda a convicção que o Avante só tem a mim como candidato ao Senado. Ela está consolidada e nós vamos entrar em campo. Vamos enfrentar Arthur, Omar e quem estiver pela frente porque eu não posso escolher adversário. E nesse enfrentamento do bom combate, do bom debate, mostrar que o Avante tem time para jogar.

Tem estrutura e estratégia. E que o Avante tem o meu nome, um cara que começou mais de 20 anos atrás nesse processo político. Tive a humildade de começar como vereador, adquiri maturidade como vereador, ousou ser deputado estadual, foi abençoado.

Abaixo de Deus, o povo me fez duas vezes deputado estadual e depois mais uma vez vereador. Ou seja, trago musculatura política, maturidade, emocional, espiritual, intelectual para representar o Amazonas no Senado da República.

E resgatar o Amazonas desse sentimento que é comum em muitos amazonenses, que é o sentimento da vergonha, saber que o Senado está envolvido em Maus Caminhos.

Você não pode ter alguém que quando passou pela prefeitura quem comandava era a esposa, não era ele. As pessoas não querem mais esse tipo de situação para representar o Amazonas no Senado.

Então, eu trago num momento muito bom da minha vida pública, o meu nome para essa disputa. Lá atrás eu sequer tinha partido. E muitos diziam como é que o Chico vai ser candidato se nem partido tem.

No final do ano passado, o Avante, o David e todo o seu time me abraçaram no partido e disseram vem pra cá que você vai ter time para jogar.

Três semanas atrás, o David anunciou que eu serei o candidato ao Senado. E já estamos ocupando espaço. E com a figura do prefeito, nós vamos dar um salto.

O apoio do Avante não só vai eleger o governador Wilson Lima, bem como ocupará a vaga do Senado da República pelo Amazonas.

JC – Qual será a primeira grande proposta que você levará para o Senado?

CP – Vejo hoje muitas coisas acontecendo que me chamam a atenção. Ainda não consegui estabelecer uma ordem de grandeza porque todas são importantes.

Segurança, infraestrutura, a questão econômica do Estado são três grandes vertentes que precisam da ação de um senador que tenha propósito. E saiba o que vai fazer na tribuna do Senado da República. E que não reduza a política somente a emenda parlamentar.

Essa é uma crítica que eu faço. Muita gente reduziu a política a uma emenda parlamentar. Isso todo político vai ter. A questão é que nós temos grandes temas que precisam de intervenção política.

O episódio mais recente que tirou a vida de forma cruel de um jornalista e de um ativista da causa indígena, me leva a afirmar que o que se vive na região onde ocorreu o crime deixou de ser uma situação de segurança pública para ser uma questão de segurança nacional.

Há uma ascensão do crime organizado, do narcotráfico. Devemos convencer o governo federal ou a União de que as Forças Armadas precisam olhar para essa região de forma diferenciada e ocupar verdadeiramente esses espaços que estão vazios. Isso precisa ser dito na tribuna do Senado.

Também há a questão da diversificação da economia que passa por nós construirmos em parceria com o governo federal a criação de novos segmentos. Precisamos destravar a questão do potássio.

Estrategicamente, o Brasil é o celeiro do mundo. Mas para isso, precisamos explorar o potássio para produzir fertilizantes num horizonte de cinco anos. Mas precisa de um senador fazendo essa articulação.

Temos a BR-319 que ainda é um gargalo. A internet também é um grande desafio. E vivemos uma grande crise de representatividade. Veja só, o cara mais rico do mundo veio ao Brasil dizer que queria colocar internet no Amazonas.

Mas não tinha um senador da República junto com esse cara para construir soluções. Nas reuniões do CAS, não se vê nenhum senador. A grande maioria só reage quando a ZFM sofre ataques. Precisamos de uma postura pró-ativa por parte da bancada.  Os amazonenses não estão satisfeitos.

Também devemos priorizar o resultado do desenvolvimento de pesquisas. Tem muitos recursos para isso, mas não vejo o polo industrial sair dessa mesmice tecnológica. Todas essas atividades podem ser financiadas pela Zona Franca. Mas onde estão esses fundos?

O grande desafio do polo de Manaus não é tanto a questão do IPI, mas sim a tecnologia que fica cada vez mais para trás. Um polo que fica obsoleto. Mas pra isso a gente precisa destravar também o CBA, apontando novos produtos que possam atrair mais investimentos.

JC – Você falou sobre a necessidade de se desenvolver o Amazonas com os produtos regionais. Porém, há muitos entraves ambientais. Os investidores se cansam de esperar pelas decisões. Há muita burocracia. Temos como conciliar essas questões?

CP – Enfrentei esses problemas durante o impasse para a regulamentação da Uber em Manaus. Havia muita burocracia. Tive muita atuação para destravar tudo isso.

Esse é o olhar que levo para a questão ambiental. Pedirei ao governador para que desburocratize projetos de pessoas que queiram produzir. O Ipaam cria mais dificuldades do que soluções.

Precisamos compatibilizar o direito de produção com o desenvolvimento sustentável. E dá para fazer. Estamos no século 21. E temos exemplos e mais exemplos de países, como o Canadá, que tem um desenvolvimento de exploração sustentável de seus recursos naturais, minerais.

Nós podemos adotar essas tecnologias no Amazonas, explorando e gerando riquezas para nossa gente. Então, agirei com foco na desburocratização, apresentando projetos onde forem necessários, estimulando a atração de empresas.

Tem muita gente que não quer continuar seguindo com bolsas, auxílios, mas sim ter empregos para trabalhar, com o necessário respeito ao meio ambiente.

JC – Como pensa em ações que possam desenvolver o interior do Amazonas, gerando mais oportunidades para o homem nos outros municípios?

CP – A ZFM gera uma força centrífuga na economia regional. E essa atividade econômica recolhe impostos para o governo do Estado, que repassa para as prefeituras dos municípios, sendo aplicados nas folhas de pagamento e em serviços básicos.

Se não houvesse os recursos da ZFM, imagine a situação dessas prefeituras. O que o senador pode fazer é articular soluções, com dinheiro, com nações estrangeiras para trazer investimentos.

Países têm o interesse de atrelar seus nomes à região. O senador pode viabilizar aportes num fundo que financiará esse desenvolvimento no interior.

Em Manaus, o melhor segmento é a piscicultura. O peixe pode chegar para ser beneficiado com o incentivo da Zona Franca. Mas temos que resolver o  gargalo na produção de ração.

Temos uma série de elos que podem fomentar o desenvolvimento na região, mas desburocratizando as ações. Quero articular soluções com a prefeitura, o governo do Estado e com o governo federal.

JC – Até chegar ao Senado, há o caminho das eleições. Existe ainda um movimento muito claro em relação à velha política, principalmente entre representantes de comunidades e prefeituras. São ambientes contaminados que criam obstáculos para novas lideranças. Portanto, predomina o paternalismo político. Como encara o desafio de romper com todos esses elos num Estado continental como o Amazonas?

CP – Realmente, é um grande desafio. Assim como muitos políticos fazem de seus mandatos um balcão de negócios, ficam ricos da noite pro dia, eu tenho 26 anos de mandato, são seis mandatos nas costas, e moro numa casa de 80 metros quadrados.

Tem político que não tem dez anos de mandato e já mora no Jardim das Américas. E que não tinha nenhuma atividade econômica antes. E isso chama a atenção. A população tem que enxergar isso.

E há outras pessoas, que se autointitulam lideranças políticas, que fazem de um certo prestígio também um balcão de negócios.

Eu quero me apresentar para as pessoas que estão incomodadas e querem um representante de verdade, um representante político.

E, para isso, eu conservo a minha vida confiável. São 22 anos de mandatos, quase 30 anos de vida pública, sigo ficha limpa, sem estar envolvido em maus caminhos, na Lava Jato, no Petrolão, no caso Flávio, sem estar envolvido em tudo que desabona, o que tira o crédito de sua caminhada política.

Temos um milhão de eleitores no Amazonas com menos de 35 anos. Acredito muito nessa nova visão da juventude que é fruto das redes sociais, consome informações pelas redes, e está buscando um outro perfil de político que tenha ficha limpa, o cara que entende de tecnologia que será importante para a política, administração pública.

Um cara que tenha essa visão mais moderna para representar a juventude no Senado. Vamos enfrentar debatendo, com verdades acima de tudo. E não me faltará coragem. Espero que nós tenhamos um bom tempo de televisão a partir das coligações.

JC – No próximo ano, teremos um novo presidente. A reforma tributária deverá ser muito debatida. E ainda a questão sobre a ZFM, que aparentemente não é bem vista pelo governo federal. A sua atuação será independente em relação a quem ocupar a Presidência?

CP –   Muito em breve serei candidato a senador do Amazonas, do povo amazonense. Não vou brigar para ser senador do Lula ou senador do Bolsonaro ou do Ciro. Porque eles não precisam de senadores. Eles sabem muito bem se defender.

São políticos experientes.Têm canela grossa como eu. O Amazonas é que precisa de um senador. A curto prazo, sei que o Estado não tem condições de dizer ‘podem tirar a Zona Franca daqui’.

A gente tem que fazer o ‘mea culpa’. As gestões que passaram pelo governo do Estado não foram capazes de fazer um planejamento de longo prazo para engrenar alternativas que pudessem nos libertar durante esses 55 anos.

E ainda somos dependentes do modelo de incentivos fiscais.  Não pode o Paulo Guedes chegar e dizer que vocês podem agora progredir através do crédito de carbono. Isso é brincadeira de mau gosto.

Créditos de carbono não geram 100 mil empregos diretos no Polo Industrial de Manaus e 400 mil no comércio. Agora, nós precisamos avançar sobre novas alternativas de desenvolvimento.

A ZFM sempre terá desafios pela frente. E a questão da reforma tributária é um deles. Se a Zona Franca perde suas vantagens, as empresas não verão mais razão de continuar por aqui

E aqueles que acham que as empresas sairão da ZFM para se instalar em São Paulo, é um ledo engano. Muitas sairão do Amazonas para fora do Brasil.

Quando se tira a isenção do IPI na ZFM, você está permitindo que grandes empresas do Sul. Sudeste e Nordeste do País comprem produtos acabados da China, gerando empregos lá fora, competindo com os empregos gerados em solos brasileiros.

A ZFM preservou o bioma da região. E eu defenderei sempre o Amazonas. Terei uma relação pró-ativa com o governo federal. Quando a Zona Franca estiver sob a mira do tiro, sempre vou defendê-la.

Todos sabem que sou Bolsonaro, mas não titubeei em me manifestar publicamente e dizer que essas medidas são ruins para o Amazonas.

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