O brasil está vivendo mais uma crise que se assemelha ao “samba do crioulo Doido”, música antiga, porém bastante atual no sentido do tema, onde as coisas vão acontecendo em uma corrente tão alucinada quanto descoordenada e sem nenhum sentido. Enquanto o país acumula números tão tristes quanto absurdos de mortos pelo covid 19, o cenário político que deveria se concentrar em políticas públicas voltadas para a pandemia, se debatem em crises das mais diversas.

Por um lado, a incapacidade de gestão de nossos governadores e prefeitos provocam a cada dia decretos os mais diversos de lockdawns completos, parciais, paralelos e outros modelos mais, que ao invés de resolver o problema do isolamento social chegam mesmo a agravar. O caso de São Paulo é bastante significativo, quando o prefeito decretou o rodízio de circulação de carros de acordo com o final das placas e o resultado foi um verdadeiro pandemônio nos transportes públicos, com pessoas se aglomerando, sem máscaras, sem manter distanciamento e sem diminuir em nada o índice de isolamento.

Em cidades como São Luiz, no Maranhão, o Lockdown foi decretado e cumprido somente no centro da cidade, enquanto nas periferias a situação continuava tão bagunçada quanto em situações normais. A questão é que até agora não se conseguiu uma forma de fazer a população como um todo vestir a camisa das políticas públicas de saúde, o que prejudica os resultados esperados e deixa o nosso país na triste situação de possível epicentro da pandemia.

Mais triste e muito mais inexplicável ainda é a tentativa de se fazer uma abertura econômica, ou flexibilização como preferem chamar os técnicos, enquanto a curva de mortes e infectados continua a subir de maneira exponencial. E junto a esta ansiedade de uma volta utópica ás atividades, grupos que não tem ou não sabem o que fazer, começam a simplesmente reclamar ou militar contra coisas que nem mesmo entendem como funciona.

Estou me referindo ao caso do ENEM, que por si só já justificaria várias páginas de análises pelo absurdo que é, como forma de avaliação do que não deveria ou não poderia ser avaliado. Nossos supostos cientistas da educação até hoje não conseguiram enxergar o óbvio da ineficiência de avaliações ou implantações de políticas educacionais em nosso país de forma linear, sem considerar as regionalidades. O caso do Enem e do IDEB, quando estabeleceram índices de eficiência para as escolas de nível médio, acabou simplesmente com a educação brasileira. Foi a partir destes absurdos que nossos administradores educacionais (será?), resolveram que alunos não poderiam ser reprovados, arranjando um monte de mentiras para justificar este absurdo.

Pois em pleno pico de número de mortes por conta do COVID19, quando o governo resolveu manter a data das provas do Enem, uma decisão meramente administrativa, imediatamente aparece um grupo para bradar contra o Enem e dar ao mesmo a pecha de causador da injustiça na educação. É o resultado da maldição do politicamente correto gritando sem dor, militando sem causa, pois esse grupo não sabe, em primeiro lugar o que significa esta coisa que é o Enem, e nem mesmo a profundidade que é a bagunçada e injusta conjuntura em que foi transformada a educação brasileira nos últimos vinte anos.

Em uma tentativa de juntar os pontos quase impossíveis de unir, se não houvesse esta ação danosa no processo educacional neste período dos últimos três governos de nosso país, possivelmente seria mais fácil convencer a população a entender e aceitar o isolamento social como forma de defender suas próprias vidas. Também a manutenção dos programas econômicos e os investimentos se feitos em nosso país ao invés de feitos em outros países, certamente deixariam como legado para a nossa população um sistema público de saúde no mínimo decente, o que não aconteceu.

Finalizando, quando se analisa qualquer fato público, seja para condenar ou mesmo para idolatrar, precisa haver no mínimo um conhecimento do fato, um conhecimento de causa, para que não seja estes brados vazios do “SOU CONTRA! NÃO SEI PORQUÊ, MAS SOU!”

*Origenes Martins Jr é professor, economista, mestre em engenharia da produção, consultor econômico da empresa Sinérgio

Fonte: Orígenes Martins

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