Migrantes colaboram para concentração de pequenas empresas em zonas periféricas

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Perfis socioeconômicos das seis zonas da capital mostram que Manaus ainda oferece atrativos diferenciados, o que têm atraído grande número de pessoas interessadas em montar seu próprio negócio.

A influência do migrante empreendedor aliada à crescente disputa por nichos de mercado têm resultado numa maior concentração de pequenas e microempresas nas zonas periféricas de Manaus. Essa foi uma das conclusões obtidas com a pesquisa da Semdel (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico Local) divulgada na semana passada sobre os perfis socioeconômicos das seis zonas da capital.

O estudo revelou ainda que a maior parte da população ativa da capital, cuja maioria é composta de jovens (25 a 42 anos), trabalha com registro em carteira e ganha entre quatro e seis salários mínimos, isto é, cerca de R$ 2.280 mensais.A média salarial, segundo o gerente de estudos e diagnósticos da Semdel, Cláudio Roberto Mattos, pode ser considerada a maior se comparada a de outras capitais da região Norte, onde diagnósticos semelhantes serão preparados.

Mattos destacou que a escolha de onde montar os novos empreendimentos parece estar sob a influência dos novos moradores vindos de outras localidades. Morador do conjunto Nova Cidade, o serralheiro Mateus Gomes Ferreira, pernambucano de Caruaru é um exemplo disso. Com um pequeno negócio em Petrópolis, onde trabalha com mais três parentes vindos da mesma cidade, o empreendedor contou que pôde ampliar sua oficina, em meados de 1995, com a grande demanda pelos serviços de serralheria em Manaus.

“O crescimento dos negócios exigiu mais mão-de-obra, por isso mandei buscar alguns parentes. Hoje, estão todos aqui, pelo menos os mais próximos”, disse Ferreira, acrescentando que dois irmãos seus também seguiram os mesmos passos.

Para o cearense Francisco Silva dos Anjos, instalado com os nove irmãos desde 1979, a vinda para Manaus foi a saída para fugir da seca que devastou a plantação de milho e mandioca. Proprietário de uma pedreira, o nordestino contou que todos os parentes montaram seus próprios negócios na área de materiais de construção e não desejam retornar ao Ceará. “Percebemos, desde a nossa chegada, que Manaus é terra de ganhar dinheiro para quem gosta de trabalhar”, acrescentou.

Verticalização pode ser saída para resolver a falta de espaço

De acordo com a pesquisa, as zonas norte (341.107), oeste (258.869) e leste (249.931) foram apontadas como as de maior concentração populacional, enquanto os bairros mais tradicionais das zonas sul e centro-sul amargam, respectivamente, apenas as últimas colocações. A média de renda familiar per capita também parece estar concentrada entre essas três zonas, uma vez que 44% da população da zona leste, 27% no oeste e perto de 26% no norte ganham de quatro ou mais salários mínimos.

Mas na opinião do presidente do Crea-AM (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e Agronomia do Amazonas), Afonso Lins Júnior, os números sobre a concentração populacional podem ser entendidos como reflexo das invasões e não necessariamente como bairros organizados.

Segundo o executivo, não há como nem por que evitar a chegada de migrantes ao Amazonas a partir do crescimento da economia local, mas no plano diretor da capital já deveria estar previsto a verticalização como saída para a possível falta de espaço no centro urbano. “Esse inchaço é muito mais perceptível na zona leste, foco de invasões constantes, onde poder público local não tem garantido políticas severas que coíbam essa prática”, acrescentou Afonso Lins.

Estratificação populacional

O gerente de estudos da Semdel, Cláudio Mattos, disse que, com a conclusão da pesquisa, cujo objetivo principal foi obter dados concretos sobre a população para incrementar políticas de desenvolvimento econômico, Manaus saiu na frente de muitas regiões do Brasil. O especialista explicou que alguns dos resultados inéditos foram obtidos a partir da estratificação da população por zonas e confrontados com os dados recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Queríamos conhecer a realidade econômica do cidadão local, seu patrimônio, t

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