Migração de licenciamentos traz otimismo ao setor imobiliário

A mudança do órgão gestor responsável pela análise dos licenciamentos de projetos multifamiliares – que contam com várias habitações no mesmo empreendimento –, da Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) para o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) sinaliza maior rapidez nos processos burocráticos e a concretização das estimativas de crescimento do segmento imobiliário, segundo a Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas).

A entidade reforça, contudo, que a mudança não deve implicar em um volume maior do que anteriormente projetado para o encerramento do atual exercício. A Ademi-AM mantém suas apostas para o fim de ano e espera encerrar 2020 com R$ 1 bilhão em vendas em todo o Estado, crescendo 23% em relação ao faturamento apresentado um ano antes (R$ 814 milhões) – a mesma expectativa dos dias pré-pandemia

O presidente da Ademi-AM, Albano Máximo, explica que, bem antes da mudança, a atribuição chegou a ser compartilhada entre ambos os órgãos e que, “a partir de um acordo”, o Estado passou o licenciamento de alguns projetos menores para a prefeitura, como de postos de gasolina e de obras em áreas de menos de 10 mil metros quadrados. Os empreendimentos multifamiliares também estavam nessa lista. 

“Acontece que a gente já estava notando que iríamos ter uma crise de demanda para o terceiro e quarto trimestres deste ano, por conta da falta de aprovação de projetos, já que a Semmas não estava conseguindo dar vazão ao que estava lá. Conversamos com a prefeitura e com o Ipaam, e chegamos à conclusão de que o município não tinha condições de atender a procura, por falta de técnicos e aparato técnico”, relatou. 

O dirigente conta que, após várias reuniões, o Ipaam resolveu “atender pontualmente” a análise dos projetos multifamiliares e, desde o dia 6 deste mês, as empresas do segmento imobiliário do Amazonas estão protocolando seus projetos junto ao órgão. “Eles viram a necessidade do mercado. Temos uma previsão de R$ 100 milhões de faturamento por mês, no segundo semestre, o que é uma geração significativa de impostos. Isso, fora os empregos, porque este foi um setor que não parou com a pandemia, e continua crescendo”, comemorou.

“Mercado comportado”

De acordo com Albano Máximo, apesar da covid, o ano está fazendo o segmento imobiliário do Amazonas “chegar lá”. Os dados mais recentes da entidade apontam que o mercado imobiliário no Amazonas fechou o primeiro semestre de 2020 com faturamento de R$ 426 milhões, o que equivale a uma alta de 24,56% sobre as vendas alcançadas no mesmo período do ano passado (R$ 342 milhões). Vale notar que as vendas do segundo trimestre (R$ 221 milhões) – ocorridas no pito da pandemia e da quarentena no Amazonas – superaram as do primeiro (R$ 205 milhões) por uma margem de 7,80%.

“Isso ocorre por várias razões. Uma delas é que o mercado de construção não parou. A outra é que as pessoas foram para casa e começaram a sentir outras necessidades. Aquele dinheiro que iria para compras por impulso, no shopping, não teve mais. Aquela despesa da saída de fim de semana, não teve mais, assim como as idas a restaurantes. Isso, além do auxílio emergencial, gerou uma renda interna que impactou até em um desabastecimento momentâneo de alguns produtos”, avaliou.

Mas, o presidente da Ademi-AM ressalva que, a despeito da escalada no volume de comercialização de produtos do segmento imobiliário do Amazonas, não houve nenhuma explosão no mercado, que ainda segue abaixo de seu potencial de vendas, em virtude dos efeitos acumulados de duas crises. Conforme o executivo, os números mais recentes de vendas confirmam, mais do que um boom imobiliário, que “o mercado está comportado”, a despeito de “problemas sazonais”.

“Antes da crise, o mercado imobiliário tinha o tamanho de R$ 1,5 bilhão por ano. Em 2018, chegou aos R$ 800 milhões anuais. A previsão, no começo de 2020, era fechar com R$ 1 bilhão em vendas e crescimento de 23%. Os resultados estão dentro daquela crescente que estávamos esperando. Vamos chegar a essa marca, mas é claro que isso depende de coisas como a velocidade da aprovação dos licenciamentos, porque sem projeto, você tem uma crise de demanda e não tem venda”, finalizou.

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