Micros e pequenos ainda sem consultoria

Contabilistas e consultores
podem reduzir riscos e prejuízos para empresas

Ter perfil empreendedor e feeling pode garantir a longevidade e o sucesso de uma MPE (micro e pequena empresa) ou MEI (micro empresa individual), mas é inegável que sem informações sobre o mercado e seus processos, a tarefa de se manter um negócio em funcionamento torna-se um fardo difícil de carregar. A busca por profissionais de contabilidade ou consultoria em Manaus, tem evitado, mas não sem muito trabalho, que as taxas de mortalidade dos pequenos negócios aumentem.
Pesquisas indicam que 46% das MPEs no Brasil fecham antes de completar três anos de operação, por isso, procurar um profissional de contabilidade desde o início é uma das sugestões do bacharel em ciências contábeis e proprietário do escritório J.L. Contabilidade & Advocacia, Jonas Barbosa. “É uma premissa para todo negócio. A assessoria de um profissional evita que boas ideais sejam desperdiçadas. Desde o berço até o fechamento, o acompanhamento de um contador pode evitar prejuízos à empresa, não importa o porte do empreendimento”, resume.
De acordo com Barbosa, algumas campanhas voltadas ao empreendedorismo têm sido nocivas ao não informar sobre o papel do contador. “Algumas entidades tornam a abertura de um negócio uma coisa tão fácil, que a primeira coisa que o novo empreendedor faz é se endividar com um banco. Sem estudo, sem informações, correm à uma agência bancária. A assessoria e consultoria de um profissional, evitariam este endividamento e o fechamento precoce da empresa”, afirma.

Avaliar antes de iniciar
Os dados preocupantes são confirmados pela consultora da Consulte Serviços, Carmen Bernardes, que sugere de início um plano de negócios, o que funcionaria como um teste prévio de viabilidade. Assim se sabe o que será tendência, se vale a pena investir e se é necessário manter estoques. “Acompanhar o que pede o cliente evita que se invista errado, mas quantas vezes somos pesquisados em lojas sobre isso. Outro fator preocupante é o da falta de análise por parte de gestores, não fazer análises comparativas mês a mês, não te dá a ideia do que vende de verdade. Tem sido raro ver isso em grandes empresas e piora nas pequenas, é preciso se criar essa cultura”, ressalta Carmen.

Orientações
Com 37 anos de atividade no ramo contábil, Jonas Barbosa, diz que o trabalho do contabilista quanto a orientações, são os mesmos, ainda que contem com tecnologia. “Parece mais fácil para o empreendedor, mas um computador só ajuda a preencher os campos obrigatórios. As orientações de comportamento no mercado, vêm dos profissionais. Temos que ter sangue frio e dizer se tal empreendimento é viável. Manter uma empresa funcionando rende mais do que apenas abri-la”, conta Barbosa.

Burocracia
Ainda que diminuída, a burocracia ainda é um fator de preocupação para os micros e pequenos. O fechamento de uma empresa é um processo lento, burocrático e 44% mais caro do que a abertura, segundo levantamento feito pela Fenacon (Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas), prejudicando um segmento que emprega cerca de 60% dos trabalhadores com carteira assinada. “Os prejuízos são enormes, perde o empreendedor e aqueles que são demitidos. Orientações antes da abertura dariam a longevidade necessária a este segmento tão importante,” ressalta Barbosa.

Simplificação
Anunciado pelo governo federal em 26 de fevereiro, o programa Bem Mais Simples vem com a proposta de desburocratizar os processos de abertura e fechamento das empresas brasileiras. Durante o lançamento, foi anunciada uma nova ferramenta que fará baixa automática de empreendimentos, por meio do Portal Empresa Simples (www.empresasimples.gov.br). O programa também prevê a unificação dos cadastros para iniciar as atividades de uma micro ou pequena empresa em todos os órgãos públicos responsáveis pela questão.
Segundo a SMPE (Secretaria da Micro e Pequena Empresa), no Brasil são exigidos 20 documentos e cadastros para a abertura de empresas, enquanto em Portugal, por exemplo, são necessários apenas três. “Aí reside muito do trabalho que temos, muitos desistem com as dificuldades impostas. Desburocratizar é a solução. Mas como disse antes, é necessária a visão apurada de um profissional ao se abrir um negócio”, afirma Barbosa.

Artur Mamede
[email protected]

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