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Micro e pequenas empresas responsáveis por 70,06% das vagas com carteira assinada em Manaus

As micro e pequenas empresas mantiveram a liderança de geração de empregos com carteira assinada no Amazonas, em março. Responderam por 70,06% da oferta de oportunidades profissionais em âmbito local, ao abrirem 2.242 de um total de 3.200 vagas. Foi o terceiro mês de saldo positivo para as MPEs amazonenses e o melhor número desde setembro de 2022 (+3.314). Quase todos os setores contrataram mais do que demitiram, no mês e no ano. Embora tenha sido a segunda maior empregadora, a indústria teve novamente a maior parte de sua oferta oriunda das MGEs (médias e grandes empresas).

A quantidade de postos de trabalho formais gerada pelos pequenos negócios do Amazonas, em março, foi a mais alta desde setembro de 2022 (+3.314) – período pré-eleitoral e de nível atipicamente elevado de investimentos públicos. Foi um saldo 27,24% superior ao de fevereiro de 2024 (+1.762) e 119,80% maior do que o do terceiro mês do ano passado (+1.020). É o que revelam os dados extraídos do boletim do Sebrae (Serviço Braseiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) elaborado a partir dos números do Novo Caged.

A mesma base de dados aponta que a performance per capta das MPEs locais melhorou na passagem de fevereiro para março, com 14,58 empregos a cada mil gerados. Com isso, o Estado conseguiu subir da oitava para a segunda posição do ranking brasileiro, batendo as médias nacional (7,65 p/mil) e da região Norte (9,89 p/mil). Roraima (18,27 p/mil) e Amapá (2,03 p/mil) ficaram nos extremos da lista. O Amazonas (31,11 p/mil) aparece com o quarto melhor resultado do país no primeiro trimestre, logo atrás de Goiás (38,92 p/mil), Mato Grosso (38,54 p/mil) e Roraima (34,98 p/mil).

Em março, o conjunto da economia brasileira somou 244.315 postos de trabalho. As pessoas jurídicas de pequeno porte geraram 59,94% desse total (+146.434). O saldo veio menor do que o de fevereiro (+176.013), mas superou o do mesmo mês de 2023 (+132.056). A oferta veio principalmente dos serviços (+76.186), do comércio (+23.504) e da construção (+22.210). No acumulado do ano (+429.703), as MPEs responderam por 59,76% do total de vagas formais em todo o território nacional (+719.033), registrando um avanço de 21,92% sobre o mesmo período do ano passado (+352.433). 

Serviços e construção

Assim como ocorrido nos números globais do Estado, e da média nacional, os serviços responderam pela maior parte dos empregos com carteira assinada gerados pelas MPEs amazonenses, com 981 ocupações formais criadas em março, em um mês negativo para as médias e grandes empresas locais (-2). Foi um resultado ainda melhor do que o de fevereiro de 2024 (+829) e março de 2023 (+653). Os resultados foram pulverizados por diversas CNAEs, com destaque para transporte rodoviário de carga (+90), serviços de complementação diagnostica e terapêutica (+71), e armazenamento (+23).

A construção contribuiu com 400 novos postos de trabalho no Amazonas, entre as pessoas jurídicas de pequeno porte. A principal contribuição veio da atividade de construção de edifícios (+127), alimentando os serviços combinados para apoio a edifícios (+95). A indústria de transformação (+396) compareceu com a quarta maior oferta das MPEs, graças às linhas de produção de componentes eletrônicos (+16), em resultado pulverizado entre outras atividades. A geração de empregos do setor, entretanto, foi mais de duas vezes maior entre as companhias amazonenses de maior porte (+831). 

O comércio (+472) engatou a segunda posição e o segundo mês consecutivo de incremento de oferta de empregos formais no Amazonas, após os cortes generalizados promovidos em dezembro de 2023 (-241) e janeiro de 2024 (-255). O melhor saldo veio do “comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios – minimercados, mercearias e armazéns” (+98). SIUPs/Serviços Industrias de Utilidade Pública (+9) também contrataram mais do que demitiram, mas o mesmo não ocorreu com a agropecuária (-15) e a atividade extrativa mineral (-2).

No acumulado do ano, os crescimentos na oferta de empregos com carteira assinada se disseminaram entre as micro e pequenas empresas dos setores de serviços (+2.382), indústria (+968), construção (+869), comércio (+537), SIUPs (+19) e agropecuária (+9), em detrimento do segmento extrativo mineral (-2).

“Bom momento”

Em texto postado no site da Agência de Notícias Sebrae, o presidente do Sebrae, Décio Lima, avaliou que os números registrados pelas MPEs brasileiras em março demonstram o “bom momento” da economia brasileira e se somam a outros indicadores positivos, como a queda dos juros e o aumento da projeção para o PIB brasileiro. O dirigente destacou também que a primazia de Goiás, Mato Grosso, Roraima, Amazonas e Tocantins nos saldos acumulados de empregos dos pequenos negócios mostram que o eixo financeiro do país não está restrito aos “grandes centros” do Sudeste o Sul.

“Os resultados da economia mostram que estamos no caminho certo. Só nos três primeiros meses já foram geradas mais de 719 mil vagas, sendo mais de 429 mil pelas micro e pequenas empresas. Agora, com o programa Acredita Brasil, os pequenos negócios terão mais condições de gerar emprego e oportunidades. Junto com o governo federal, o Sebrae oferece condições para que o empreendedor consiga renegociar suas dívidas e acessar crédito assistido com garantia do nosso fundo de aval”, comemorou, acrescentando que o “pequeno empresário é a razão para o sucesso da economia brasileira”.

PIM e vazante

A gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, destacou à reportagem do Jornal do Commercio que, tanto os números de março, quanto os referentes ao primeiro trimestre apresentam saldos positivos de empregos formais, não apenas para os pequenos negócios, mas também para as médias e grandes empresas. A executiva salienta o papel estratégico do Polo Industrial de Manaus nesse processo, mas lembra que, no caminho do crescimento, ainda há expectativa de uma nova estiagem recorde. 

“O PIM, seja pelo aumento da produção e/ou do emprego, promove encadeamento nos pequenos negócios, que passam a demandar mais força de trabalho. A contratação de pequenos negócios para fornecimento de serviços (em especial) pelo PIM tem a capacidade de alavancar o faturamento e os empregos gerados pelas micro e pequenas empresas. Tenho expectativa positiva até julho, pois temo que a vazante possa impactar a economia do interior. Tudo vai depender do nível de baixa dos rios”, ponderou.

Nas mais recentes entrevistas à reportagem do Jornal do Commercio, o coordenador de Acesso a Crédito pelo Sebrae-AM, Evanildo Pantoja, também se mostrou otimista relação ao papel do empreendedorismo na economia nacional. “As contratações em nossa economia, em sua maioria, são realizadas pelas MPE’s e continuarão sendo assim, cada vez mais. Nos últimos anos, vem havendo um crescimento na atuação dos pequenos negócios em todas as áreas, incluindo indústria e comercio, mas principalmente em serviços”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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