Mercado se divide sobre direção do câmbio e dólar sobe a R$ 2,037

O Banco Central, pelo sétimo dia, ausentou-se do mercado e não realizou o leilão de compra de moeda, promovido diariamente nos últimos meses. Os negócios do câmbio “descolaram” ontem da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), fugindo da simetria habitual entre dois mercados –quando um cai, o outro sobe.
Profissionais de corretoras de câmbio vêm notando que muitos importadores, que deixaram para adquirir moeda após o “furacão” da crise financeira, encontram, agora, algumas dificuldades para conseguir moeda. No lado dos exportadores, uma parcela ainda aguarda para oferecer dólares para o mercado na expectativa de que a taxa retome o caminho para os R$ 2,10, como visto durante a semana passada.
“Há uma mescla de sentimentos entre os exportadores. Alguns acham que é só uma questão de tempo para cair abaixo de R$ 2 novamente. Outros ainda acreditam que o dólar pode voltar a subir [se a crise piorar]”, relata José Carlos Benites, gerente da corretora Moeda. A valorização das taxas foi provocada, principalmente na semana passada, pela retirada dos investidores estrangeiros dos recursos em Bolsa e renda fixa. Por esse motivo, acreditam alguns corretores, a taxa cambial deve retrair novamente, assim que esses investidores, ou pelo menos uma parcela deles, retornar ao mercado brasileiro.

Outra parcela de analistas e profissionais de mercado se preocupa com os desdobramentos das turbulências financeiras vistas nos últimos dias. E lembram que “nada foi resolvido” e que ainda não se conhece a extensão das perdas do sistema financeiro com os problemas do mercado de crédito imobiliário americano.
O mercado futuro de juros apontou taxas mais altas, após a prévia do IGP-M (0,59%) superar as expectativas dos analistas (0,35%). O contrato para janeiro do próximo ano foi a exceção, projetando juro de 11,28%, contra 11,31% ontem. No contrato de janeiro de 2009 a taxa projetada passou de 11,88% para 11,90%. E, no contrato de janeiro do ano de, 2010 a taxa negociada subiu de 12,13% para 12,22%.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings descarta a possibilidade de uma deterioração nas notas de risco soberano dos países da América Latina em meio ao cenário atual de crise nos mercados financeiros, segundo comunicado divulgado ontem. De acordo com a agência, apesar de as atuais condições do mercado financeiro serem menos favoráveis que o previsto anteriormente para o curto prazo, a maioria dos países da região estão bem fundamentados para o restante do ano. “Desse modo, a Fitch atualmente não espera nenhuma deterioração significativa no perfil de crédito dos riscos soberanos na América Latina”, disse o comunicado.
“Reservas internacionais mais altas, menor necessidade de financiamentos externos e a ampla presença de câmbio flexível na região deve oferecer flexibilidade à maioria dos países latino-americanos para lidar com as atuais condições externas”, avaliou a diretora-sênior do grupo de avaliação de risco soberano da Fitch, Shelly Shetty.
A Fitch estima em 22% a necessidade de financiamento externo na América Latina neste ano –muito abaixo dos 105% registrados em 2000–, devido aos atuais superávits em conta corrente na região e com as amortizações externas menores. Outros fatores, como os altos preços das commodities e a expansão dos mercados locais de capitais também reduzem a exposição da região à necessidade de financiamento externo.

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