10 de abril de 2021

Mercado interno puxa produção de celulares

A economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), disse que os recentes aumentos na produção

A produção industrial de celulares começa a mostrar claros sinais de reação, impulsionada pelo mercado interno, após amargar uma queda de 6,2% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período do ano passado. A economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), disse que os recentes aumentos na produção desse segmento estão sendo puxados por São Paulo e respondem a um crescimento das vendas domésticas.

Segundo os últimos dados divulgados pelo IBGE, relativos a agosto, a produção de celulares aumentou 18,6% no bimestre julho-agosto, ante igual período do ano passado. Somente em agosto, houve uma expansão de 20,6%. “O efeito negativo da queda nas exportações está ficando para trás e deve estar sendo neutralizado pelo mercado interno”, disse Isabella Nunes.

A especialista explicou que, enquanto caem as exportações de celulares, cresce um “componente cultural” que transformou o aparelho celular em status e, por isso, há muita procura por novos modelos. Em agosto, segundo dados da consultoria Teleco, a balança comercial de telecomunicações apresentou um déficit de US$ 5 milhões, com as importações somando US$ 192,6 milhões e as exportações, US$ 187,6 milhões.

Os produtos brasileiros de telecomunicações mais exportados são, segundo a Teleco, os aparelhos celulares. Ainda de acordo com a consultoria, no primeiro semestre de 2007 as vendas externas de celulares foram 21% menores do que em igual período do ano passado. Segundo Isabella, por causa do câmbio alguns fabricantes desviaram as plataformas de exportação para outras indústrias instaladas na América Latina.

Deslocamento da produção

De acordo com os consultores da Teleco, está havendo um deslocamento da produção de celulares do Amazonas para São Paulo A avaliação é comprovada pelos dados do IBGE, que mostram que enquanto na indústria paulista de celulares a produção cresceu 37% em agosto deste ano ante igual mês de 2006, no Amazonas houve queda de 12%.

O presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, disse que o deslocamento se deve a incentivos fiscais que estão sendo concedidos em São Paulo e que segundo ele, representam uma concorrência desleal e um retrocesso no processo de desconcentração regional do país.

Loureiro disse que como o ICMS (Imposto sobre Circulação de mercadorias e Serviços) sobre os aparelhos produzidos na indústria paulista é praticamente zero, e o do Amazonas de 18%, “fica uma situação desproporcional”. Ele disse que o Estado do Amazonas já entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a legalidade dos incentivos fiscais praticados em São Paulo.

As fábricas de telefones celulares no Brasil estão concentradas na ZFM (Zona Franca de Manaus) (Nokia, Siemens (BenQ), Gradiente, Vitelcom e Evadin) e em São Paulo (Motorola, Sony Ericsson, LG, Samsung, Telemática (Venko), Kyocera e Huawei).

Enquanto decrescem as exportações, as vendas de celulares no mercado interno crescem significativamente, abastecidas não apenas pela indústria local, mas também pelas importações. As projeções da Teleco estimam em 50 milhões a venda de celulares no mercado brasileiro em 2007, ante um número também estimado -o IBGE só divulga o volume consolidado no ano que vem- de 37 milhões no ano passado.

Segundo Isabella, além do hábito adquirido pelos consumidores de troca dos aparelhos por modelos mais novos, o crédito também está incentivando a aquisição de novos modelos.

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