Mercado imobiliário do Amazonas registra alta nas vendas

O mercado imobiliário no Amazonas fechou o primeiro semestre de 2020 com faturamento de R$ 426 milhões, o que equivale a uma alta de 24,56% sobre as vendas alcançadas no mesmo período do ano passado (R$ 342 milhões). Os números foram fornecidos pela Ademi-AM (). O resultado superou as expectativas da entidade, em face do cenário de desestabilização e ensaio para depressão econômica desenhado pela crise da covid-19.

Mais surpreendente ainda foi o fato de as vendas do segundo trimestre (R$ 221 milhões) terem superado as do primeiro trimestre (R$ 205 milhões) por uma margem de 7,80%. Vale notar que o período que vai de abril a junho registrou o auge, até então, nos números de novos casos e mortes pela pandemia no Amazonas. 

Por conta disso, a despeito das incertezas decorrentes da pandemia ainda em curso, a Ademi-AM renovou suas apostas para o fim de ano e espera encerrar 2020 com R$ 1 bilhão em vendas em todo o Estado, crescendo 23% em relação ao faturamento apresentado um ano antes (R$ 814 milhões). Trata-se da mesma projeção inicial realizada pela entidade, nos dias pré-pandemia.

De abril a junho, as vendas líquidas das unidades residenciais verticais, comerciais e horizontais totalizaram 995 unidades. Somadas estas vendas representam um VGV (valor geral de vendas) de R$ 221 milhões. Sobre as velocidades de vendas, o 2º trimestre de 2020 teve uma velocidade de 23,9% em unidades residenciais, 5,5% em unidades horizontais e 1,7% em unidades comerciais. 

A maior parte das vendas no segundo trimestre de 2020 se concentraram nos imóveis de padrão econômico (752), seguidas pelos demais padrões verticais (194), pelas unidades horizontais (44) e pelas unidades comerciais (5). Em relação à comercialização por bancos, foram vendidas 6 unidades do padrão econômico e 43 unidades dos demais padrões verticais e 1 unidade comercial. 

A maior parte das vendas do segundo trimestre deste ano se concentrou nas zonas Oeste, Centro-Oeste e Norte, conforme a base de dados da Ademi-AM. Os bairros que representaram, juntos, 61,4% das unidades vendidas do período foram Lírio do Vale (162), Cidade Nova (120), Alvorada (119), Bairro da Paz (113), Parque Mosaico (104) e Tarumã  (94). 

Políticas e confiança

Indagado sobre os fatores que alavancaram os números do segmento em plena crise, o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM, Henrique Medina, avaliou que o paradoxal aumento de confiança e o panorama macroeconômico diferenciado que já estava sendo formado antes da pandemia, assim como as políticas federais de fomento, fizeram a diferença. 

“Atribuímos muito esse resultado à confiança do consumidor, que acreditou que é o momento certo é este. E isso se deu pelas condições históricas de juros baixos e da taxa Selic em um patamar nunca visto nos últimos anos. Estamos em um momento muito favorável para o setor imobiliário, e isso foi refletido nos números do semestre de 2020. Diante de tudo isso e de uma pandemia, estamos muito felizes com os resultados”, afiançou.

Sobre a retomada das projeções iniciais, Medina lembra que a estimativa já era, antes da crise da covid-19, atingir a marca de R$ 1 bilhão. Mas o cenário econômico incerto traçado pelos impactos do alastramento da pandemia em solo amazonense reverteram momentaneamente esse quadro. Até que as vendas não presenciais ajudassem o segmento a se manter em movimento.

“Mas, felizmente o mercado soube ser resiliente e se reinventar para enfrentar as dificuldades, usando artifícios tecnológicos para isso. Tanto é que às vendas online continuaram a todo vapor. Então, diante de um cenário positivo, voltamos a acreditar que os números seriam positivos. E acreditamos que o segundo semestre vai ser ainda melhor, pois historicamente os números desse período sempre são maiores”, asseverou. 

Clientela e obstáculos

Sobre o perfil da clientela e se estes buscavam mais o imóvel para morar ou como reserva de valor para investir, o diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-AM considera que houve uma espécie de equilíbrio. “Foram pessoas que tinham dinheiro para aplicar no mercado imobiliário, pois aproveitaram o momento das oportunidades. Os produtos com mais saída ainda são os econômicos, mas já observamos crescimento significativo em outros produtos, inclusive no médio e alto padrão”, informou.

O dirigente ressalva, no entanto, que ainda há obstáculos no caminho do setor imobiliário do Amazonas, como o risco de a aceleração da saída de produtos não ser correspondida pela velocidade de lançamentos e formação de estoques, que atualmente se encontra em baixa. Outros fatores que sinalizam riscos menores vêm das áreas ambiental e cartorial. Mas, segundo Medina, já estão sendo contornados pela entidade.

“Hoje, recebemos o diretor-presidente do Ipaam [Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas], Juliano Valente, para um bate papo, e estamos superanimados com a desburocratização dos entraves. Estamos também na luta pela aprovação na Aleam [Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas] do projeto que reduz 30% das taxas cartoriais, pois temos as maiores do Brasil. Essa redução beneficiaria o mercado e ajudaria muito o consumidor”, finalizou. 

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