Mercado de trabalho ainda impactado pela pandemia

A crise da covid-19 fez com que 560 mil amazonenses – 73,7% da população que queria trabalhar – desistir da procura, em maio. Em torno de 179 mil tentaram a sorte, mas não conseguiram. Como resultado, a taxa de desocupação no Amazonas foi para 12% (759 mil) e a informalidade chegou a 49% (641 mil). Em resumo, o Estado teve 938 mil trabalhadores que enfrentaram dificuldades na inserção no mercado local, tanto pela falta de vagas, quanto pelo medo de se contagiar com o novo coronavírus.

A pandemia também fez com que pelo menos 221 mil trabalhadores do Amazonas fossem afastados emprego, deixando de receber. Entre os que conseguiram manter a ocupação, em torno de 87 mil passaram a trabalhar remotamente. Os dados são os primeiros resultados mensais da Pnad Covid19 e foram divulgados pelo IBGE, nesta quarta (24). O levantamento é uma versão da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada com apoio do Ministério da Saúde, e com metodologia diferente. 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima que 1,307 milhão de pessoas estavam ocupadas em todo o Estado, o equivalente a 44,2% do total de amazonenses que tinham 14 anos ou mais e estavam com idade para trabalhar (2,955 milhões). Em torno de 641 mil estavam na informalidade, categoria que inclui empregados sem carteira, que não contribuem para o INSS, ou que não recebem remuneração por ajudar algum parente ou outro morador em domicilio.

“A taxa foi muito alta no Estado. (…) Esse número percentual de 49% deixa o Amazonas no quarto lugar do ranking nacional da informalidade, entre todas as unidades federativas do Brasil. Na primeira posição está o Amapá, com 52%, apenas três pontos percentuais acima”, salientou o coordenador estadual da pesquisa Pnad Covid19, Tiago Almudi. 

A taxa de desocupação no Amazonas (12%) foi a sétima maior em todo o país. Entre os amazonenses que tinham ocupação remunerada, 498 mil trabalhavam por conta própria, 336 mil estavam no setor privado e no mercado formal, enquanto outros 135 mil eram militares e servidores estatutários. Em relação ao trabalhador doméstico (45 mil pessoas), a maioria (39 mil) atuava com carteira assinada.

“A taxa de desocupação indica que o isolamento por conta da pandemia trouxe fortes impactos no emprego. Isoladas, as pessoas não tiveram como procurar trabalho ou, quando buscaram, não encontraram. Quase 22% dos amazonenses ocupados estavam afastados do trabalho, por conta do distanciamento social”, acrescentou Tiago Almudi. 

Administração e salários

O setor econômico que mais empregava no Amazonas, segundo o IBGE, era o que incluía as atividades de administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (244 mil pessoas), seguido por agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (203 mil), comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (177 mil) e indústria em geral (141 mil) – sendo que a maioria estava na indústria de transformação (116 mil).

A quantidade de pessoas que foram afastadas do trabalho na semana de referência da pesquisa foi de 367 mil, sendo que 282 mil estavam nessa situação em decorrência das medidas de distanciamento social. A região Norte (23,3%) foi a segunda na proporção de trabalhadores nessa situação, perdendo apenas para o Nordeste (26,6%). Em contrapartida, o Sul (10,4%) ficou na última posição.

Entre os amazonenses afastados, 60,2% (221 mil) deixaram de receber remuneração do trabalho – fatia que representa 16,9% das pessoas com ocupação profissional no Estado. As regiões Nordeste (55,3%) e Norte (53,2%) foram as mais lideraram as estatísticas nesse quesito em todo o Brasil, conforme o IBGE.

Entre os que ainda estavam ocupados no Amazonas, 9,3% (87 mil) passaram a trabalhar de casa, em sintonia com as medidas de quarentena. A pandemia também reduziu a quantidade de horas trabalhadas para 35 mil pessoas, ao mesmo tempo em que aumentou a carga para outras 276 mil. Em resumo, o número médio de horas trabalhadas foi de 35,7 e o número médio de horas “efetivamente trabalhadas” foi de 22,7.

O rendimento médio “normalmente” recebido pelos trabalhadores do Amazonas em maio foi de foi de R$ 1.765 – mas o “efetivamente recebido” não passou de R$ 1.441. A massa de rendimento médio “normalmente” recebido chegou a R$ 2,18 bilhões, ao passo que o “efetivamente” recebido foi de R$ 1,79 bilhões. O IBGE informa também que em torno de 55,8% de domicílios no Amazonas contam com pelo menos um habitante que recebe auxílio emergencial – R$ 983, em média. Já o rendimento real domiciliar per capita médio foi de R$ 957, em todo o Estado.

“O rendimento ‘normal’ é aquele que o empregado habitualmente recebe por um mês de trabalho. Há uma diferença com o que o rendimento que ele efetivamente recebeu. Há muitos trabalhadores que tem uma previsão de ganho, mas acabam não conseguindo isso”, explicou o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques.

Pós-pandemia

O pesquisador evita fazer previsões, mas ressalta ao Jornal do Commercio que, ao mesmo tempo em que a Pnad Covid19 aponta para taxas elevadas de desocupação e do trabalho informal, a situação pode ser ainda pior no período pós-pandemia, quando não houver mais fatores sanitários que inibam a procura por emprego no Amazonas. Ou nem tanto, dependendo da qualidade da retomada. 

“Vejam que esses dados foram coletados em uma situação em que as pessoas ainda estavam em isolamento. Portanto, o retorno ao mercado de trabalho dessas pessoas irá refletir a nova situação do emprego no Amazonas. Isso tudo, levando em conta a nova economia pós isolamento social”, finalizou

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