6 de dezembro de 2021

Mercado de drones cresce em Manaus

Um mercado que não conhece crise e que está em franca expansão em Manaus. Os drones vieram para ficar, seja como opção de lazer, ou como um meio de ganhar dinheiro. Aliás, a segunda alternativa, pode render uma remuneração mensal média de R$ 5,6 mil/mês, com carteira assinada, em uma profissão -piloto profissional de aeronaves remotamente pilotadas –que até um tempo atrás sequer existia.  

O casal de empresários Christopher Genu, 36, e Thalia Genu, 24, resolveu apostar no ramo, e há dois anos fundaram a Pro Drones, pioneira no segmento na região Norte.

“A gente viu a necessidade desse mercado, que é um mercado que está em expansão, de tecnologia aeronáutica, e nós decidimos criar uma empresa voltada a esse componente aeronáutico. Porque aqui no Norte, ainda não tinha uma empresa que se voltasse totalmente para serviços e também principalmente para uma academia de drones. Então a gente se tornou a primeira academia de drones não só do Estado do Amazonas, mas também da região Norte”, explica a diretora-geral e piloto UAS (sigla em inglês para Sistema de Aeronave sem Tripulação), Thalia Genu, que além de piloto, cuida da parte burocrática do negócio.

Christopher Genu e Thalia Genu investiram no negócio apostando no potencial – Foto: Divulgação

Diretor-geral e Instrutor Piloto UAS, da Pro Drones, Christopher Genu, que cuida do time de instrutores na empresa, conta que depois de oferecer o curso de pilotagem profissional, a empresa já se prepara para o próximo salto no mercado. “Começamos a academia com cursos básicos de pilotagem profissional, agora, estaremos lançando especializações voltadas para filmagem profissional com drones, inspeção, mapeamento… tem muita gente que procura essas especializações”, revela.

Não é brinquedo, não

Tirar um drone do solo, mesmo que de forma recreativa, exige uma série de cuidados, inclusive para evitar acidentes, já que este componente aeronáutico pode atingir grandes alturas, e invadir o espaço aéreo de aeronaves. Neste sentido, a empresa do casal Genu faz todo um trabalho educacional. Parte deste trabalho, no sentido de ofertar mais informações sobre o uso do equipamento, é feito inclusive nas redes sociais da empresa. “Através das mídias sociais, a gente lança informações, orientações para os nossos clientes, para que eles possam conhecer este equipamento como um componente aeronáutico, não como um brinquedo”, ressalta Thalia, que conta que lançou uma série nas redes sociais da empresa chamada “Drone não é brinquedo, não”, que ajuda a esclarecer os cuidados necessários para este tipo de equipamento, que para realizar alguns voos específicos, precisam até de autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), além de toda uma legislação específica que está em constante atualização.

Meninos e meninas

Quando o assunto é gênero, Thalia explica que o mercado ainda é dominado pelos homens, que fazem parte dos 80% dos interessados que procuram formação para piloto profissional. Para ela, é necessário uma quebra de paradigmas para que mais mulheres possam ingressar no mercado.  “A presença feminina ainda está engatinhando. É necessário uma quebra de paradigmas. Muitas devem pensar: – Será que é só homem que pode pilotar? Não sei se vou ser bem vista como piloto… Esse tipo de coisa. Tanto o homem quanto uma mulher, podem ser piloto, tem total capacidade. Eu sou uma piloto profissional. Sou eu quem faço os serviços de filmagem, inclusive de acompanhamento de obras”, ressalta.       

Vertentes

Drones que operam pulverização para agricultura, equipamentos voltados a inspeções elétricas em subestações, filmagens profissionais. Para cada demanda, existe um equipamento e um preço de serviço diferente. “Tem gente até fazendo contagem de cabeça de gado em fazendas. Aquele cachorrinho que foi treinado, foi aposentado pelo drone”, conta Christopher, que já planeja expandir os negócios para Boa Vista, em Roraima.

Mudança na pandemia

O casal Genu conta que, antes da pandemia, já fazia planos para avançar no campo do ensino remoto, mas, o surto global do sars cov 2, acabou impulsionando o novo modelo de negócio mais rápido do que eles poderiam imaginar. “Passamos seis meses montando o curso, gravando, editando, na plataforma, desenvolvendo tudo do zero”, lembra Thalia.

Drone, um amor à primeira vista

Drones conquistam cada vez mais espaço para serviços diversificados – Foto: Divulgação

O videomaker Adriel Aleme, 26 anos, conta que teve o contato com um drone, pela primeira vez, no ano de 2019, quando foi produzir o vídeo clip de uma banda. “O cenário do clip era um local abandonado, numa pista de skate próxima à ponte sobre o rio Negro. Eu queria valorizar aquele cenário ali, queria mostrar como é que era”, conta.

À época, Aleme decidiu contratar um piloto de drone, uma vez que ele não tinha noção de como o aparelho funcionava, muito mesmo entendia a burocracia necessária. E ele conta que, quando viu o equipamento, foi “amor à primeira vista”. “Quando eu vi um drone pela primeira vez eu falei: cara… É isso que eu quero! Vi o cara pilotando, fazendo uma manobra de 360° na banda, um mês depois comprei meu primeiro drone”, lembra.

Os treinos com o equipamento novo, Adriel fez em áreas abertas como a praia da Ponta Negra, e em galpões, para aprender a voar em ambientes fechados. “Na primeira vez que voei, minha mão tremia. Eu não me senti nenhum pouco seguro. Para mim aquilo ia despencar a qualquer momento”, lembra.

As técnicas de filmagem, Aleme conta que desenvolveu observando takes feitos de helicópteros em produções hollywoodianas. “Eram aqueles takes de filmes, de quando as pessoas estão chegando na cidade, sempre começa o filme assim… Por exemplo, em Nova Iorque mostra aquele take com câmera para cima mostrando o horizonte. Sempre fui treinando aqueles movimentos que via nos filmes. Um 360 que valoriza bastante o local. A visão de águia que a gente chama, dá uma sensação de isolamento no local e eu fui treinando todos esses movimentos para colocar nos meus trabalhos para deixar um negócio bem cinemático”, explica.

Redução de custos

Para o videomaker, uma das grandes vantagens de um drone é a redução nos custos de produção, já que antigamente, filmagens aéreas dependiam do uso de helicópteros. “É um equipamento que veio para substituir aquele gasto que tinha antes, que era contratar um piloto de helicóptero, um cameraman para operar o equipamento, ou seja, um gasto absurdo que tinha. Hoje em dia está bem simples, basta contratar um piloto de drone ou comprar um drone”, conclui. 

Mudança de patamar profissional

O primeiro contato com o drone foi um “amor à primeira vista”, mas o que veio depois disso foi um impulsionamento total à carreira do videomaker. Aleme conta que depois que comprou seu primeiro equipamento, seu negócio decolou de vez. “Hoje é algo imprescindível no meu trabalho. As pessoas ligam pelo drone, perguntam pelo drone. Então agrega muito, mas tem que saber dominar a coisa”, lembra.

Com o novo equipamento, a agenda de serviços da Aleme Visual, a empresa de Adriel ficou cheia. “As coisas começaram a alavancar nos meus negócios. Comecei a mostrar um diferencial para o meu público”, conta o profissional que já atua no mercado há quatro anos.

Faz tudo

Outra vantagem é que, agora, o videomaker conseguiu dar conta de todas as etapas de produção: filmagens terrestres, takes aéreos e edição de vídeo. “Em vez de uma empresa contratar várias pessoas, eles contratam agora uma pessoa só, que sou eu, que cuida de todas as etapas do processo. Isso melhora inclusive na comunicação direta com o cliente, você já vai direto naquilo que o cliente quer”, aponta.  

Atualização  

Independente do ramo, manter-se atualizado é uma estratégia/exigência para a sobrevivência no mercado. Pensando nisso, Aleme conta que sempre está se atualizando a respeito de novos modelos de drones que chegam ao mercado, bem como aprimorando suas técnicas de filmagem. “Eu sempre estou pesquisando os drones na internet, no YouTube, o que vai ser lançado, o estilo de voo, porque cada drone tem suas especificidades. Tem drones de cinema que precisam de duas pessoas para operar. Uma para fazer o voo e outra para operar a câmera. Tem os comuns que usamos, e tem os drones FPV, drones para gravar corridas, mas tem que ter uma habilidade enorme para manusear esse tipo de equipamento”, atesta.

Para o profissional, os drones FPV serão a nova tendência do mercado. “As pessoas estão vendo o diferencial desse tipo de drone. No mercado imobiliário, as pessoas contratam os pilotos para fazerem um tour da casa. É um voo direto, que coloca o cliente dentro do imóvel, passeando por todos os cômodos”, finaliza Adriel.      

Foto/Destaque: Divulgação
Reportagem de Leanderson Lima

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