21 de janeiro de 2022

Mercadão – o impasse continua

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa é um dos mais significativos exemplares da arquitetura de ferro do país. Foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no dia 1º de julho de 1987

O Mercado Municipal Adolpho Lisboa é um dos mais significativos exemplares da arquitetura de ferro do país. Foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no dia 1º de julho de 1987. Hoje, permanece fechado devido à conclusão da reforma ser adiada diversas vezes, desde 2006 em meio a polêmicas envolvendo a Prefeitura Municipal de Manaus, a CMM (Câmara de Vereadores), o Ministério Público e o Iphan.
Em 1977, a prefeitura realizou a primeira reforma no mercado, pouco expressiva. A significativa começou em dezembro de 2006, através de um convênio entre a prefeitura e a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), com orçamento aprovado em R$ 5,3 milhões, à época. Para a realização da obra, os 311 permissionários do mercado, foram transferidos para o Armazém 20, de propriedade do Porto Privatizado de Manaus.
De acordo com a Seminf, o prédio histórico conhecido por Mercadão, será entregue com duas praças de alimentação e 163 boxes. Os trabalhos ainda vão demorar 365 dias e o pagamento cerca de R$ 8 milhões. Conforme o órgão, o valor total da obra no atual contrato é de R$ 11 milhões e mais de R$15 milhões serão necessários para conclusão do restauro.

Preocupação

Uma pesquisa revelou que 67% dos permissionários acreditam que a reforma trará melhorias ambientais e aumento nas vendas para quem trabalha no mercado. Deve atrair os milhares de turistas que visitam o Mercadão, mas que está fora da lista das agências de turismo, por conta das obras e da falta de segurança geral no Centro Histórico de Manaus. Também, preocupam-se com a forma de administração sugerida pela prefeitura de privatizar para empresa de fora. Os permissionários querem o direito de administrar o Mercadão com o sistema de cooperativa, o projeto de lei tramita na CMM desde julho de 2011.

Exemplos de sucesso

O Mercado Municipal de Belém, no Pará, é exemplo de sucesso como ponto turístico e cultural da cidade, é considerado como a maior feira ao ar livre da América Latina. Mais conhecido por Mercado do Ver-o-peso, foi candidato a uma das Sete Maravilhas do Brasil. Outro destaque para um entreposto, o Mercado Municipal de São Paulo, que foi totalmente reformado em 2004; a fachada recuperada, os vitrais restaurados e um mezanino construído com diversos quiosques de comes e bebes. Graças à reforma, o Mercadão de São Paulo é hoje um ponto turístico gourmet de apreciação internacional.

Preocupação parlamentar

Na opinião do vereador Joaquim Lucena, PSB, durante a administração do prefeito Serafim Corrêa muitos foram os empecilhos de ordem técnica, criados pelos institutos para que as obras de reforma do Mercadão ficassem paradas e assim impedi-las de serem concluídas pelo atual prefeito. Amazonino recebeu a prefeitura com a verba orçamentária em caixa, e agora corre o risco de ser devolvida ao Ministério da Cultura por prescrição de prazo para realização obra. “Serafim entregou a prefeitura com todo o dinheiro em caixa. E por que não foi feito? Não foi feito porque o atual prefeito não quis. Se a obra é do Serafim ele não faz.”
O vereador Lucena citou também, o descaso com o Terminal Pesqueiro que está pronto, falta apenas, a câmara frigorífica que depende de licitação pública para instalação e gerenciamento. O local começou a deteriorar sem ter sido utilizado e caiu no esquecimento da prefeitura. “Este descaso com as obras públicas que iniciam por uma administração e caem no descaso pela sucessora, é um grande engano dessa política antiga, que não leva em consideração a população que acaba sendo a mais prejudicada. Eu lamento profundamente, precisamos de uma política moderna de continuidade independente da corrente partidária, mas que o bem-estar da população seja garantido.”

Prefeitura vai resolver

Para a base aliada do prefeito na CMM, o entrave acontece devido aos apontamentos técnicos relatados pelo Iphan. O projeto passou por atualizações na estrutura, e capacitação da mão de obra, pois se trata de um restauro, e precisa ser preservado, além de ter que atender a necessidade dos feirantes, como por exemplo, o tamanho dos boxes. “O problema é resultado da falta de comprometimento das gestões anteriores com a população. É preciso respeitar a hierarquia do tempo e saber que agora a prefeitura vai resolver”, prometem os vereadores aliados.

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