Menos vendas, mais crédito

O resultado oficial das vendas do comércio para o Dia dos Pais revelou crescimento de apenas 2,9%, bem abaixo da expectativa inicial de 4%, já considerada tímida por representantes do setor em Manaus. Os dados foram divulgados na sexta (17), pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus).
“Acreditamos que poderíamos alcançar a meta de 4%, mas a restrição de crédito por conta da inadimplência e a preocupação em usar a primeira parcela do 13º salário para quitar as dívidas mudaram o foco do consumidor”, detalhou o presidente da entidade, Ralph Assayag. O pagamento da primeira parte do 13º salário beneficiou 123 mil servidores públicos -municipais e estaduais até o final do mês passado e injetou R$ 141 milhões na economia do Estado.
Em entrevista anterior ao Jornal do Commercio, o economista e vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco de Assis Mourão Junior, havia estimado que apenas 20% dessa injeção (R$ 28,2 milhões) seria destinado às compras no comércio e 80% (R$112,8 milhões) para o acerto de contas com o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e outra entidades de cobrança.
Após o fechamento do balanço, ele refez os cálculos. “Diante do resultado acredito que apenas 10% tenham sido direcionados para as compras e os 90% restantes para o pagamento de dívidas, já que o índice representou um pouco a mais da metade da expectativa inicial que já era baixa. Eram milhões que poderiam ser ‘jogados’ no comércio, o que não ocorreu”, avaliou.
Para Ralph Assayag, a notícia boa, entretanto foi justamente a preocupação do consumidor em se acertar junto a entidades como o SPC/Serasa (Serviço de Proteção ao Crédito), tirando o nome da lista de devedores do órgão.
O Amazonas já acumulava, entre janeiro e junho, 40.289 consumidores inadimplentes no ‘vermelho’ e, conforme, lembra Assayag, a injeção do 13º possibilitou um recuo de 0,2 pontos percentuais em julho, passando para 3,4% após alcançar 3,6% em junho.

2º Semestre

O vice-presidente da Fecomercio/AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, analisa que o comércio do Amazonas sente agora os impactos da crise econômica, percebida com antecedência por outros Estados.
“No resto do Brasil, as vendas estão tomando consistência agora, mas aqui nós sentimos os efeitos de forma tardia. Nosso contexto é diferente, sobretudo por influencia do polo industrial. O PIM está parado e a greve da Receita Federal já causa impactos, tanto na indústria quanto no comércio. O varejo deve, inclusive, ter as vendas do Dia das Crianças prejudicadas”, explanou.
Para ele, as fortes chuvas por um período maior, a cheia recorde como consequência das chuvas, greves de diversos setores, desativação do terminal da Matriz e desaceleração da economia foram alguns dos fatores que pesaram sobre o desempenho do segmento comercial até o momento e que continuam contribuindo para um quadro menos otimista para o setor ao longo de todo o ano. “Para o segundo semestre aguardamos bons resultados, basta saber se a melhora será significativa para garantir o desempenho este ano”, concluiu.

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