Menor taxa de juros pode estimular financiamentos e vendas

A redução de meio ponto percentual da taxa básica de juros da economia, a chamada Selic, que passou de 9,25% para 8,75% anuais, é bem-vinda para o varejo porque estimula tanto os empréstimos bancários para aquisição de mercadorias como os financiamentos que podem ser feitos a longo prazo com custo menor. Dirigentes do comércio apontam que tudo que reduz da Selic incentiva o consumo, que mantém o setor em atividade.
O presidente da FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas), Ralph Assayag, explicou que com os juros menor o consumidor se sente atraído a comprar mais, principalmente produtos de maior valor aquisitivo, a exemplo de fogão, geladeira e até carros, que findam se ajustando no bolso dos clientes.
“Um carro popular zero na faixa de R$ 25 mil, dependendo do número de prestações pode sair por R$ 30 mil, com a Selic na casa dos dois dígitos esse valor se torna bem maior”, exemplificou.
Segundo Assayag, a taxa de juros na casa de um dígito, como está atualmente, a 8,75%, favorece os empréstimos para os comerciantes que vão poder buscar esse dinheiro nos bancos, com juros atrativos, para comprar mercadorias e estocá-las. “Quanto mais baixas as taxas de juros eles (comerciantes) terão melhores condições de realizar financiamentos com alíquotas menores embutidas nas prestações”, disse.
Na avaliação do presidente da Fecomercio-AM (Federação do Comércio do Estado do Amazonas), José Roberto Tadros, a queda da Selic é um processo normal e um reflexo do que vem acontecendo no mundo inteiro. Mesmo a 8,75% ao ano, ele disse que a taxa de juros brasileira é uma das mais altas do planeta. “Como está havendo deflação e a nossa inflação deve estar em torno de 4,4% ao ano, a Selic atual ainda é o dobro”, comparou.
Por outro lado, segundo Tadros, vai chegar o momento em que essa taxa terá que estabilizar porque no que pese a economia estar indo bem o Brasil ainda não é um país rico, logo precisa de aporte de capital. “Como não tem poupança interna suficiente para fazer face aos grandes investimentos e desafios que o país precisa, se vale da poupança externa para ajudar o seu desenvolvimento nos investimentos básicos que são rodovias, ferrovias, hidrovias, prospecção de petróleo”, mencionou o dirigente.

Benefício para PIM

O titular da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), Isper Abrahim Lima, também avaliou que a queda da taxa de juros é extremamente bem-vinda e que ajuda muito a quem toma dinheiro emprestado. Segundo ele, é uma medida adotada pelo Copom (Comitê de Política Monetária), que visa obviamente o mercado nacional como um todo.
Segundo Isper, o Amazonas é contemplado com a Selic porque tem produtos que dependem muito de financiamentos, a exemplo do segmento de motocicletas do PIM (Polo Industrial de Manaus). “É um produto que depende muito de financiamentos, porque as vendas são feitas mais a longo prazo”, disse.

Cenário exige cautela em empréstimos

A partir de cálculos de especialistas, a Agência Dinheiro Vivo revela que a última redução dos juros para este ano promoverá economia de poucos centavos nas parcelas de grande parte dos financiamentos. Analistas acreditam que a taxa de juros deve se manter estável até o fim deste ano e que o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, só deve voltar a ajustar o indicador apenas a partir de 2010. Diante deste cenário, a tomada de empréstimo ainda deve ser encarada com cautela pelo consumidor, conforme orientação da Fundação Procon de São Paulo. O corte na taxa é extremamente importante ao consumidor, mas é preciso ter consciência de que o barateamento na concessão de crédito não é um processo tão ágil.
A Dinheiro Vivo aponta que existe um deslocamento muito grande entre a taxa selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 131,87% ao ano provocando uma variação de mais de 1.300,00% entre as duas pontas. “Entretanto, o efeito indireto será muito maior na medida em que, com uma taxa selic bem mais baixa, cai a rentabilidade dos bancos em aplicações de tesouraria (títulos públicos), o que levará os mesmos a emprestar mais, provocando maior competição no mercado com efeitos nas taxas de juros das operações de crédito”. A explicação é da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Perspectiva do comércio é positiva

O corte da Selic vai refletir nos negócios do segundo semestre, cujas projeções da Fecomercio-AM é de recuperação do que foi perdido no primeiro decorrente da crise financeira internacional. O comércio vai se valer de datas como o Dia dos Pais, considerada a quarta melhor data para o varejo – perdendo para o Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados.
Segundo Roberto Tadros o setor está decolando lentamente e de forma gradual disposto a recuperar o que foi perdido. Ele informou que está havendo um crescimento mês a mês neste ano, mas aquém do ano passado em consequência da crise que assolou o primeiro mundo e não somente os países periféricos. “As conseqüências disso evidentemente afetou a todos nós”, garantiu.
A expectativa de recuperação da Fecomercio-AM para este segundo semestre esbarra nos indicadores do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que deve haver um crescimento de 1% na economia brasileira. Tadros informa que os organismos internacionais estimam queda de 0,7%. “Há de se verificar se essa queda afeta a área industrial e agrícola, que exporta, e não afeta a área comercial, que não exporta e que atende o mercado interno que está mais ou menos estável”, comentou, ressaltando que quando a indústria desemprega reduz o mercado de consumo porque tem mais gente desempregada e por via de conseqüência menos gente consumindo.
Quanto ao emprego no comércio o dirigente da Fecomercio-AM aponta que se manteve estável por causa da boa gestão da economia do país. Ele disse que internamente o país tem uma boa gestão, os fundamentos da economia brasileira estão preservados e tem havido uma seqüência na política econômica brasileira.
Roberto Tadros informou que o projeto de desenvolvimento do país somado a preservação da moeda e a estabilização da economia iniciou nos oito anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, teve sequência nos quase dois anos do governo de Itamar Franco e nos sete do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
O dirigente avaliou que nunca o país teve um processo desses pelas vias democráticas. Essa prática ocorreu durante a revolução de 30, no Estado Novo de Getúlio Vargas, de 30 a 45, e também durante a Revolução de 1964, mas cheio de altos e baixos. “No regime democrático, esta é a primeira vez que se assiste realmente um presidente passar o comando e o outro dar continuidade aos fundamentos da economia de maneira e de forma responsável e passar o bastão para o outro que continua dando sequência”, citou, ressaltando que quem ganha com isso é o país e seu povo.

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