9 de maio de 2021

Melhoramento nas criações de galinhas caipiras no Estado

Quem viveu em Manaus há 40 anos, ou mais, deve lembrar que as casas tinham quintais imensos, repletos de árvores frutíferas e galinhas criadas livres, as chamadas galinhas caipiras, ciscando no terreiro. Dessas aves se consumiam os ovos e, em dias de festas e aniversários, algumas delas eram sacrificadas. O tempo passou, vieram os supermercados e hipermercados repletos de frangos congelados e o consumo alimentar da população mudou completamente. As pessoas reclamam da carne sem gosto e cheia de hormônios, mas mesmo assim a consomem. Mas as coisas podem estar mudando, agora para melhor, e exatamente com as galinhas caipiras melhoradas. É o que garante o médico veterinário Carlos Modestino Cavalcante da Silva, e ele fala com propriedade, pois acabou de ganhar, na quinta-feira, 28, a primeira edição do 1º Prêmio de Vídeos Educativos da FPR (Formação Profissional Rural) e PS (Promoção Social), promovido pelo Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) nacional, onde ele trabalha como instrutor, em Manaus.

“Eu fui a primeira pessoa a trazer a galinha caipira melhorada para Manaus, há 20 anos, e me orgulho disso, porque desde então tenho visto muitos criadores, que começaram com alguns pintinhos, e hoje contam com galpões repletos de galinha caipira melhorada, graças aos meus ensinamentos. Fazendo um trocadilho, costumo dizer que essas aves são a salvação da lavoura”, falou Carlos.

Carlos Modestino acabou de ganhar a primeira edição do 1º Prêmio de Vídeos Educativos do Senar

Em programas rurais, sempre aparecem as galinhas brancas lotando os galpões, mas elas não servem para a nossa região.

“Elas são mais frágeis, por isso precisam ser criadas em confinamento, e como não ciscam o terreiro, são alimentadas com ração, caríssima, que precisa vir do Sul para cá, o que inviabiliza comercialmente a sua criação e venda. Com a galinha caipira melhorada acontece o oposto”, disse.

A nossa caipira vai sumir

Galinhas criadas livres são as chamadas galinhas caipiras, que vivem ciscando no terreiro

Mas, por que a nossa tão querida galinha caipira, que tantas canjas, caldos, assados e cozidos nos proporcionou, pode estar com seus dias contados? É preciso voltar bastante no tempo, aos dias em que elas chegaram à nossa região, para entender.

“Elas são de origem francesa, e devem ter sido trazidas para cá ainda no final do século 19, quando muitos estrangeiros vieram para a Amazônia. Ocorre que também foram levadas para São Paulo. A diferença é que aqui a galinha caipira se manteve intocada, criada nos quintais, apenas para abastecer as famílias, sem pretensões de serem comercializadas, diferente de São Paulo, onde desenvolveram a melhorada, que só chegou a Manaus há duas décadas”, contou.

“Como suas qualidades são bem superiores que as da nossa galinha caipira, é bem provável que esta suma, até porque quem cria hoje a melhorada, já a cria com fins comerciais”, completou.

E realmente as diferenças são expressivas. A nossa caipira, com doze meses, atinge 800 gr de peso, enquanto os machos da melhorada, com 70 dias já pesam 3kg200, e as fêmeas, 2kg800; a nossa caipira bota de 60 a 70 ovos/ano, enquanto a melhorada põe, em média, 320 ovos/ano; a nossa caipira começa a botar com um ano, e não é constante, passando dias para botar os ovos, diferente da melhorada que começa a botar com cinco meses e pelos doze meses seguintes não irá parar.

“Sem falar que, de uma grande criação, o criador pode deixar as fêmeas apenas para a produção de ovos, e destinar os machos para corte, ou seja, é uma produção altamente rentável”, revelou.

Agora, o que torna a melhorada imbatível comercialmente quando comparada a qualquer outra variedade é o fato dela ciscar o terreiro e comer de tudo, não necessitando da caríssima ração.

“Elas comem frutas, verduras, grama, macaxeira batida, pedrinhas, insetos e tudo o que for comestível”, informou.

Sabem ‘se virar’         

“Meu trabalho, como instrutor do Senar, é viajar pelo interior do Amazonas ensinando técnicas agropecuárias para melhorar as produções do homem do campo. O que falta para essas pessoas é conhecimento. Quando elas os adquirem, prosperam”, afirmou.

“Um exemplo que gosto de citar é o da dona Maria do Carmo, dona de um pequeno sítio na estrada do Puraquequara. Ela começou com 50 pintinhos e hoje tem vários galpões de criação da melhorada. Vende, em média, 300 frangos entre sábado e domingo, e 150 nos dias de semana, todos abatidos na hora, fresquinhos, ao preço de R$ 40 reais. Também conheci o dono de um sítio, em Presidente Figueiredo que, desiludido, queria vender o terreno. Hoje possui três galpões de criação da melhorada”, lembrou.

O ideal, segundo Carlos, para quem quiser consumir a melhorada é procurar nas feiras e buscar saber quem é o produtor. Eles costumam abater as aves no mesmo dia, o que as deixa ainda mais saborosas, diferente das congeladas.

E quem quiser assistir ao vídeo vencedor feito por Carlos, é só acessar o site do Senar. Ele foi um dos dez instrutores de todo o Brasil a ganhar o prêmio. No vídeo o veterinário ensina de forma bastante didática a criar a galinha caipira melhorada.

“Você só precisa ter cuidados nos primeiros dias, dando vitamina, antibiótico e vacina. Depois é só soltar no terreiro que elas sabem ‘se virar’ sozinhas”, finalizou.

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