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Melhora da satisfação com emprego e renda puxa nova alta de intenção de consumo em Manaus

A propensão de consumo das famílias de Manaus voltou a crescer em junho. Os dados locais da CNC (Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) para a pesquisa do indicador de ICF (Intenção de Consumo das Famílias) marcaram seu 12º avanço seguido, novamente em ritmo superior ao da média nacional, e puxado pelos consumidores de baixa renda. No mês do Dia dos Namorados, foram registradas melhoras acentuadas na percepção sobre renda, emprego e acesso ao crédito, mas a disposição para comprar bens duráveis arrefeceu, assim como as perspectivas profissionais.

O ICF de Manaus marcou 83,4 pontos, 4,1% a mais que em maio (80,1 pontos), correspondendo a mais do que o dobro de 12 meses atrás (39,6). O indicador, no entanto, ainda não conseguiu sair da zona de insatisfação (de 0 a 100 pontos), onde permanece há 38 meses, e aquém do nível atingido logo no começo da pandemia – março de 2020 (105,2 pontos).  O ganho de otimismo foi maior entre as famílias de renda abaixo dos dez salários mínimos (+4,12%), embora estas ainda sigam sob a marca da desconfiança (78,3 pontos). O avanço para os consumidores mais abastados foi mais baixo (+3,74%), mas estes já estão “confiantes” (135,9 pontos) desde novembro de 2022. 

Manaus voltou a ter desempenho mais forte do que o da média brasileira, que já está quase na margem de confiança (97,3 pontos). Em todo o Brasil, o indicador marcou expansão mensal de 2,3%. No confronto com junho de 2022, houve nova escalada de dois dígitos (+21,3%). A CNC avalia que a queda de inflação em ritmo além do esperado, além do aquecimento do mercado de trabalho, aumentou a disposição ao consumo. Mas, ressalva que o nível elevado de juros e endividamento altos limitam a capacidade das consumo, mantendo as vendas do varejo desaceleradas.

Em sintonia, a nova progressão no otimismo dos consumidores de Manaus ainda contrasta com os números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da mesma CNC. Os números melhoraram, mas as compras seguem embarreiradas pelo comprometimento da renda das famílias com dívidas antigas. Ao menos 87% (569.415) das famílias da capital estão endividadas e 47% (307.912), inadimplentes. Já o ICEC (Índice de Confiança do Empresário Comercial) emendou seu sexto mês de ceticismo (105,1 pontos), embora o indicador – que também tem linha de corte nos 100 pontos – ainda se mantenha acima da linha divisória de confiança. 

Renda e emprego

O ICF de Manaus avançou em seis de seus sete componentes, na variação mensal, mas apenas um deles está no nível de satisfação. As melhores taxas de crescimento vieram das perspectivas de consumo (+9,1%) e das avaliações sobre o nível de consumo (+7,9%) e a renda (+6,9%) atuais. Já as percepções sobre emprego atual (+5%), “momento para duráveis” (+4,2%) e condições de acesso ao crédito (+0,5%) subiram menos. O único dado negativo veio da perspectiva profissional (-1,3%). 

O entendimento sobre o nível de consumo atual ainda é o principal fator que puxa a média de Manaus para baixo. Apesar dos aumentos seguidos, o subindicador ainda aparece com o pior escore da lista (52,8 pontos), embora o placar das famílias com renda acima de dez mínimos (127,5 pontos) seja mais de duas vezes superior. Nada menos do que 66,1% estão indo menos às compras do que no ano passado, embora esse percentual venha caindo mês a mês. Uma faixa minoritária e crescente (18,9%) assinala que está comprando mais e 13,7% apontaram empate. 

A pontuação da perspectiva de consumo (82,2 pontos) não é muito melhor, assim como a avaliação sobre a renda familiar atual (78,2 pontos), embora ambas tenham melhorado. Para 48,4% das famílias de Manaus, as compras dos próximos meses devem vir menores que no ano passado. Outros 30,6% dizem que será maior, e 18% confirmam estagnação. Em paralelo, 45,1% dizem que a renda familiar piorou em relação ao cenário de econômico de 12 meses atrás. Só 23,3% viram melhora e 30,7% consideram que está igual. 

Na outra ponta está a avaliação sobre a perspectiva profissional (100,3 pontos), a única pontuação satisfatória da lista. Mas, a fatia de consumidores que preveem melhora nos próximos seis meses (44,9%) está quase empatada com a dos que têm opinião contrária (44,6%). A visão sobre a situação atual do emprego (96,1 pontos) melhorou, embora 31,2% ainda se digam “menos seguros” em relação à ocupação, ao passo que uma faixa crescente de consumidores se diz “mais segura” (27,2%). A cota de desempregados estabilizou em 18,5%. 

Em termos de situação atual do crédito (90,1 pontos), 42,9% consideram que o acesso ainda está mais difícil do que no ano passado. Em contrapartida, 33,1% já apontam que ficou mais fácil e 20,8% não veem diferença. No mês do Dia dos Namorados, o “momento de aquisição de bens duráveis” (80,4 pontos) sofreu nova redução na parcela de consumidores que fogem do endividamento e dos juros (54,6%), em paralelo com um novo crescimento do minoritário grupo dos consumidores mais dispostos a contrair contas de longo prazo (38,4%). As dificuldades e cautelas ainda predominam entre as famílias de menor renda.

Endividamento e juros

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, considerou que os números locais do ICF confirmam que a crise que abriu o ano começou a entrar em um “processo de acomodação”. “Esperamos que a votação do arcabouço fiscal no Congresso traga estabilidade econômica e permita ao BC reduzir a Selic. Todos esses aspectos mexem com as vendas do comércio, que está combalido pelos aumentos da carga tributária, dos juros e do endividamento do consumidor. Mas, as coisas vão tomando rumo devagarzinho”, ponderou. 

No texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, O presidente da entidade, José Roberto Tadros, avalia que os dados mais recentes da ICF mostram um consumidor brasileiro mais confiante no futuro do emprego, especialmente entre as mulheres e as pessoas de menor renda, que foram os grupos mais afetados pela crise econômica. “No entanto, ainda há obstáculos para a retomada do consumo, como o alto nível de endividamento e a restrição do crédito, que impactam principalmente a compra de bens duráveis”, ressalvou.

No mesmo texto, a economista responsável pela ICF, Izis Ferreira, reforçou que o aumento na satisfação com o emprego em âmbito nacional reflete a geração de vagas formais pelos serviços e construção civil, “setores que vêm contratando pessoas com menor nível de escolaridade”. Mas, pondera que, mesmo diante de um IPCA acumulado três vezes menor do que o de maio de 2022 (11,73%), as famílias continuam limitadas nas compras a prazo, em razão do financiamento seleto e caro. “Esse cenário fez com que os consumidores recorressem mais ao crédito para recompor seus rendimentos. Consequentemente, tinham menos intenção de comprar”, encerrou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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