MEIs precisam agora de renovação para sobreviverem a crise

A pandemia e a quarentena estão atuando de maneira arrasadora na economia do Brasil. No país, 600 mil pequenas e médias empresas já fecharam suas portas, de acordo com dados do Sebrae. Entre o contingente de 70 a 75 mil mei’s (micro empreendedor individual) com CNPJ no Amazonas a situação não está sendo diferente.

“É difícil contabilizar se essa quantidade de mei’s está ativa, porque muita gente abre uma micro empresa individual e não dá continuidade à empresa. Abre apenas pelo CNPJ, para tirar um carro ou fazer uma compra, e acaba, depois, deixando a empresa pra lá”, explicou Ricardo Rivadávia, coordenador do atendimento de salão, no Salão de Atendimento, e consultor da área de empreendedorismo e novos negócios no Sebrae/AM, “mas todas as demais, ativas, com certeza estão sentindo o baque”, completou.

A crise foi horizontal, plena, atingindo todo tipo de negócio, serviço, comércio e indústria.

“O setor da indústria, que é pequeno no Amazonas, está entre os mei’s que sentiu mais o impacto da crise”, disse.

Outra comprovação revelada com a atual situação é que, pela menor circulação de dinheiro, está havendo menos consumo de bens e mais de serviços.

“As empresas que aproveitarem para melhorar seus serviços, vão se dar bem quando tudo se normalizar”, previu.

“As empresas, a partir de agora, precisam se adaptar à nova realidade de mercado que, no início, parecia ser temporária, mas agora estamos vendo que não será. A extensão dessa crise será de médio a longo prazo. Estamos falando em algo aí em torno de dois a cinco anos de recuperação. Essa pandemia veio para criar uma nova relação de produção de bens e de serviços no mundo todo”, falou.

Delivery em alta

Ricardo contou que ainda é cedo para visualizar qual o setor de mei’s está sendo o mais prejudicado.

“Mas posso adiantar que foram aquelas empresas excessivamente pesadas em termos de estrutura, sem mobilidade no mercado. Estas, não conseguiram se adaptar”, afirmou.

Como os números vêm demonstrando, a expectativa é que agora cresçam ainda mais os serviços de delivery. Os empresários precisarão começar a pensar com mais atenção no atendimento delivery, remoto, buscando satisfazer da melhor maneira o cliente no conforto de sua casa.

“Nossas pesquisas mostram que, nos próximos dois anos, o delivery se intensificará ainda mais. Outro aspecto que estamos percebendo é que a maioria das empresas provou, e aprovou, o trabalho home office. É muito mais barato para o empreendedor manter o funcionário em casa, com valor de contratação até menor”, garantiu.

Empreendedores que eram avessos às inovações tecnológicas estão com dificuldades em se adaptar à nova realidade. Às pressas estão descobrindo que precisam ter uma estrutura informatizada, conhecer redes sociais, e saber utilizar as ferramentas da internet que podem alavancar os seus negócios.

“Até a taberninha da esquina, que atende à comunidade do entorno, pode estar com os dias contados se não se adaptar às realidades. O mundo mudou, o comércio mudou, o perfil do consumidor mudou bem como a estratégia de trabalhar com o consumidor mudou”, mostrou.

Aprender com a quarentena

No Estado, a grande incidência na abertura de mei’s é voltada para a área comercial, pela ordem de aberturas: lanchonetes, salões de beleza e boutiques. Segundo Ricardo, esses três segmentos já estão quase saturados.

“A maioria das pessoas escolhe esses setores porque são empreendimentos que têm um retorno rápido, porém, o custo de sua manutenção é alto. Entra muito dinheiro, mas sai muito dinheiro também”, alertou.

Para o consultor, o segredo é inovar para não ficar estagnado.

“Esses segmentos estão quase saturados, mas ainda comportam empresas, que podem se dar bem, desde que inovem e façam diferente. Abrir uma panificadora para vender os mesmos produtos e serviços oferecidos por qualquer outra panificadora já é um indicativo de que o empreendedor está começando errado, com grande probabilidade de não dar certo”, ensinou.

Não é de hoje que pesquisas mostram que empresas fecham por falta de planejamento inicial. O empreendedor precisa saber, antes de tudo, que deve abrir uma empresa partindo da perspectiva do que o cliente quer e não do que ele, empreendedor, quer.

“Muita gente vem ao Sebrae querer abrir uma empresa igual à do vizinho, porque o vizinho está ganhando dinheiro. A maioria dessas empresas, abertas sem planejamento, fecha em no máximo dois anos”, revelou.

“Após essa pandemia vão surgir novos tipos de negócios, que nem pensávamos antes, e podem ser excelentes oportunidades para quem quer empreender e inovar”, avisou.

E Ricardo aconselhou.

“O que dá dinheiro não é uma tendência, mas a necessidade do mercado. O que dá dinheiro num bairro pode não dar no outro. O empreendedor que quer aproveitar esse novo momento na economia deve prestar atenção na localidade onde quer montar sua empresa, no perfil e na necessidade dos moradores desse local”, contou.

“Muita gente vem ao Sebrae e pergunta qual negócio está dando mais dinheiro. Se soubéssemos, saíamos do Sebrae e montávamos nossa empresa. O sucesso de um negócio depende do empreendedor saber lidar com as situações. A quarentena está mostrando isso”, concluiu.  

Fonte: Evaldo Ferreira

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