Meirelles descarta uso da política monetária para “segurar queda”

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, rejeitou a tese do uso da política monetária para frear a desvalorização do dólar ante o real. Segundo ele, a taxa de juros deve ser uma âncora para a economia, em especial para cumprir as metas de inflação, e não uma biruta ao sabor das necessidades do mercado.
“Alguns analistas parecem crer que o objetivo da política monetária deve ser cambiante, segundo a conveniência do momento, hora voltados para o equilíbrio interno, hora para o externo. A consequência seria ter um regime monetário errático, uma política monetária que atuaria como uma biruta ao sabor do vento e não a âncora da estabilidade macroeconômica”, disse Henrique Meirelles durante o 5º Congresso da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), em São Paulo.
“Felizmente, não é esse o objetivo precípuo nem a prática da política monetária implementada pelo BC, calcada no controle da inflação”,disse Meirelles.

Queda da taxa Selic

Dessa maneira, Meirelles rebate a tese do ministro Guido Mantega (Fazenda), que vê na queda da taxa básica de juros um instrumento para evitar que a cotação do dólar ante o real continue em queda. Na sexta-feira passada, por exemplo, ele disse que a queda da Selic era um instrumento, ao lado da compra de dólares para compor as reservas internacionais, de reduzir a pressão baixista sobre a moeda americana.
Segundo o presidente do BC, os movimentos na taxa de câmbio respondem a diversos fatores, incluindo as condições macroeconômicas externas, a confiança dos investidores, entre outros. “Sob o regime atual, que vem servindo muito bem ao Brasil nesses últimos dez anos, cabe à taxa de câmbio, e não à taxa de juros, reagir a toda esta combinação de fatores”, disse.

Fundos de investimento

Meirelles ainda disse que os fundos de investimento do Brasil devem rever sua posição de “financiador primordial da dívida pública, com enfoque no curto prazo”, que foi implantada devido ao período de instabilidade financeira nas décadas de 1970 e 1980. “A redução do patamar da taxa de juros exigirá revisão dos mecanismos institucionais que foram criados no contexto de taxa de juros elevada”, disse.
“Com a perspectiva de crescimento econômico sustentável combinado à redução das incertezas macroeconômicas e queda dos prêmios de risco, a preferência pela liquidez tende a se reduzir, e a rentabilidade passa a desempenhar papel fundamental.”
Porém, Meirelles lembra que essa busca pela rentabilidade tem limite, como mostrou a crise financeira global.
“As lições aprendidas com a crise internacional devem evitar que cometamos os mesmos erros no Brasil, como excesso de euforia, falta de transparência e incorreta precificação de risco que caracterizaram os mercados americanos na última década”.

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